O domingo amanheceu em silêncio. O sol filtrava pela cortina fina da cobertura, aquecendo lentamente os azulejos da cozinha. Eva estava de costas para o fogão, mexendo o café com movimentos automáticos. Ao fundo, Carla cortava frutas com a atenção de quem observa mais do que finge. — Dormiu alguma coisa? — perguntou Carla, sem desviar os olhos da faca. — O suficiente pra seguir em frente — respondeu Eva, com a voz baixa. O cheiro do café forte começou a preencher o ambiente. O interfone tocou. Eva foi atender sem pressa, já sabendo quem era. — É o Khaled. Está subindo — anunciou, ao retornar. Carla ergueu as sobrancelhas, mas não disse nada. Nem precisava. Eva ainda vestia o robe de cetim quando abriu a porta. Khaled surgiu vestindo uma camisa branca impecável, blazer escuro, se

