Episódio 1.
N Taylor.
Olho para cima vendo o céu azul com poucas nuvens.
Azul é a minha cor favorita, então eu gosto de olhar para o céu, lilás e azul são as cores mais bonitas que eu conheço. Todas as outras são lindas também, mas essas são as que eu prefiro.
Sim, meu nome é N. Diferente né? Eu só fico me perguntando da onde meus pais tiraram isso, acho que eles não gostavam tanto de mim, que decidiram me dar qualquer nome. E isso resultou em uma letra do alfabeto.
Estava arrumada para uma das "festas", não é bem uma festa, mas é como as freiras as chamam. É um dia onde muitas pessoas ricas vem para fazer doações para gente, então nós temos que conhece-los. Naturalmente, no fim das doações eles podem escolher uma criança para levar, o que me parece mais com uma compra, mas não é diretamente assim.
— N, a Frade está te chamando. — Me levanto indo até a sala de estar onde a frade deve estar.
— Bença. — Falo para a Frade e ela sorrir.
— Deus te abençoe minha querida. — Ela fala sorridente.
— Mandou me chama vovó? — Indago olhando para ela.
— Sim minha querida, eu queria saber se suas dores de cabeça passaram. — Assinto sorrindo.
— O padle Joseph me deu um chá que ela muito r**m, mas Melholou. — Ela sorrir apertando minhas bochechas.
— Que bom, não queria que passasse seu aniversário com dores. — Ela passa a mão na minha cabeça me fazendo carinho.
Eu também não queria estar com dor.
— Comporte-se hoje tá? — Assinto sorrindo. — Não faça nenhuma bobagem. — Ela toca meu nariz me fazendo espirrar e ela rir.
É como um botão, toda vez que ela toca meu nariz isso acontece e eu nem sei porque.
— Eu plometo me comportar. Vou cuidar dileitinho da N pra não fazer bobagens. — Rio fazendo a Frade rir também.
— Tudo bem, agora vá ajudar as outras. — Ela beija minha testa e me dá a benção para que eu saia.
Ando até o quarto onde todas dormimos e encontro as meninas se arrumando.
— N, faz uma trança em mim? — Assinto para Alíce.
Pego minha chuoeta na gaveta e me ajoelho na cama colocando ela na boca, começo a fazer a trança para minha amiga.
Eu só tenho permissão para chupar chupeta no quarto hoje, já que teremos visitas.
— Plontinho. — Depois de menos de cinco minutos eu acabo a trança e Alíce sorrir alegre.
— Meninas os visitantes chegaram, desçam já. — Uma noviça aparace no quarto fazendo todas começarem a correr.
Respiro fundo e tiro minha chupeta da boca a guardando em um pote e logo depois na gaveta.
Me viro e começo a acompanhar as meninas.
— Façam a linha de idade aqui. — A noviça fala e nós nos alinhamos.
A linha de idade, consiste da menor para maior, não de tamanho, mas sim de idade. Como eu sou a mais velha fiquei bem na ponta da linha, o que não diferencia em nada já que ninguém nunca me adota e eu irei embora logo depois de amanhã, então não tem como eu ser adotada.
A porta se abre revelando vários casais, eles comecam a admirar as garotinhas me fazendo sorrir alegre com isso.
Um homem afastado me chama atenção, ele estava sozinho, vestia um casaco grande e escuro que parecia pesado, mas ele também parecia bem forte e grande, ele estava nos observando como se estivesse analisando cada uma de nós.
Não sei porque mas senti medo dele, ele era tão grande, parecia um guarda-roupas de duas portas, e suas mãos nas luvas pareciam realmente grandes.
Seu olhar de repente para em mim me fazendo virar a cabeça no mesmo momento envergonhada.
Será que ele viu que eu estava olhando para ele?
Sinto meu corpo gelar quando vejo seus passos vindo na minha direção.
Surpreendentemente ele levanta meu queixo virando minha cabeça de um lado para o outro.
Ele que ver minhas orelhas?
Tive que ficar na ponta do pé para que ele continuasse a "analisar" meu rosto. Sinto meu rosto corar quando ele olha tão profundamente em meus olhos como se buscasse algo neles. Aquilo fez meu rosto arder, ele é extremamente bonito, seus olhos são verdadeiramente escuros e intensos para encarar assim.
— Como se chama? — Me assusto com sua voz, era grave e alta e ele fala de uma maneira tão firme.
— Eu... — Gaguejo nervosa, é assustador estar tão perto de um homem assim. — Eu sou a N. — Falo gaguejando.
Ele me puxa para mais perto fazendo eu da pequenos passos e segurar sua camiseta para levantar meus pés um pouco mais.
Ele é muito alto, ou eu sou muito baixa.
— N? Isso sem dúvidas é algo diferente. — Ele fala me soltando.
Volto ao meu tamanho normal olhando para ele.
Tiro minhas mãos de seu casaco corada quando ele olha para minhas mãos ali.
Ele tira a luva de sua mão e toca meus cabelos negros que eu deixei solto, aparentemente ele estava analisando cada pequeno pedaço meu, na frente de todo mundo. E eu estava tão envergonhada que m*l conseguia acompanhar seus movimentos.
Ele coloca suas mãos nos meus ombros e me vira de um lado para o outro olhando todo meu corpo.
Isso é tão constrangedor.
— Para uma garotinha, você tem s***s enormes. Isso é bom. — Ele fala olhando para meus p****s pensativo.
Derrepente senti meu corpo em chamas. Tapo meus s***s abaixando a cabeça completamente vermelha.
Meu deus. Mas que diabos ele está fazendo?
Ele pega minha mão me fazendo prender o ar em meus pulmões.
Suas mãos eram tão grandes e fortes, ao contrário das minhas que eram pequenas e delicadas.
Fico confusa por ele levantar tanto minha mão que acaba tirando meus pés do chão.
— Por que você é tão leve? Nesse orfanato eles não te alimentam não? — Ele indaga e me solta procurando algo em seus bolsos.
— Eu sou alimentada sim. — Falo tímida segurando minha mão que está meio dolorida por seu aperto.
Meus s***s e agora isso?
Fecho os olhos constrangida. Não sei o que ele pretende, mas é muito vergonhoso.
Me assusto quando ele derrepente passa as mãos por volta do meu pescoço e eu ouço apenas um "Click".
Sinto algo gelado em meu pescoço e toco arregalando os olhos.
Isso... É uma coleira?
Pergunto para mim mesma sem saber o que fazer.
Ele coloca um tipo de corrente em seu pescoço com uma chave de pingente brilhando.
O que isso significa? Quer dizer que eu sou um bichinho de estimação agora? Sou tipo uma cachorrinha de estimação dele?
Fico de olhos arregalados olhando para baixo com o corpo trêmulo.
Não parecia ser medo, mas as coisas estavam acontecendo tão rapidamente. Eu nem estava conseguindo acompanhar direito.
Ele levanta meu queixo novamente me fazendo olhar para ele corada.
— Me chame de Papa de agora em diante. — Ele fala e solta meu rosto. — Terá que me obedecer. Tenho seu consentimento? — Ele tenta ser calmo mas ainda sim é firme.
Assinto com a cabeça meio confusa ainda.
Eu nem sei o que "consentimento" significa.
— Quero ouvir você dizer. — Ele ordena me olhando fixamente, ele segura meu rosto novamente mas dessa vez de um jeito mais delicado.
Mesmo assim suas mãos enormes ainda deixavam meu rosto dolorido.
— Sim. — Falo nas pontas dos pés.
— Sim...? — Ele indaga esperando por algo a mais.
— Sim, papa. — Falo fazendo ele da um meio sorriso.
Cresço meus olhinhos com isso. Ixi malia, eu nunca tinha visto um sorriso tão bonito, penso completamente vermelha.
— Minha garota. — Ele beija minha testa derrepente me fazendo tocar a coleira novamente. — Você aprende rápido. — Ele fala ainda sorrindo. — Eu não poderia encontrar uma menina melhor.
Com os dedos consigo sentir que tem palavras escritas na coleira.
Baby? O que isso significa para ele?
(...)
— Abra a boca. — Ele me olha com a cabeça apoiada na mão e o cotovelo na mesa.
Me levanto da cadeira e me apoio na mesa me inclinando para ele que está do outro lado da mesa a minha frente, abro a boca corada e ele coloca o garfo na minha boca com um pouco de carne.
Me perguntando o que ele pretende com tudo isso, eu mastigo a carne com o olhar baixo, mas sei que ele está me olhando.
Remexo minha comida pensativa.
Toco novamente a coleira.
Ela é macia e confortável, mas ainda não me acostumei com ela, por isso se tornou um pouco desconfortável de usar. Mesmo assim, não acredito que ele vá tirar.
Ele pediu a Frade que pudessemos almoçar juntos, estamos em um restaurante agora, mas nossa mesa é isolada e ninguém consegue ver, assim como nós não conseguimos ver do lado de fora.
Eu sei que ele disse para eu chama-lo de papa, mas suas últimas ações não são nada parecidas com as que um pai faria.
Primeiramente...
POR QUE EU TENHO UMA COLEIRA NO PESCOÇO?
Segundamente...
Por que diabos ele falou dos meus s***s?
— Está, gostoso? — Ele indaga com sua voz grave chamando minha atenção para olha-lo.
— Eu gostei. — Murmuro olhando para ele corada. — Não costumo cume carne, papa. — Falo pelo fato das madres não oferecerem carne como alimento.
— Entendo. Soube que vai fazer dezoito amanhã. — Assinto.
— Sim. — Falo fazendo ele me olhar. — Sim, papa. — Me encolho.
— Deseja algo de aniversário? — Ele pergunta me fazendo olhar para ele.
Uma coisa que eu quero de aniversário?
Se eu falar ele vai me achar estranha?
— Eu quelo... — Abaixo minha cabeça corada. — Eu quelo um panda di pelúcia. — Ele tem agido estranho até agora, então achei que não faria m*l pedir, mesmo que ele não me dê, ainda sim eu terei tentado.
Olho para ele vendo ele me olhar em silêncio.
— Vou providenciar. — Ele fala voltando a comer sua comida.
Sorrio com isso.
— Vai me da mesmo, Papa? — Indago surpresa com um grande sorriso.
Ele olha para mim parecendo adimirar meu sorriso.
— Sim, eu não tenho o costume de mentir. — Ele fala com sua voz grave e seus olhos presos em mim.
Eu ainda não o conheço muito, mas esse jeito sério dele, é o mais normal que ele tem. Eu só o vi sorrir uma vez até agora e foi por um motivo estranho.
— obligada. — Falo voltando para minha refeição.
Sorrio animada enquanto balanço meus pés na cadeira, eu sempre quis um panda de pelúcia.
Ainda é difícil de acreditar que fui adotada nas últimas horas. Ainda não sei o propósito do Papa, mesmo ele parecendo meio assustador por seu tamanho e sua expressão séria, ele não parece querer me fazer m*l.
Parece, né!
Eu nem sou uma pessoa desconfiada.
Assim que terminamos de comer ele chama um garçom e paga a conta.
Me levanto para acompanhar ele e bocejo de sono.
Aparentemente eu não dormir direito por conta das dores ontem e ainda tinha toda aquela ansiedade para meu aniversário e a festa de hoje.
Realmente eu quero chegar em casa para dar um cochilo.
Coço meus olhos e trombo com algo. Olho para cima vendo Omar me olhando calmo.
Céus, ele parece uma parede. Essa doeu.
— Ah, discupa papa. — Falo envergonhada.
Ele estende sua mão me deixando confusa.
O que ele quer?
Olho para ele sem intender e ele me observa quieto.
— Está com sono, certo? — Ele pergunta sério.
Na verdade foi calmo, mas Omar ainda é indecifrável para mim, eu não consigo decifrar suas expressões.
— Eu tô... poquinho. — Falo com vergonha.
Será que ele acha que eu achei o almoço chato?
Me surpreendo quando ele coloca suas mãos debaixo dos meus braços e me levanta, olho para ele apavorada.
Ta bom, alto demais.
Ele me aproxima e eu agarro seu pescoço e passo minhas pernas por volta dele.
Arregalo os olhos totalmente corada.
Ele pretende me carregar assim?
— Você tem cheiro de chocolate. — Ele fala derrepente.
Escondo meu rosto completamente vermelha.
Me da um travesseiro, porque eu acho que vou desmaiar.
Ele coloca um braço por volta de mim me segurando para que eu não precise me prender nele.
Escondo meu rosto completamente corada.
Ele tem um cheiro muito bom, estar em seus braços me deu uma sensação estranha de segurança, era como se nada fosse me fazer m*l quando eu estivesse assim com ele, era... quente.
Fecho os olhos me sentindo sonolenta.
Assim que ele começou a caminhar o sono me venceu.
Quando eu acordar ele ainda estará aqui? Ou ele vai me abandonar também?