capítulo 16

1300 Words
— Senhorita Still, queira me acompanhar. —ele pediu demaneira tão educada, que achei estar em um filme realmente. OK, ele tem uma casa perfeita e empregados para todo tipo de afazer. Por que me chamou para um jantar?Por que tem interesse em ser meu amigo? Já no hall de entrada, deu para perceber o quanto a casa era linda e chique—, inclusive a escada—, pelo piso de mármore branco, paredes da mesma tonalidade e detalhes em madeira e em dourado. O que estou fazendo aqui? Estava tão boba com a arquitetura e belezadali, que não vi quando o senhor parou e quase me esbarrei nele. Ele abriu uma segunda porta e me pediu para entrar no cômodo. Era a cozinha.Quem estava lá? Sim, Joseph.Além do ambiente ser quase perfeito, o homem que partia alguns legumes completava esse fato, deixando a impressão de ser um quadro pintado por um grande artista. Entrei e fiquei o observando, ainda boba e sem acreditar que estava mesmo ali. Foi a primeira vez que o analisei de tal forma.Notei que ele tinha ombros largos. Eles me chamavam a atenção, mas não tanto quanto sua b***a perfeitamente redonda. — Vai ficar parada na porta? —questionou-me sem ao menos se virar. — Ainda estou impressionada. —Dei um sorriso nervoso. Ainda bem que ele não estava me vendo, pois fiquei desconsertada. Lembre-se: a amiga divertida, não a tímida que pode confundir as coisas. Caminhei até o balcão escuro, que se destacava na cozinha moderna e branca. Ele estava tão gato e, pelo que podia imaginar de quando se virasse, irresistível. — Imaginei que aqui seria um bom lugar para um jantar. É mais reservado.Podemos sair da cozinha e passear no jardim. Odeio restaurantes, onde todos nos observam e nos limitamosà mesa.—Quandoelese virou, eu ainda prestava atenção no quesegurava e colocava dentro da panela sobreo fogo.Eu tinha razão: estava ainda mais bonito. Nementendia porque estava notando isso. — É isso aí. —Volte à realidade, Samantha! — Sua casa é tão enorme, que achei que me perderia.Foi um senhor simpático que me ajudou. —Ele riu de um modo que me deixou boba. — Você mora sozinho aqui? Pelos metros quadrados desse lugar, acho que tem uns onze quartos. —brinquei. — Sua família deve ser enorme. — Na verdade, não.Minha mãe mora na Inglaterra e meu irmão tem seu próprio apartamento. E, sinceramente, não moro aqui ainda. — Não é sua casa ou está fazendo um teste drive? — Eu o fiz rir novamente.Gostava de vê-lo rindo.Sempre que o ouvia na sala, pensava em como seria pessoalmente.Sim, era maravilhoso. — Essa casa já é minha, mas ainda estão concluindo os últimos detalhes antes que eu possa decidir se morarei nela ou não. —Só me deixou ainda mais confusa. — Vinho? Encarei-o enquanto me oferecia a taça com o líquido. Quando a peguei, nossos dedos se tocaram, causando-me uma sensação estranha e satisfatória. — Ok.Sei que não devo me meter na sua vida, mas quando fico curiosa, tenho que saciar essa curiosidade. —Bebi um gole do delicioso vinho e oolhei novamente. Ele estava com um meio-sorriso, observando-me e me deixando estranha. — Este lugar serve como um brinquedo para a diversão, tipo aqueles de crianças, só que do tamanho real, ou é algum fetiche seu ter essa propriedade em mãos? Ele se afastou apenas para voltar ao fogão. O cheiro estava delicioso, quase dando vidaà minha barriga. Seria uma vergonha. — Foi um pedido da minha mãe.Ela disse que algum dia vai voltar para Nova York, porém só quando eu arranjar uma esposa.Eu disse que isso iria demorar e que nem sabia se realmente aconteceria. — A história se tornava ainda mais confusa. — Então, ela disse:“Procure uma casa grande, com muitos quartos.Quem sabe, morando nela, você se sinta tão sozinho, que saia para achar uma namorada”. — Ela acha que isso vai funcionar?Ou, melhor dizendo, você acha que vai? — Não.Mas, quem sou eu para a contar isso ou recusar um de seus pedidos? Eu estava encostada na bancada, fitando-o como uma i****a, bebendo o vinho e pensando na sua história maluca. Era a primeira vez que eu jantaria com um cara que não fosse um dos meus colegas de trabalho, sem ser porque surgiu algum motivo para a ocasião. — Então, você nunca vai arranjar uma namorada ou esposa? —Estava mais curiosa do que deveria.Afinal, essa história não tinha nada a ver comigo.Eu me importava de alguma forma e não entendia o motivo. —Gostaria de dizer que não. Isso me livraria de muito mais decepção.Porém, não sou o cara que fica solitário por muito tempo. — Ainda podem existir pessoas que valham a sua exceção e que não sejam de todo m*l. Fiquei pensativa, imaginando um futuro em que Joseph estaria em uma situação como essa, com alguém; e em um desses pensamentos, a pessoa era eu. Irritei-me tanto comigo mesma, que expulsei tudo da minha cabeça. — Boa sorte.—desejei. Ele me encarou com estranheza. Eu o entendia: estava mesmo sendo estranha. Continuamos a conversar sobre diversos assuntos, e estava achando bom conhecer melhor outros lados seus que nunca havia imaginado sobre o cara da sala escura.Quando se chegava perto o bastante dele, ele podia ser engraçado, fofo e muito interessado na minha vida, que não era lá a mais interessante. O aroma da cozinha só me dava mais fome.Quando ele me serviu, parecia que estávamos em um restaurante. — Você tinha algum sonho de ser chefe de cozinha, que lhe foi impedido por conta da responsabilidade de herdar a empresa da família? Minha boca salivava. A comida era boa tanto visualmente quanto no cheiro.Logo pus na boca uma garfada da massa deliciosa que ele preparou. —Está muito boa.Você tem um ótimo hobby. Fiquei envergonhada ao notar que ele me encarava com um sorriso no rosto. Geralmente, eu não era a garota educada quando comia.Repetir toda a cena que fazia ao jantar com Hoper me classificaria como m*l-educada. — Fico feliz por ter gostado. —Enrolou cuidadosamente o macarrão em seu garfo, com a ajuda de uma colher, e o colocou na boca. Vê-lo degustar a comida me deixou ainda mais envergonhada, por não ser como ele. — Gosto de cozinhar. —Bebeu um pouco do vinho. — Minha avó me ensinou tudo.Somos franceses, e ela priorizava a comida e reunir todos em uma grande mesa para o jantar ou todas as refeições. — Franceses, é? —indaguei baixinho. Com certeza ele me ouviu, pois soltou um sorriso abafado. Tive que tomar mais cuidado enquanto comia. Hoper e eu não éramos finas, nem tivemos uma educação como a dele. Quando estávamos em casa, comprávamos comida, já queeu era um desastre na cozinha, assim como ela, que queimou macarrão instantâneo uma vez. Falávamos enquanto nossas bocas estavam cheias e pegávamos a pizza com a mão.Era tanto divertido como satisfatório.Meia hora ao lado de Joseph e vi que éramos tão diferentes quanto o vinho e a água. — Meus avós vieram da França muito jovens. Moravam em uma pequena comunidade, com outros franceses.Foi assim que nasceram os Morson. —contou bastante empolgado. — Começaram aos poucos, e hoje nossa empresa é uma das maiores em toda a América. — É, eu sei. — Bebi um gole do vinho, ainda admirando a finesse dele. Como podia ser tão lindo? — Não sei cozinhar nada.Sou capaz de queimar algo no micro-ondas se me distrair muito. — Posso ensiná-la algumas coisas, se quiser.—Eu sabia que era uma piada; seu olhar me dizia tudo.Mas não me ofendi. — Não perca seu tempo. —Entrei na brincadeira. —Eu aprendo rápido, porém cozinha não é um habitatque serei boa em explorar. continua...
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