O relógio marcava exatamente 19h30 quando a campainha tocou. Eva não se deu o luxo de hesitar. Cruzou a sala em passos firmes e abriu a porta. Marco estava lá. Terno escuro impecável, os olhos ainda mais — duros, insondáveis. Não disse uma palavra, apenas entrou, como se aquele lugar já fosse dele. Ela o conduziu até a sala de jantar. A mesa estava posta com a elegância minimalista que a definia. Toalha cinza grafite, talheres de prata, vinho tinto já respirando na taça. Silêncio. Marco sentou-se sem convite. Eva também. Um garçom, contratado do restaurante que ela ligara mais cedo, entrou discretamente e serviu os pratos. Massa fresca com molho de cogumelos trufados. O aroma pairava no ar como uma promessa de algo que jamais seria cumprido. — Está tudo ao seu gosto? — ela perguntou,

