Assim que Daniel desapareceu pela cozinha, Carla se viu sozinha no meio da sala silenciosa e arrumada demais para seu atual estado mental. A pulsação ainda latejava no pescoço, mas agora, com o silêncio engolindo a raiva, o que sobrou foi a dúvida. Ela caiu no sofá, os cotovelos apoiados nos joelhos, o rosto entre as mãos. “Será que eu tô fazendo uma tempestade por nada?” A pergunta ecoou no cômodo. E, pior: ecoou dentro dela. Se Eva estivesse apenas descansando? Se realmente tivesse escolhido estar com Marco? Ela havia procurado até Khaled, pelo amor de Deus. Se Eva soubesse disso, ela a mataria. Provavelmente com as próprias mãos. Um filme mental começou a se desenrolar. Cada cena vergonhosa desfilando diante dos olhos como uma sessão torturante de retrospectiva pessoal. A ligação p

