Capítulo 15

1123 Words
O tão esperado dia havia finalmente chegado. O dia em que Roberto e eu nos tornaríamos marido e mulher. A ansiedade que me corroía no peito se misturava com uma felicidade estranha, quase surreal, difícil de traduzir em palavras. Era como se minha mente gritasse para que eu focasse no presente, no que realmente importava, e não nos fantasmas de um passado que nunca deveria ter mexido tanto comigo. Mas enquanto eu me arrumava, do outro lado da cidade, Roberto também vivia seus próprios dilemas. Ele acordou cedo, mas nem parecia. O olhar perdido denunciava que a noite havia sido longa demais, cheia de pensamentos, preocupações e insônia. Tudo por conta do pai. O médico havia confirmado na noite anterior que seu pai, infelizmente, não teria condições de ir ao casamento. E aquilo o machucava de um jeito que nem ele sabia explicar. Sentado na beira da cama, ainda completamente nu, ele encarou o próprio reflexo no espelho grande do quarto. Passou as mãos pelo queixo, desceu pelo peitoral definido, pela barriga levemente marcada e parou mais embaixo, franzindo a testa. — Nossa... preciso me depilar. — comentou, meio rindo sozinho. Levantou-se e foi até o banheiro. Afinal, era noite de lua de mel, né? E, convenhamos, certas regiões precisam estar bem cuidadas para essa ocasião. Abriu o armário, pegou a lâmina nova e, enquanto passava espuma, sua cabeça automaticamente foi para ela. Alicia. Sua noiva. Sua mulher. Seu amor. Sorriu sozinho, meio malicioso, enquanto deslizava a lâmina com cuidado. — Aposto que ela tá lisinha lá embaixo... — comentou num tom safado, mordendo o lábio inferior só de imaginar. A imagem dela surgia nítida na mente: a pele macia, o cheiro doce que ele reconheceria no meio de qualquer multidão, o olhar provocante quando queria e, ao mesmo tempo, aquele jeito meigo que o fazia se apaixonar mais a cada dia. — A noite é nossa, bebê. — soltou, rindo, enquanto terminava de se depilar e voltava para debaixo da ducha. A água quente escorria pelo corpo dele, levando não só os pelos recém-raspados, mas também parte da tensão acumulada. Fechou os olhos, respirou fundo e tentou, por alguns segundos, esquecer a dor de não ter o pai presente naquele momento tão especial. Quando saiu do banho, se olhou novamente no espelho. O cabelo estava cortado na régua, bem alinhado. Pegou a toalha, secou o corpo e logo tratou de passar aquele perfume marcante, aquele que Alicia sempre dizia que amava — aquele que ela falava que tinha cheiro de "homem da vida dela". Vestiu primeiro uma regata branca, depois a camisa branca de manga longa. Pegou a calça social azul-marinho impecável, vestiu, ajeitou o cinto preto e calçou as meias e os sapatos sociais também pretos, brilhando de tão bem cuidados. Andou até a cômoda, abriu a caixinha de veludo azul e pegou o relógio. Não era qualquer relógio, era o presente do pai, dado anos atrás, quando ele conseguiu seu primeiro emprego. Naquele momento, segurá-lo fazia seu coração apertar ainda mais. Prendeu o relógio no pulso, ajeitou o paletó azul-marinho e jogou mais uma borrifada de perfume no pescoço, como quem queria se sentir mais confiante. Foi até o banheiro mais uma vez, olhou-se no grande espelho, penteou os cabelos, secou qualquer gota de água que restava e ajeitou os fios com todo cuidado. — Tá gato, Roberto. — disse, respirando fundo e forçando um sorriso. — Agora é só casar com a mulher da sua vida. Pegou a carteira, a chave do carro e, mais importante, abriu a pequena caixinha preta onde estavam as alianças. As alianças que representariam o “para sempre” deles. Saiu do apartamento, entrou no carro e seguiu em direção à igreja, o coração acelerado, uma mistura de ansiedade e tristeza ainda pelo pai, mas com a esperança de que, lá no altar, tudo faria sentido. Assim que chegou, encontrou alguns padrinhos na porta, que logo vieram abraçá-lo, sorrindo e batendo em seu ombro. — Tá nervoso, irmão? — perguntou um deles. — Você não tem ideia... — respondeu, rindo meio sem graça, passando a mão pelos cabelos novamente, como se isso o ajudasse a organizar também os pensamentos. Entrou na igreja e caminhou até o altar. A decoração estava impecável. Flores brancas, folhagens verdes, um tapete longo e vermelho se estendia do portão principal até seus pés. O cheiro de lírios tomava conta do ambiente, trazendo uma paz que contrastava com o turbilhão interno dele. Os convidados começaram a chegar, um a um. Alguns cochichavam, outros tiravam fotos discretas, enquanto as músicas suaves preenchiam o espaço. A tia de Roberto estava sentada na primeira fileira, emocionada, enxugando as lágrimas discretamente. Ela sabia o quanto aquele momento significava pro sonrinho — e o quanto ele sentia a ausência do pai. Quando todos os padrinhos já estavam posicionados, o som da marcha nupcial começou a invadir cada canto da igreja. As portas se fecharam por alguns segundos. Roberto respirou fundo. Apertou a caixinha das alianças nas mãos, como quem buscava firmeza no que estava prestes a viver. As portas então se abriram lentamente... E lá estava ela. Alicia. Simplesmente deslumbrante. O vestido branco parecia ter sido desenhado no próprio corpo dela. A saia levemente rodada deslizava pelo chão, enquanto o corpete justo realçava as curvas perfeitas que ele conhecia tão bem. As rendas desenhavam flores na transparência dos braços e no colo, deixando-a elegante, sensual e, ao mesmo tempo, angelical. O cabelo estava preso em um coque baixo, com alguns fios soltos estrategicamente caindo nas laterais do rosto. A maquiagem impecável realçava seus olhos, que brilhavam, marejados, mas carregando uma segurança que ele nunca tinha visto antes. O buquê de rosas brancas nas mãos tremia levemente, assim como os dedos que seguravam o braço do padrinho que a conduzia. Roberto sentiu o peito apertar. O nó na garganta quase não o deixou engolir. Era ela. A mulher da vida dele. A mulher que ele escolheu. Que Deus colocou em seu caminho. Que ele prometia, dali pra frente, amar, respeitar e proteger por toda a vida. Quando ela começou a caminhar pelo tapete, tudo pareceu sumir. Os convidados, o padre, o som, tudo. Só existiam eles dois. Os olhares fixos um no outro, carregando amor, desejo, promessas silenciosas e toda a certeza do mundo. Ele sorriu. Um sorriso largo, verdadeiro, cheio de amor. Ela respondeu com outro sorriso, os olhos marejados, enquanto pensava... “É... é aqui que minha vida recomeça.” E, passo a passo, ela se aproximava do altar, onde o homem que escolhera para ser seu marido a esperava, mais apaixonado do que nunca. PRA ME AJUDAR: COMENTE MUITO VOTE NO BILHETE LUNAR CLIQUE NA MINHA FOTO E SIGA MEU PERFIL INSTA: CRISFER_AUTORA
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD