Capítulo 11

714 Words
  Um silêncio pesado tomou conta da sala depois que as palavras de Claire cessaram. A expressão dela mudara sutilmente — mas de forma inequívoca. A de Serena também.   Embora ambas se recompusessem rapidamente, aquele olhar fugaz já fora capturado. Com tudo o que acontecera naquela noite, até o convidado mais desatento conseguiria juntar as peças.   Tentaram cortar Claire — afastá-la, enquanto ainda posavam de anjos. Fingir-se de vítima, vestir o manto de santa. Mas a vida não funciona assim.   O estrago estava feito. Claire não desperdiçou mais nenhuma palavra.   "Sei onde estou," disse, com clareza e calma, mas com uma resolução de aço. "Não vou ficar. Não vou responsabilizar ninguém pelo que aconteceu esta noite — considerem isso minha retribuição pelos anos em que me criaram. A partir deste momento, eu, Claire, não tenho mais nada a ver com a família Thompson."   Ela fez uma pausa, permitindo que as palavras ecoassem.   "Não se preocupem. Nunca mais usarei o nome de vocês."   Então, virou-se e saiu sem hesitar.   Nelson deu um passo à frente, por instinto —   Mas antes que pudesse se mover, Serena estendeu a mão e segurou seu braço.   "Nelson…" A voz dela era suave, carregada de lágrimas reprimidas. "Você está bravo comigo? Eu… Eu nem sei por que fiz o que fiz. Não quis machucá-la, eu juro…"   Claire hesitou no topo da escada. De relance, viu Nelson se inclinar ligeiramente, murmurando algo — suave e calmo. Reconfortante.   Ela deixou escapar um sorriso irônico. Amargamente divertida, virou-se e partiu de vez.   Fora da mansão, o ar fresco da noite esfriava o fogo que ainda ardia em seu peito.   "Ei, Srta. Thompson — espere um pouco!"   Uma voz familiar soou enquanto Alyssa se aproximava, seus saltos batendo com confiança no caminho de pedra. Parecia relaxada demais para alguém cujo nome ainda era trending na internet.   "Você se importa se eu for junto?"   Claire nem olhou. "Pode vir."   O tom dela estava calmo. Distante. Não frio — apenas distante.   Alyssa sorriu, ajustando o passo ao lado dela. "Sabe, acho que gosto de você."   Claire não respondeu. Mas também não acelerou.   Lá dentro, o clima tinha ficado opressivo.   A maioria dos convidados já havia ido embora. Apenas Serena, Elena e Nelson permaneciam. Serena estava sentada rigidamente no sofá, os olhos vermelhos de tanto chorar, as mãos se torcendo no colo.   "Nelson… você está bravo comigo?" ela perguntou, a voz pequena e trêmula. "Eu não queria… simplesmente não consegui pensar direito. Saber que ela era sua esposa — isso me bagunçou a cabeça. Eu não queria te perder de novo. Eu sei que errei. Talvez… talvez eu nem devesse ter voltado. Talvez eu devesse ter morrido por aí mesmo…"   A voz de Elena falhou enquanto ela puxava a filha para perto. "A culpa é minha," ela engasgou. "Se eu não tivesse te perdido naquela época, você não teria crescido assim. Você é tudo o que tenho agora. Por favor, Nelson… não vire as costas para ela."   Era a mesma cena de novo.   Exatamente como há três anos — quando Serena descobriu que ele ia se casar. O mesmo choro. O mesmo drama.   Nelson ficou parado, os lábios pressionados em uma linha tensa, o olhar impenetrável.   Depois de um longo momento, ele finalmente falou.   "Ela disse que vai deixar pra lá."   A voz dele estava baixa, monótona.   "Então não há necessidade de alongar isso. Só… não deixe que algo assim se repita."   Elena se apressou em defender. "A Serena está doente — ela não fez por mal."   "Eu sei," disse Nelson, calmamente. "Mas estar doente não justifica. Se algo de verdade tivesse acontecido com a Claire hoje…"   Ele parou.   O pensamento era sombrio demais para ser concluído.   Ele desviou o olhar, o maxilar tensionado.   "Já está tarde. Você devia descansar. Eu vou embora."   A voz de Serena falhou. "Você tá bravo comigo."   Ele voltou a olhar para ela. Por um longo tempo, em silêncio.   Então, balançou a cabeça.   "Eu não sou quem se machucou."   Ele fez uma pausa.   "Não cabe a mim ficar bravo."   "Concentre-se em melhorar. Tente fazer melhor. As coisas vão se ajeitar."   A voz dela ficou desesperada.   "Nelson… você disse que assim que o divórcio saísse, você se casaria comigo."   Ele parou.   Ela o encarou, os olhos arregalados, os lábios trêmulos.   "Você ainda quer isso?"
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