A festa estava em pleno vapor quando Alicia e Roberto chegaram. Os convidados estavam radiantes, tirando fotos com seus celulares, brindando, dançando, celebrando com sorrisos largos e desejos sinceros de felicidade ao novo casal. O salão era iluminado com luzes suaves, decorado com flores brancas e folhagens, mesas redondas cobertas por toalhas de linho, tudo digno de um conto de fadas moderno.
E Alicia tentou. Tentou sorrir para as fotos, para os parentes e amigos. Tentou brindar com entusiasmo, dançar com leveza, fingir que a alegria era completa. Mas por dentro, era como se estivesse em outro lugar. Em outro tempo.
Porque em cada canto que seus olhos alcançavam, ela via João. O homem que jamais deveria estar ali, mas estava. O homem que ela jamais deveria desejar, mas desejava.
Sentia os olhos dele nela a cada passo que dava. Como se ele a tocasse com o olhar. Como se a memória daquela noite na Grécia ganhasse vida sob cada olhar cruzado no salão.
A festa continuava linda. Os convidados riam, se emocionavam com os vídeos, com as danças, com as palavras doces trocadas entre os noivos. Mas Alicia m*l conseguia se concentrar. Seu corpo inteiro queimava. Não da emoção do casamento, como deveria ser. Mas por ele. Por João. Por aquele homem que agora fazia parte da sua vida de uma forma c***l, inesperada e absolutamente proibida.
E o mais louco de tudo era que, mesmo agora, mesmo depois de selar seu amor com Roberto, mesmo tendo dito “sim” diante de Deus e de todos... ela ainda o queria.
João não era só uma lembrança carnal. Não era apenas um episódio distante e intenso. Ele estava ali, de pé, a poucos metros, com o mesmo olhar. E ela via. Via nos olhos dele que o sentimento era mútuo. Que ele também a queria.
Depois de dançar, cumprimentar os convidados e tirar fotos ao lado de Roberto com um sorriso cada vez mais mecânico, Alicia sentiu que precisava de ar. Precisava fugir dos olhares, da música, das flores, do vestido que já pesava sobre o corpo como um fardo.
Disfarçadamente, disse que iria ao banheiro. Caminhou com passos apressados pelo salão, procurando o letreiro feminino. Mas antes que pudesse fechar a porta atrás de si, uma mão firme a segurou.
Ela virou-se assustada. Era ele. João.
Sem dizer mais nada, ele a guiou por uma porta lateral, que levava ao corredor de serviço do salão. Um espaço vazio, estreito, silencioso. Somente os dois.
Ele estava tão perto que Alicia sentia sua respiração.
— É você, não é? — ele disse, com a voz baixa e rouca, como quem confirma uma suspeita há muito temida. — A moça da Grécia.
Alicia não conseguiu falar. Apenas assentiu com a cabeça, com o coração batendo tão alto que ela teve certeza de que ele podia ouvir.
João deu um passo mais próximo, o olhar intenso cravado nela.
— Eu... eu fiquei louco tentando descobrir quem você era. Seu nome, de onde vinha, qualquer coisa. — Ele parou por um instante, como se procurasse ar. — Eu me apaixonei por você sem nem saber seu nome, Alicia.
Quando ele disse seu nome, foi como mel escorrendo dos lábios dele. Era doçura. Era confissão. Era um abismo se abrindo.
Ela sentiu os olhos marejarem. Não queria ouvir aquilo. Não agora. Não ali. Mas parte dela ansiava por aquelas palavras. Parte dela precisava delas.
— Eu não sabia que ele era seu filho. — murmurou, finalmente. — Me perdoa, João.
Ele assentiu devagar, com um pesar que quase a derrubou.
— Eu sei, querida. Eu sei... — disse enquanto acariciava o braço dela com delicadeza, como se quisesse acalmá-la, como se ainda a desejasse mais do que podia admitir.
Então, ele tirou a máscara. E ali estava o rosto que ela jamais esqueceria. Os olhos que a devoraram na Grécia. Os lábios que já foram dela, por uma noite, mas eram dela. O homem que, por uma única noite, fez com que ela acreditasse em paixão à primeira vista.
Ele se inclinou, devagar, em sua direção. Ia beijá-la. Ia tomar para si algo que nunca mais deveria ser dele.
Mas Alicia recuou. Um passo atrás. Outro. E então virou-se rapidamente, voltando pela mesma porta por onde haviam saído. Nem sequer entrou no banheiro.
Com o coração em chamas e os olhos turvos, retornou para o salão como se nada tivesse acontecido. Procurou Roberto, que conversava animado com alguns amigos, e colou-se a ele, como se buscasse abrigo.
E não se afastou mais.
Fingia que tudo estava bem. Que era apenas mais uma noiva feliz entre brindes, sorrisos e danças. Mas dentro dela, a guerra havia começado. E não havia mais como fingir que aquele casamento seria simples.
Agora ela sabia o que tinha feito.
E sabia, também, que João sentia o mesmo.
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