33 -- Tainá Narrando Eu mantive o olhar nele por mais alguns segundos depois daquilo, tentando sustentar aquela firmeza que eu tinha construído antes de entrar ali, tentando não deixar aquela acusação anônima me atingir como ele claramente queria, mas o silêncio que veio logo depois não era neutro, não era só uma pausa comum de interrogatório, era carregado de intenção, e foi exatamente isso que eu percebi quando ele se recostou levemente na cadeira, cruzando as mãos sobre a mesa e me olhando de um jeito diferente, menos técnico, mais incisivo, como se a partir dali ele estivesse deixando de apenas ouvir e começando, de fato, a conduzir. — Tainá — ele começou, com a voz mais firme, mais direta — nós não trabalhamos apenas com ligações anônimas. Meu peito apertou de leve, mas eu não fale

