Eva sentia o corpo pesar como se o ar ao seu redor tivesse se tornado concreto. Cada respiração era um esforço, mas aos poucos, sua visão voltava ao foco, e os sons deixavam de ser apenas ruído. Marco ainda estava ali. Sentado ao lado dela, ajoelhado no chão de mármore frio, uma das mãos tocando seu braço com uma delicadeza que mais parecia deboche. O tom grave e controlado da voz dele, durante a crise, não ajudara a acalmá-la — ao contrário, a confundira ainda mais. Ele não gritou. Não a forçou. Não a ameaçou. Apenas esperou que ela respirasse de novo. Mas isso só piorava as coisas. Eva queria odiá-lo com todas as forças, e aquele resquício de gentileza apenas embaralhava os sentimentos dela, como se ele estivesse se divertindo com a fragilidade que ele mesmo causava. Como se aquel

