Eva largou o celular como se tivesse queimado os dedos. A mensagem de Marco ainda vibrava em sua cabeça: “Hoje. Sem fuga.” Não era uma ameaça. Era uma sentença. Tentou ignorar, seguir a rotina. Acordou Luca, preparou o café, fingiu que tudo estava bem. Mas, por dentro, o estômago revirava. Cada movimento dela era automático. Cada sorriso forçado. No carro, Luca falava sobre a escola, empolgado com o novo projeto de ciências. Eva ouvia, ou fingia ouvir. Estava ali, mas não estava. Só quando o menino saltou para o pátio e acenou foi que ela percebeu: tinha chegado. Seguiu direto para o novo escritório. O ambiente era conhecido, confortável, mas nada nela relaxava. Evitou sentar. Evitou ficar parada. Mergulhou em planilhas, revisou contratos, respondeu e-mails — qualquer coisa para calar

