Extra I - Fontaine Family

3652 Words
Louise geralmente conseguia se manter inteiramente focada nas aulas, mas aquele dia em especial estava sendo extremamente difícil para lidar com todas as informações que seus professores jogavam para si. Seus pais tinham lhe contatado assim que a acordaram — sendo o real motivo de ter despertado antes mesmo do alarme programado —, avisando que Margot, sua irmã do meio, estava doente já há alguns dias. Era impossível que não se preocupasse com a mais nova, eram muito apegadas — apesar da grande distância de idade que tinham. Desde pequenas, cuidavam uma da outra — independente do que fosse —, incluindo a caçula, Alexia, de oito anos. O laço que criaram era inquebrável, feito sob o juramento de mindinho — o mais importante de todos —, que muitos teriam inveja. Faltando uma hora e quinze minutos de aula e dez para o intervalo de descanso que tinham, o celular da ruiva vibrou incessantemente até que finalmente ela o pegasse para ler o que tanto queriam que soubesse, ignorando os olhares de indignação dos colegas. A princípio achou ser Charlotte lhe pentelhando sobre como fazer uma planilha no excel, sendo que havia demonstrado sete vezes no decorrer da semana. A morena, apesar de ser excelente no quesito tecnologia e todas as suas variações, era péssima com o pacote office, por algum motivo. Sua surpresa foi menor que o terror que sentiu ao ser avisada que sua petit Margot tinha sido internada agora pela manhã. A raiva que rugia em seu peito por sua mãe ter mentido na cara dura por dias teve que ser engolida ao passo que recolhia seu material, da forma mais barulhenta pela pressa, e saía do campus o mais rápido que suas pernas conseguiam — as panturrilhas queimando pelo exercício inesperado. Sua mente estava decidida, iria visitar sua irmã — e família — hoje mesmo. O mundo estava à seu favor, Justin, seu amigo de turma, mandou mensagem falando que passaria os conteúdos perdidos quando ela voltasse — era terça-feira e o plano era de ficar até domingo em Beauvais, dando tempo o suficiente para Margot melhorar. Louise agradeceu depois de explicar o motivo de sua saída repentina. A pequena mala que usaria estava pronta, a ruiva insistindo em levar pelo menos dois livros da universidade para estudar no caminho e qualquer segundo que tivesse livre — mas ela sabia que isso não aconteceria se dependesse da família. Eles não estavam acostumados a ficar tantos meses longe um do outro, chamando-a sempre aos finais de semana para m***r a saudade. Entretanto, nada seria produtivo se ficasse em casa, tinha muitas distrações e, ter seu material consigo, era o mínimo que conseguia fazer para se sentir bem, como a boa estudante que ela se esforçasse para ser. — Hey, oy, onde está indo com essa pressa toda? — Charlotte perguntou ao sair do banheiro enrolada em duas toalhas. — Minha irmã está internada — disse apressada, quase correndo do quarto. — Vou para fi- — Me dê dois minutos e quarenta e cinco segundos — a morena pediu, já pegando a primeira roupa que viu, juntando mais algumas para colocar na mochila mais próxima. Louise ficou sem reação, estava em uma situação tensa, completamente sem chão, com tudo o que experenciava desde a notícia jogada de qualquer jeito, que apenas sentou na cama para esperar. Não acreditava que a amiga faria um gesto como aquele — para muita gente, ser apegada à família era bobagem — e ter a morena ao seu lado foi a cereja do bolo para desabar inesperadamente. Ela sempre tentou segurar suas emoções e parecer forte para não preocupar os outros, principalmente suas irmãs, que era difícil ter alguém ao seu lado desse jeito. Quando percebeu, as lágrimas desciam livremente e os soluços só viam em grandes quantidades sem parar. Sua sorte era que Charlotte em um piscar de olhos estava ao seu lado, acariciando seus cabelos e com o corpo da ruiva praticamente em seu colo. A Roux não sabia bem o que fazer ou falar para tranquilizar a amiga, nunca a tinha visto chorar antes, no entanto, tentou sussurrar palavras de conforto, para amenizar a dor e desespero que ela sentia. Louise se agarrou à morena, liberando toda a angústia que habitava em seu coração, ela, sem dúvidas, era o seu porto seguro. Apesar de entender que sua irmã ficaria bem, de alguma forma — ainda que internada e com auxílio preparado —, não a impedia de considerar que tudo podia dar errado de um segundo para o outro. Margot era uma menina saudável, mais do que qualquer adolescente, comendo frutas e verduras todos os dias e junkfood quase nunca era sua primeira escolha, ao contrário da caçula. E ainda que a mais velha não soubesse o motivo, a preocupação só dobrava de tamanho a cada momento. — Char, precisamos ir — sussurrou entre os poucos soluços, afastando-se do abraço caloroso da amiga e limpando o rastro das lágrimas, algumas insistindo em cair. A morena fez a decisão mais rápida da vida, vestindo qualquer roupa — o cabelo todo embaraçado e molhado —, pegando as bagagens para acompanhar a ruiva até a estação de trem de Paris. Contudo, o arrependimento da escolha que fez chegaria no primeiro espelho que encontrou no meio do caminho, o esquadrão de moda que não achassem ela por aí ou estaria no próximo episódio. Uma vez dentro do trem ao destino, Louise achou que seria mais tranquilo, mas suas pernas balançavam incessantemente e sua mente tão inquieta quanto. Se não fosse por Charlotte ali consigo, teria tido um infarto no meio do quarto vagão semi vazio. As piadas e histórias intermináveis que a morena contava eram divertidas, distraindo Lou da angústia que sentia — mesmo que por minutos, indo e voltando. Trocou mensagens com seu genitor assim que chegaram para embarcar, pedindo as informações do hospital e ainda bem que era ele quem acompanhava a irmã, a ruiva não queria causar uma cena desnecessária na frente de desconhecidos ou chatear a amiga. Dona Giselle iria brigar pela atitude impulsiva que a filha mais velha tinha tomado, abandonando as aulas só para visitar o hospital? Com certeza — querendo o sucesso da primogênita. No entanto, Louise não se importava com isso no momento. Ao finalmente chegarem, Anthony Fontaine desceu para que a filha pudesse subir o horário de visitas só começava dali três horas. O que foi especialmente estranho para Lottie, que ficou lá embaixo esperando com o pai da melhor amiga — era a primeira vez que se conheciam pessoalmente. E ela não tinha pensado nessa questão até então, porém não reclamou. — Charlotte, certo? — ele perguntou, dois minutos depois que Louise os tinha deixado ali. A morena levantou a cabeça, sentindo-se envergonhada de repente, muito ciente das escolhas de roupa que tinha escolhido na pressa mais cedo, o cabelo ainda embaraçado. — Oh, oui, senhor Fontaine. — Ela ofereceu a mão, desajeitadamente. — A amiga do cursinho e colega de quarto da Lou. — É um prazer finalmente te conhecer, ma chérie. — Ele apertou a mão estendida, sorrindo gentilmente. — Me chame de Thony, s’il vous plaît. — A honra é minha, senh- Thony. — Mudou a fala com o olhar divertido que o ruivo a observava. Ambos riram, amenizando o clima entre eles. Louise hesitou dois segundos antes de abrir a porta do quarto onde sua irmã estava, o coração batendo rapidamente novamente. Agora era a hora. Ao abaixar a maçaneta e finalmente entrar, tudo se tornou ainda mais sério — Margot dormia, seu rosto estava pálido e sereno —, o soro e medicações já fazendo o efeito que precisava. Ela caminhou até a poltrona ao lado da cama, deixando a mochila no sofá ao passar por ele e observou a pequena ressonando. Por mais que quisesse conversar com a irmã, sabia que ela precisava descansar bastante, então pegou seu livro da universidade para ler o conteúdo que perdeu da aula de hoje. Era o momento perfeito, agradecendo mentalmente pela oportunidade que achou que não teria. No entanto, não passou de dois parágrafos, pois a ruiva mais nova acordou. — Izzie? — chamou-a pelo apelido, que sempre usou desde que era um bebê, a voz sonolenta. Lou levantou a cabeça no mesmo segundo, sorrindo abertamente para a irmã, largando o livro para abraçar a irmã. — Você está me sufocando, Izzie! — Pardon, ma chérie. — Elas riram, Louise limpando uma lágrima teimosa. — Estou tão feliz de te ver bem. — Bem, não estou ainda, né. — Você entendeu. — A mais velha cutucou a barriga da mais nova, que gemeu em dor. — Desculpa. O silêncio que se instalou nos próximos segundos foi reconfortante, Margot agradecida pela irmã ter vindo vê-la e Louise por saber que o quadro dela não era tão h******l quanto imaginou em todas essas horas de agonia. — O que aconteceu? — a ruiva saudável perguntou, os olhos assustados e inchados pelo choro. — Para resumir, intoxicação alimentar — disse a menor, com as mãos na barriga. — Fui para aquela festa na casa do Elliot que te falei e, bom, tinha um sanduíche meio suspeito. Foi só chegar em casa que comecei a vomitar, ter febre e tudo mais. Ma tentou aqueles chás que a gente odeia, que só me fez piorar, aí me trouxe para cá no sábado. Os olhos verdes da mais velha se arregalaram, um sentimento de raiva subindo por seu peito, mas, com um controle absurdo, fez ir embora — depois lidaria com sua mãe pessoalmente. Naquele momento, ela não entendia o ponto de vista da mais velha, ainda que soubesse bem no fundo que Giselle Fontaine só queria o seu bem. — Elliot é aquele beau da sua sala? Margot sentiu seu rosto inteiro queimar pela vergonha, deixando mais do que claro que era o seu crush para a irmã, que segurava o riso, não querendo encabular ainda mais a mais nova. Era ótimo vê-la recuperando a cor aos poucos e, evitando perguntas constrangedoras, o assunto prosseguiu com muitas risadas. Quando o horário de visita iniciou, a ruiva mais nova já tinha almoçado — com direito a uma gelatina de uva —, tomado banho e cochilado mais um pouco. Seu pai e Charlotte subiram para verificar como as Fontaine estavam. O dia da morena de passar vergonha conhecendo a família da melhor amiga tinha finalmente chegado e ela não esperava por isso. — Papa, por que demorou tanto? — Margot questionou, um sorriso nos lábios. Seu olhar parou na segunda pessoa que se escondia parcialmente atrás do seu pai, reparando nos detalhes: sua roupa e cabelo estranhamente bagunçados e fora de moda. Ela não fazia ideia de quem poderia ser, por isso, ficou calada para observar. Margot era extremamente comunicativa com todos, ao contrário da irmã mais velha, no entanto, ali no seu quarto do hospital, sentia-se vulnerável — por mais que o rosto fosse carismático e meramente familiar. — Tive que esperar o horário de visita para subir com Charlotte, para que Louise ficasse um tempo com você. — Salut — a morena disse timidamente. Ela era outra que não tinha problemas para se comunicar, contudo, conhecer as pessoas mais importantes da sua melhor amiga não era tão fácil quanto pensava ser. Conversar com o pai delas foi difícil o suficiente sem a presença da ruiva para tranquilizá-la — dando tudo certo no final, mas o durante foi aterrorizante. Charlotte esperava que ele tivesse gostado dela, assim como as irmãs mais novas e a mãe. — Lottie? A melhor amiga da Izzie? — Em carne e osso. — A morena deu um sorriso e um aceno sem graça. — Como você está, princesse? Se não fosse pelo acesso em seu pulso e a irmã a segurando pelo ombro, Margot teria levantado correndo para a abraçar muito forte a Charlotte, no entanto, ela entendeu a intenção com a mega animação que a mais nova transmitiu naquele momento — e pela reclamação que ela fez com a ruiva mais velha. — É um prazer finalmente te conhecer pessoalmente! — gritou, soltando-se da mão da irmã. Lottie teve um dejavú, acontecendo o mesmo com o pai da amiga, quer dizer, até aquela última palavra, pois Margot fechou a expressão, ficando brava de uma hora para outra. — Então é você por quem ela me trocou, Louise não me conta mais nada desde que te conheceu. Ninguém naquele quarto esperava por isso, os três ficaram boquiabertos com a atitude da mais nova e Charlotte quis sumir imediatamente — mais do que qualquer outro  momento da sua vida embaraçosa. Ela não sabia nem como revidar aquela acusação. — Não liga, Lottie, é apenas um ciúmes exagerado — Lou disse, revirando os olhos. — Conto praticamente tudo para essa m*l agradecida. Margot olhou seriamente para a irmã, apontando silenciosamente o que tinha de errado com a frase dela. Por pura birra, ela bufou ao que voltava a se sentar corretamente na cama —  já que estava de joelhos. — Papa, pode retirar essa fille daqui, quero conversar com a Charlotte a sós. Louise revirou novamente os olhos, acostumada com o drama da mais nova e, por livre espontânea pressão, saiu do quarto para que a outra ruiva tivesse o seu momento com sua amiga, mas antes que fosse realmente, apertou o ombro da morena e piscou, tranquilizando-a. Assim que a porta se fechou atrás do seu pai, Margot deu dois tapas na cama dela, chamando Lottie para ficar muito mais perto do que aquela distância toda. Sem alternativa, o olhar sério sobre si, a morena andou lentamente até a poltrona — evitando sentar onde a ruiva queria, muito perto para qualquer tipo de agressão que pudesse ocorrer. — Estou realmente feliz em te conhecer pessoalmente, Lottie. — A pequena sorriu sinceramente, esticando a mão para que a outra alcançasse. — Esqueça o que disse minutos atrás, gosto de um drama. Charlotte não sabia que estava segurando a respiração até que soltou, aliviada. Em sua mente se passavam várias maneiras de como conquistar a irmã do meio da melhor amiga. — Você me assustou, menina. A Fontaine riu, apertando os dedos da morena carinhosamente. Seus olhos estavam marejados, ainda que o sorriso se mantivesse em seus lábios. — Izzie sempre foi muito sozinha antes de te conhecer, muitos dos colegas da escola só a usavam para trabalhos e afins. Agora com você por perto, vejo que ela está feliz de verdade. Lottie não sabia o que responder para aquela confissão, Lou nunca mencionou esse lado da história do seu passado. Sabia que não teve muitos amigos, mas nenhum e ainda por cima com pessoas interesseiras e egoístas? Era demais para a morena. — Eu que agradeço todos os dias por tê-la conhecido e me aceitado. Você vai descobrir que sou bem difícil de lidar. — Margot sorriu, entendendo bem o que ela queria dizer, ela poderia ser tão complicada de conviver quanto ouvia sobre Lottie. — Lou é tão preciosa que às vezes nem acredito que a tenho em minha vida. Os olhos se encontraram e ambas tinham os olhos marejados. Naquele momento, Charlotte prometeu silenciosamente que cuidaria para sempre da melhor amiga. Não foi preciso palavras para tal atitude, elas estavam conectadas, querendo um bem em comum. Não demorou muito para que o médico liberasse naquele mesmo dia, afinal, já tinha quatro dias que estava medicada e com um quadro de melhora. Anthony assinou o que tinha que assinar e com a ajuda das filha mais velha e a melhor amiga dela, conseguiram arrumar os pertences da Margot para saírem o quanto antes. Dona Giselle já estava impaciente em casa, com tudo preparado para as visitas. Louise estava quieta, querendo um tempo sozinha com a amiga para poder perguntar sobre o que tanto conversou com a irmã, a curiosidade lhe corroendo por dentro. No entanto, em seu íntimo, sabia que ela não contaria — Lottie era excelente com segredos. — Espero que a ma tenha feito aqueles cookies que sempre faz — Margot confessou seu desejo, desejando um doce que quase nunca comia logo após melhorar de uma intoxicação alimentar. — Posso te contar um segredo? — perguntou a morena, baixinho. A ruiva menor assentiu, sorrindo de leve. — Por você ter acabado de sair do hospital, esse é o tipo de comida que deve evitar nos próximos dias. — Merde, não se pode fazer nada de bom nessa vida. — Olha a boca, Margot! — seu pai a repreendeu, olhando-a pelo retrovisor do carro. A pequena revirou os olhos, voltando a olhar pela janela. Lottie riu da menina, observando a amiga calada no banco de passageiro. Apesar dos meses morando juntas e o ano sendo sua colega de sala no cursinho, essas reações eram novas para si, não sabendo como reagir com ela. Era um fato que queria ajudar, porém, como? A morena pegou seu celular, abrindo o aplicativo de mensagens para a conversa fixada no topo. why so serious?, digitou. Nenhuma resposta chegou, Lou estava muito entretida em seus pensamentos. ouvi falar que vai ter cookies, isso sempre te anima, enviou. Após cinco minutos de espera, Lottie desistiu de tentar uma comunicação na viagem até sua casa, deixando a amiga ter o seu espaço. Ao chegarem, Alexia, a caçula da família os esperava na garagem fechada, conhecendo o pai do jeito que conhecia — ele sempre estacionava ali. O sorriso em seu rosto era maior do que suas bochechas comportavam, pulando no lugar várias vezes até que Louise saísse do carro para abraçá-la com força de um urso pequeno. A ruiva mais velha riu da afobação da irmã, apertando-a entre os braços como podia pela posição. Margot logo se juntou a elas, bagunçando o cabelo da caçula — fazendo jus ao laço que compartilhavam. — Lexi, quero que conheça alguém — disse Lou, assim que se separaram. A ruiva menor arregalou os olhos, esperando a irmã dar a volta no carro, não fazendo ideia de quem poderia ser. Um namorado, talvez? Ela teria avisado antes, certo? Quando a mais velha apareceu com uma morena, Alexia de cara soube quem era. — Lottie! — gritou, pulando nos braços da melhor amiga da irmã. — Como é bom finalmente te conhecer pessoalmente! Charlotte riu, abraçando a Fontaine menor, achando graça da animação dela. A sensação foi totalmente diferente de conhecer Margot, que a assustou na primeira oportunidade — ainda que fosse tão doce quanto imaginou. — É um prazer, ma chérie — disse carinhosa, dando um beijo na bochecha rosada dela. Todos ali riram do momento, a mais nova sendo tão amorosa com todo mundo, principalmente com aqueles que a família levava para casa. — Ma está ansiosa com a chegada de vocês, fez um monte de comidas deliciosas — disse, puxando a mão da morena para entrarem logo. — Bom, menos para Gottie, por motivos óbvios. Mas não se preocupe, irmã, eu como por você. — Que grande sacrifício — Ela revirou os olhos, sendo irônica. Charlotte não imaginou que ficaria tão nervosa ao conhecer a mãe da melhor amiga. O pai e as irmãs foram fichinhas perto da imagem poderosa que era Dona Giselle. Assim que entrou na cozinha quentinha da casa dos Fontaine, ouviu a matriarca praticamente gritar com as filhas, inclusive Louise. Por esse motivo, a Roux ficou bem escondida atrás do Anthony, esperando não ser vista nem tão cedo. — Alexia, eu te falei para não sair na friagem. Quer ficar internada igual sua irmã? Margot, mais juízo nas festas que você for, isso serve de lição. Na verdade, seu pai e eu conversamos e é melhor nem ir, se for para quase morrer. E Louise, o que deu nessa sua cabeça universitária de perder aula para visitar sua irmã que já estava bem? Olha, sinceramente, vocês só me dão trabalho. As meninas nem tentaram retrucar a mãe, sabendo que não faria a menor diferença. Elas reviraram os olhos em conjunto, sentando-se à mesa para comer as delícias que Dona Giselle tinha preparado especialmente para elas. Louise procurou a amiga, rindo por ela estar se escondendo da fúria generalizada da mãe. — E você, Anthony, devia cuidar melhor das meninas. Me avisar da chegada da Izzie assim que a encontrou no hospital. Aposto que não queria que eu brigasse com ela, mas sua hora vai chegar, minha querida, esp- Oh, mon Dieu! A matriarca parou o seu discurso quando viu a morena parada com os olhos arregalados para si. A expressão de mãe dando sermão nas filhas se transformou para uma amorosa, atravessando o espaço entre elas para abraçar Charlotte. — Ma chérie, me desculpe por isso — disse, um pouco envergonhada. — Venha sentar, por favor, estão quentinhos. Lottie não sabia mais o que pensar, um pouco aterrorizada pela primeira impressão que teve da mãe da melhor amiga. No entanto, os próximos minutos foram de total carinho e prazer pela comida maravilhosa que ela tinha feito. Tinha meses que não comia nada além de comida industrializada — ainda estava aprendendo a fazer alguns pratos e Lou não sabia cozinhar direito. Apesar do medo que sentiu ao conhecer a família Fontaine, sentiu-se totalmente em casa. E Lou tinha seu coração mais calmo do que já foi algum dia, suas irmãs estavam bem, seus pais como sempre foram — acolhendo sua melhor amiga como se fosse filha deles. Os dias que passariam ali seriam os melhores, as férias improvisadas da qual precisavam. E os segredos entre Margot e Lottie cresceriam conforme os dias se passariam, deixando Louise intrigada e enciumada, afinal, era sua melhor amiga, não dela. No entanto, a ruiva mais velha ainda sentiria seu coração quentinho com toda a interação. Era mais do que podia pedir.
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