A Revelação De Um Segredo

1277 Words
Eu estava escondida atrás de uma parede enquanto procurava por Márcio. Ai, o que esse garoto quer? Será que ele não se tocou que eu não quero e nem vou voltar para o presente? Ainda mais agora que meu avô é um chato, meus pais não ligam mais pra gente, meu irmão caçula agora é um cachorro e Stef nem lembra da nossa amizade, para que vou querer voltar se as coisas estão desse jeito? Eis, que de repente escutei uma voz ao pé do meu ouvido. - Se escondendo de mim, Luna? Me virei em um pulo e o vi, mas estava diferente, acho que com a pressa de me esconder acabei nem notando antes, mas o garoto estava usando o uniforme do meu colégio, certamente para passar despercebido. - Você é teimosa, hein? Voltou de novo… - Cruzou os braços. Olhei para os lados, e sem avistar nenhum dos meus amigos, puxei o garoto pela mão e entrei com ele em uma sala que estava vazia. - Desculpa Márcio, mas eu quero ficar aqui, a minha vida mudou tanto lá em 2023, e aqui eu tenho meu irmão, meu avô, tenho amigos e… - Fiz uma breve pausa. - E o Ricardo. - Luna, eu entendo… E a Martina, que é minha superiora e eu percebemos que você é bem difícil e muito teimosa, por isso, ela sugeriu algo. - O quê? - Fiquei encarando-o. - Eu vou estudar aqui, inclusive, até já fiz minha matricula, legal, né? - Como é? - Perguntei sem entender nada do que estava acontecendo. - Eu vou tomar conta de você, Luna, para você não fazer nenhuma besteira. - Eu? - Perguntei incrédula. - E por que não o Sebas? - Porque ele é bobo e ninguém leva ele muito a sério, já você… Mas de qualquer jeito, não se preocupa que do mesmo modo, darei uma olhada nele de vez em quando, mas ainda é você que me preocupa. Acho que o que Márcio dizia fazia um pouco de sentido, mas eu não queria e nem precisava de uma babá, era só o que faltava ter alguém me vigiando o tempo todo, mas se ele parasse de querer me levar para meu presente, até que já estava de bom tamanho. Acho que não tinha muita escolha, já que era isso ou ter que voltar para uma realidade que eu não queria, acho que ainda preferia ter um chato o tempo todo na minha cola. (...) Eu estava na minha sala, em plena aula de Aritmética quando o diretor da escola bateu à porta de minha sala para apresentar o meu mais novo colega. - Luna, não é aquele garoto que estava falando com você na sua festa e que nos seguiu no aeroporto? - Perguntou Ricardo, que estava sentado atrás de mim. - Hã… Não, não é, só é parecido. - Menti. - Tem certeza? - Perguntou meio desconfiado. - Tenho. O diretor pediu para que Márcio escolhesse um lugar para se sentar, e o ‘’querido’’ sentou perto de mim, fazendo eu dar uma revirada de olhos. Notei Ricardo olhar com desdém para o garoto, que nem percebeu. A aula seguiu normal naquela manhã, porém ao terminar, tive que aguentar Ricardo falando que não havia ido nada com a cara de Márcio, enquanto Mercedes dizia o quão bonito ele era. - Ah, se o Gabo escuta isso. - Disse o garoto se referindo ao seu amigo, que era o crush de Mercedes. - Ai, eu só falei que ele é bonitinho, mas o Gabo… - Deu uma leve suspirada. - Ele é o meu Gabo… - Suspirou novamente. Rica eu rimos da garota que estava com um olhar apaixonado, mas logo notei Márcio escondido me espiando e passei a ficar séria. Afs, eu não ia nadinha com a cara desse garoto, ele era tão chato, e Rica também parecia não gostar nada dele, não tiro sua razão. (...) Ao ir até a cozinha, eu notei que meu irmão estava sentado no sofá, estava cabisbaixo e quieto, parecia triste. Peguei dois bombons da caixa que vovô tinha comprado e fui até Sebas, me sentei vagarosamente ao lado dele, e lhe ofereci um dos bombons. - Obrigado. - Pegou e deu um triste sorriso. - O que você tem? - Tô com saudade da Angela. - Ah, eu te entendo, também fiquei com saudade do Rica quando estávamos em casa. - E se ela não quiser mais me namorar quando voltarmos? - Só se ela fosse uma boba, você é bonito, divertido, e uma ótima pessoa. - Obrigado. - Sorriu e me deu um beijo no rosto. - Oi Galileu. - Falei ao avistar o cachorro do meu avô. O animal deu um pulo subindo no sofá, ficando entre mim e Sebas e então colocou a cabeça sob o colo do meu irmão, que começou a acariciar o Golden, acho que é verdade o que dizem sobre os cachorros saberem quando as pessoas estão tristes, acho que Galileu sentiu isso. Mais tarde liguei para Mercedes e a convidei para irmos ao Meia Lua, estava entediada e com v*****e de sair um pouco, ainda bem que minha amiga acabou aceitando meu convite, ah, cheguei a convidar meu irmão para ir conosco para ele se distrair um pouco, mas o garoto preferiu ficar em casa, ah, não gostava de vê-lo assim. (...) Mercedes e eu estávamos sentadas à mesa, enquanto aguardávamos Seu Luis trazer nossos pedidos, eu havia pedido um milk shake, e minha amiga pediu um pedaço de bolo de brigadeiro. Estávamos conversando quando eu notei que Márcio estava em outra mesa, ele estava com uma revista na frente do rosto, talvez na esperança de eu não vê-lo, mas eu tinha o visto. Afs, esse garoto não vai parar de me perseguir, não? - O que houve? - Perguntou Mercedes. Ela olhou para trás, acho que havia percebido o meu olhar para o garoto. - É o nosso novo colega, né? Ele está olhando pra gente, acho que devíamos ir falar com ele. - Ela se levantou. - Não! - Puxei a garota pelo braço, fazendo ela sentar novamente. - O que houve? Você está estranha. - Eu não gosto dele. - Falei enquanto encarava-o. - Por quê? Hoje eu ajudei ele com uns exercícios de Português, ele pareceu ser legal. - Mas não é. - E como você sabe? Eu queria tanto contar toda a verdade para Mercedes, mas tinha medo de que ela não acreditasse e pensasse que sou alguma maluca. Porém, me pus a olhar para minha amiga e algo me disse que eu podia confiar nela. - Posso te contar um segredo? - Perguntei. - Claro. - Bom, digamos que o Márcio está me vigiando. - Por quê? Ele gosta de você? - Não. Quer dizer… Espero que não. Ele está aqui a trabalho. - Trabalho? Como assim? - Perguntou sem entender nada do que eu falava. Olhei por alguns instantes para minha amiga, enquanto pensava se lhe falava toda a verdade ou não, e então, eu disse: - Digamos que Sebas e eu não somos dessa época, nós dois somos viajantes do tempo, e viemos do futuro, mas precisamente do ano de 2023, e o Márcio é um guardião do tempo que não gosta da ideia de eu estar no passado, que é o teu presente. - Quê? -Perguntou pasma. Mercedes ficou completamente em choque com o que eu havia lhe dito, acho que também não era para menos, pois acredito que se eu estivesse no lugar dela, também reagiria do mesmo jeito. Ai, só espero que ela não pense que eu sou alguma maluca.
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