O silêncio no quarto era absoluto. Eva permaneceu imóvel por um segundo depois que a porta se fechou. Só o som metálico da tranca automática ecoou no espaço, como um ponto final. A respiração vinha curta, mas não pelo cansaço. Nem pelo prazer. Era raiva. Raiva por ter cedido. Por deixá-lo ultrapassar as barreiras que jurava intransponíveis. "Não muda nada", ela dissera. Mentira. Muda tudo. Sete anos depois, ali estava ela outra vez, completamente envolvida por um homem que só deveria representar perigo. Um homem que ela queria desesperadamente provar que tinha esquecido. Que podia ignorar. Mas não podia. Eva se deixou cair na beira da cama, como quem solta uma armadura depois de uma guerra que finge não ter lutado. Não chorou. Mas também não sorriu. Ela tinha cedido. E não havia

