As muralhas do Colégio das Sombras, esculpidas com runas de proteção desde os primórdios do tempo, estremeceram. Como se o tecido da realidade tivesse sido rasgado. Uma onda de energia n***a varreu os céus — não mágica, nem científica, mas algo entre os dois. Algo antigo. Algo errado.
Liora caiu de joelhos na sacada da Torre dos Ecos, agarrando o pulso onde a marca Espectral brilhava em tons vivos, oscilando entre luz e sombra. Seus olhos, por um instante, se inverteram — pupilas brancas, íris negras. O selo reagia ao sangue do multiverso.
Selene, apavorada, a amparou:
— Algo… entrou. — sussurrou. — Isso não é só uma brecha… é uma invasão.
No instante seguinte, os sinos do colégio explodiram em um som aterrorizante — o Sinal Carmesim. Um alarme que jamais havia sido ativado. Mesmo os professores mais antigos congelaram ao ouvi-lo.
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Nos salões do Conselho Interdimensional, os mais poderosos diretores e magos se reuniram em pânico. Meridius Thorne se levantou.
— A f***a foi aberta. — disse, encarando a projeção instável do véu rasgado no ar. — O Guardião Caído libertou os Vórtices de Sangue. Criaturas criadas com fragmentos de todos os mundos — mutantes, sombras, deuses e monstros... em um só corpo.
Um holograma se formou: uma criatura com três rostos — um de vampiro, um de bruxo morto, outro com a máscara do Doutor Destino — atravessava um portal, seguido por dezenas de outros, armados com tecnologia Stark e magia n***a de Azkaban.
— Eles estão vindo para Liora. — disse Zephyr Kael, surgindo atrás de Meridius. — E se ela cair em mãos erradas… não sobrará universo algum.
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No campo de treinamento da Casa Venari, Draven Myles sentiu a explosão de energia como uma lâmina em sua espinha. Seus olhos se tornaram dourados, as presas expostas.
— A caçada começou. — murmurou.
Ele desapareceu na névoa.
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O ataque começou silencioso. Um único portal se abriu sob o chão da estufa dos alquimistas. Uma sombra surgiu. Um garoto da Casa Arcana se virou para encarar… uma versão corrompida de si mesmo.
Gritos. Sangue. Runas estilhaçadas.
Os portais de sangue se multiplicaram. Criaturas com armaduras feitas de aço kryptoniano e presas de vampiros antigos invadiram os corredores. A realidade se contorcia atrás deles — como se cada portal corrompesse o tempo e o espaço.
Estudantes de todas as casas se uniram. Feitiços voaram. Lobos uivaram. Discos de energia vibranium colidiram com espadas encantadas.
Mas Liora… Liora estava presa entre mundos.
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Quando a primeira criatura tentou atacá-la, ela instintivamente estendeu as mãos — e o tempo parou.
Tudo congelou.
Liora flutuava entre dois batimentos cardíacos, dois segundos que se esticavam em eternidade. O selo em seu pulso brilhava como um sol. Atrás dela, o Véu — a barreira entre os mundos — se abriu, e milhares de memórias que não eram dela caíram como chuva.
Ela viu:
— Um castelo de gelo nos céus da Marvel. — O Salão Principal de Hogwarts coberto por névoa vermelha. — Beacon Hills em ruínas. — O trono de Asgard partido em dois. — E… ela mesma, em cada um desses mundos, lutando. Morrendo. Ressuscitando.
Então… ela gritou.
E o grito virou luz.
Uma explosão de energia espectral atravessou o colégio. Criaturas foram desintegradas. Portais colapsaram. O tempo voltou ao normal. E Liora caiu inconsciente.
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Horas depois, ela acordou em uma cama, cercada por runas de contenção e feitiços estabilizadores. Selene dormia ao seu lado, exausta. Meridius Thorne e Zephyr Kael observavam de longe, em silêncio.
— Ela usou o Dom Espectral. — sussurrou Meridius. — E sobreviveu.
Zephyr se aproximou da cama, a voz baixa:
— Quando ela gritou… eu vi minha morte. Vi todos nós, caindo. Mas também vi um mundo novo. Um mundo que ela cria. Ou destrói.
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No subterrâneo, onde a prisão dos espelhos ruía, o Guardião Caído sorriu.
— Ela começou a despertar. — sussurrou para seus asseclas. — E agora… os outros também vão sentir. Os filhos perdidos. Os marcados. Os que esqueceram seus nomes.
E ao seu lado, uma figura encapuzada — com olhos dourados, dentes afiados e voz de fogo — se curvou.
— Enviarei a próxima legião.
— Não — disse o Guardião. — Envia ela.
A figura tremeu.
— Mas… ela é a irmã.
— Justamente por isso. O caos será perfeito.
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De volta ao colégio, Liora olhava para o céu noturno, onde uma nova estrela surgia — vermelha como sangue, viva como um aviso.
Ela sussurrou, com a voz embargada:
— O que eu sou?
E o vento respondeu, com ecos de todas as realidades:
— O começo. E o fim.