Samantha
Fazia meia hora que eu estava olhando o meu reflexo no espelho, distraída com o trabalho e Joseph.Uma parte de mim desejava gritar e quebrar tudo, por estar sendo forçada a formar uma dupla com Sebastian. Ele era mais que um i****a, babaca, era um aproveitador barato que só abria a boca para fazer comentários indevidos sobre os meus afazeres. Por outro lado, a outra parte tentava descobrir— falhando miseravelmente—aonde Joseph e eu iríamos.
— Isso tudo é por causa do bonitão quase trilionário com quem vai sair hoje?
Como se já não fosse o bastanteminha situação, eu ainda tinha que ouvir comentários como esse da minha melhor amiga. A questão era que eu não estava no clima.
— Não. —neguei cabisbaixa.
Não estava com energia para a responderà altura, nem para ficar irritada.
— Você está bem?Parece triste.— Ela se aproximou de mim, preocupada.
Eu não conseguia tirar os olhos do meu vestido leve e florido, o qual esperava não ser simples demais para uma noite com um amigo do porte de Joseph.
—Se não está animada para ir, é só desmarcar.
— Não é isso, é sobre o trabalho. — Respirei fundo e, finalmente, saí da frente do espelho. Peguei o par de saltos finos mais baixos e calcei. — Sebastian está me tirando a paciência.Ele foi colocado de babá do meu projeto,aquele que demorou quase um ano completo para ser concluído, testado e aprovado pelo conselho. —lamentei. Realmente, isso estava me deixando para baixo. — Eu sei que já deveria ter me acostumado, mas nunca vou me acostumar. Sou melhor do que todos eles, tenho mais projetos em processo de produção elhes dou uma renda anual de milhões.Porém, quando sou colocada à frente de todos, eles me veem como um problema que deve ser vigiado por um homem.Sempre tem que ter um para o caso de uma emergência.
— Sam, você tem que sair desse lugar. —Veio atrás de mim. —Está sendo prejudicada de uma forma emocional, enão merece passar por isso.Sabe que consegue outro emprego em qualquer outra empresa.
— Tentar a sorte em outro lugar.—Eu sabia que ela queria o meu bem e que tudo que falou era verdade, só que ainda existia um problema. — Sabe que se eu sair agora, vou deixar meus projetos já em produção.
— Você fez o que disse que faria? —questionou-me como se me desse uma bronca.
— Sim.Mas me garantir com uma patente exclusiva não vai me dar plenos poderes sobre o que faço. Sair agora vai colocá-los na gaveta, e seria tempo e dedicação jogados fora.
— Achei que os microchips fossem apenas do seu domínio.
— Não são, graças ao contrato assinado quando me contrataram. —Tinha a certeza de que, muito em breve, minha cabeça começaria a doer. —Cada coisa que eu criar durante o meu período na empresa, é de responsabilidade de ambos.Não posso levar tudo para outro lugar, apenas impedir de continuar afabricação.
— Filhos da mãe! —disse irritada. — Pode até ser dessa forma, mas o que prefere?Continuar se desgastando emocionalmente, sendo humilhada e desprezada por causa dos seus projetos, ou sair de lá e se livrar dessa dor de cabeça que a está levando ao limite?
Ela tinha razão, no entanto eu não estava preparada para jogar tudo no lixo e entrar em uma guerra judicial com os idiotas superiores que comandavam tudo que eu fazia.
—Não se preocupe.Não vou ficar lá para sempre. —tranquilizei-a, apertando sua mão carinhosamente.
— Espero que não. — Retribuiu o gesto. — Bote um sorriso neste rosto.Além de ficar mais bonita assim, vai sair com um gato de Nova York.
***
Repeti durante o caminho todo que eu não estava indo a um encontro, e até mesmo em casa, quando troquei minha roupa para que não desse tal impressão.Hoper me olhou com tanto ódio, que me deixou preocupada. No fim, achei melhor dessa forma.A calça jeans escura, de cintura alta, a blusa de mangas longas e as botas de canos curtos davam mais a ideia de uma noite com um amigo.
Sim, eu estava preocupada de parecer ter segundas intenções, ainda mais sendo com Joseph.Ele era legal, engraçado, e acabei descobrindo que tinha um olhar matador que me tirava do eixo e me deixava envergonhada. Como não queria demonstrar estar mexida, repeti pelo caminho também que seria a amiga irônica que sempre era na sala escura.
Foi estranho ir até o local no carro dele, com seu motorista gato. O homem não disse uma palavra depois de explicar que foi me buscar. Eu nem sabia o que dizer ou perguntar, portanto fiquei calada, mexendo no celular.
Eu não fazia ideia de onde estava, só via que o lugar era lindo e gigantesco, com um enorme portão, como daqueles de filmes em que o mocinho é super rico e mora em uma mansão linda.Ok, não era só o portão que me dava tal impressão e me deixava de boca aberta,e sim tudo:a mansão branca, a porta enorme, que achei exagerada, o jardim lindo, o caminho de pedras e a fonte de água que ficava entre a porta de entrada e o jardim.
Lembrei-me de Hoper dizendo que eu iria me encontrar com um dos caras mais lindos e ricos do país e que o vestido era bem melhor.Insisti, dizendo que era uma mulher simples e que ele sabia disso. Não tinha noçãodo quanto era rico.
— Precisa que eu a acompanhe? —perguntou o bonitão que me trouxe até ali e que ficou calado o caminho todo.
Olhei-o com mais precisão e quase babei na sua frente. Taylor era bem alto— quase mais alto que Joseph—, tinha uma pele cor de oliva, os olhos verdes intensos, o rosto simétrico e irresistível e o corpo todo definido.Estava um charme nas roupas que usava. Preto combinava com ele, deixando-o misterioso e um pecado.
— Não.Quer dizer...Não sei. — Quase gaguejei e fiquei com vergonha. —Vou me perder lá dentro? — Ele franziu o cenho. — Se for tão grande quanto o lado de fora, pode até ser possível.
— Não se preocupe, não vai se perder. Joseph a espera.Quando passar pela porta, ele saberá que está aqui. —falou de modo mais amigável, com um curto sorriso no canto da boca.
— Vai mandar uma mensagem de texto para ele?
Gostei quando seu sorriso se estendeu por uma boa parte do seu rosto, respirei fundo e andei até os poucos degraus que tinha na entrada. Logo de cara, eu não sabia o que fazer. Tocar a campainha? Abrir aporta e ir direto ao ponto?Estava com vergonha de me virar e perguntar ao Taylor, contudo essa questão foi rapidamente anulada quando um homem, que devia ter entre cinquenta e sessenta anos, abriu a porta, deixando-me surpresa.
continua...