Capítulo 15 – Refúgio

754 Words
Nicolas passou a noite em claro. Enquanto Rayca dormia com Nina aninhada nos braços, ele caminhava de um lado para o outro na sala, a mente em ebulição. A ameaça aos pais de Rayca. O reaparecimento de Richie. A sombra constante de Villar. Era demais para ignorar. Ele sabia que precisava tomar uma decisão. Não podia mais deixar Rayca e Nina vulneráveis. Estavam em sua vida agora. E ele não permitiria que nada nem ninguém as machucasse. Quando o sol começou a nascer, ele já tinha um plano. — Você quer o quê? — Rayca arregalou os olhos, segurando a caneca de café com firmeza. — Quero que você e Nina venham morar comigo. Lá em casa vocês vão estar seguras. Tem segurança, ninguém sabe do lugar, e eu posso controlar quem entra e quem sai. Ela o olhou, incrédula. — Nicolas… isso é loucura. A gente m*l consegue ficar um dia sem brigar. E agora você quer que a gente more junto? Assim, do nada? — Não é do nada. É por segurança. É pela sua vida, pela da sua filha. Não é sobre brigar, é sobre proteger. Rayca suspirou, passando a mão pelos cabelos. — E a academia? Se eu sumir de lá, vão desconfiar. Vão pensar que estamos mesmo juntos, e isso pode te prejudicar. — Rayca, olha pra mim. — Ele segurou o rosto dela com delicadeza. — A academia, Villar, a mídia… nada disso importa mais do que você. Eu tô tentando manter minha vida inteira num jogo sujo, onde sou só uma peça. Mas você… você é a única coisa real que eu tenho. Ela sentiu o coração bater forte. Os olhos de Nico estavam mais sinceros do que nunca. Cheios de medo, mas também de amor. — E se eu disser não? — Eu insisto. Ela riu, mesmo com os olhos marejados. — Você é insuportável. — Mas você gosta, né? — Infelizmente. Naquela mesma tarde, Rayca pediu demissão. Usou a desculpa de um problema familiar grave. Yuri, o assistente de Nico, tentou argumentar, mas ela foi firme. — Preciso cuidar da minha filha. E de mim. Antes de sair, deu uma última olhada na academia. Aquele lugar tinha sido o começo de tudo. Onde viu pela primeira vez o homem que agora estava disposto a arriscar tudo por ela. Mas também era o centro do perigo. A nova casa de Nico era discreta, elegante, com muros altos e câmeras escondidas. Um refúgio silencioso longe dos holofotes. Nina correu pela sala espaçosa com um sorriso no rosto. — Mamãe! Tem até tapete fofo! Rayca não conseguia esconder o desconforto. Estava grata, mas ao mesmo tempo desconfiada. Como confiar totalmente em alguém tão acostumado a jogar conforme as regras da fama? — Você não vai me deixar de novo, né? — perguntou Nina, abraçando as pernas da mãe. — Nunca, minha flor. — Rayca respondeu, segurando o choro. Nico apareceu logo depois com três xícaras de chocolate quente. — Hora de oficializar a chegada. — Você faz chocolate? — Rayca perguntou, arqueando a sobrancelha. — Faço muita coisa. Mas esse eu pedi no delivery. Rayca riu, pela primeira vez em dias. Era estranho como aquele homem conseguia fazer isso com ela. Tirá-la do chão e, ao mesmo tempo, fazê-la sentir-se mais segura do que nunca. À noite, sentados no sofá, Rayca acariciava os cabelos de Nina enquanto Nico observava as duas em silêncio. Ele então quebrou o momento: — Rayca, você sabia que… quando eu tava na rua, o que mais me doía não era a fome, nem o frio… era não ter ninguém que me olhasse como vocês me olham agora. Ela virou o rosto pra ele, surpresa. — Como assim? — Com verdade. Com vontade de ficar, mesmo que tudo esteja desmoronando. — Nico… — Eu nunca achei que fosse sentir isso. E agora que eu sinto, não posso deixar que tirem isso de mim. Ela se aproximou, encostando a testa na dele. — Então não deixa. Ele a beijou com suavidade. Um beijo sem urgência, sem medo, apenas cheio de promessas silenciosas. Mas fora daqueles muros altos, o mundo continuava girando. E observando. Do outro lado da cidade, um carro escuro estava parado diante de um prédio antigo. Dentro, Richie folheava um envelope com fotos de Rayca, Nina… e Nicolas. — Então é com esse lutadorzinho que você está agora, Rayca? Ele sorriu de lado, jogando a foto sobre o painel. — Vamos ver até onde esse amor de novela aguenta o peso da verdade.
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