Week 1 - Talking to him

4788 Words
A segunda-feira chegou antes mesmo que a dupla no dormitório 12 tivesse a oportunidade de relaxar devidamente — planejando o que iriam fazer com a primeira tarefa. Conversar com Pierre deveria trazer certa tranquilidade, o conheciam há bastante tempo para isso — ainda que ele fosse fechado para muitas pessoas. A ideia principal era ser assuntos leves e divertidos, mas o que chamaria a atenção de um jovem adulto tão sério? As amigas não tinham a menor sugestão para isso. Obviamente que Louise, sensata e objetiva, já tinha pensado em dois pontos a serem usados no seu dia, ficando na linha segura de uma boa conversa sem ser intrometida ou chata demais. Charlotte que estava passando por algumas dificuldades de encontrar o que mais lhe ajudaria para os próximos desafios. O primeiro sempre importaria mais do que os outros, era a oportunidade única de se mostrar interessante ou ser entediante pelo resto da vida e do mundo — as pessoas compartilhavam esse tipo de informação com os amigos mais próximos, os colegas, todos. — Lou, s'il te plaît! — implorou a morena, chegando sorrateiramente atrás da ruiva, mexendo no cabelo comprido da amiga. — Me ajuda! — Isso não é contra as regras? — indagou, ignorando completamente a bagunça que as mãos habilidosas nos seus fios. Lottie parou, tentando lembrar o que tinham decidido que não deviam fazer, mas nada sobre trocarem ideias de como completar os desafios apareceu, então ela sorriu maquiavélica, terminando o coque bem no alto da cabeça da ruiva. — Não colocamos absolutamen- — Não tem mistério, ma bichette, pense em um assunto que você goste e aí coloca na balança se seria muito estranho ou não. — Charlotte sentou ao seu lado, olhando-a com uma sobrancelha erguida, como se não tivesse entendido a insinuação. — Se pergunte se eu entraria nela. A morena não teve tempo de se sentir ofendida, pois seu cérebro passou a trabalhar em dobro em busca de tópicos que sua melhor amiga gostaria — por motivos mais do claros, não eram todos. Isso só mostrava o quão especial a Roux era por tê-la ao seu lado, auxiliando-a até a conquistar o mesmo crush. Ela podia muito bem ter dado uma informação errada para que tivesse maiores chances com Pierre, contudo, a amizade que cultivavam dizia muito sobre ambas. Charlotte confiava tanto na ruiva a ponto de pedir uma luz enquanto Louise foi extremamente sincera sobre o que a morena podia abordar. Lottie sabia que Lou e Renaud eram mais cultos — nerds — do que qualquer outros amigos que tinham, facilitando bastante no que poderia usar. Por esse motivo, a morena estava muito concentrada, fazendo a careta que sempre se expressava quando seus divertidamentes estavam trabalhando ferozmente por uma resposta, momento em que a ruiva apreciava mais do que tudo. — Cuidado ou vai explodir de tanto pensar — brincou a amiga, rindo suavemente da língua que a morena lhe deu pela alfinetada. Como sempre, Louise já tinha praticamente tudo arquitetado, precisava apenas que o moreno seguisse o roteiro que fez mentalmente. Ela sabia que seria quase impossível disso acontecer, porém, continuava com o pensamento positivo que daria certo com a primeira opção, caso não, tinha uma carta na manga. A primeira e última aula da tarde estava acabando, no entanto, ela já tinha desistido de tentar prestar atenção há quarenta minutos atrás, conversando com Lottie pelo aplicativo. Louise estava muito nervosa apenas por ter que marcar um dia com o Renaud para a conversa deles por mensagem e a morena tentava tranquilizá-la, dizendo que daria tudo certo. Ele já estava ciente do que aconteceria, não teria problema nenhum contactá-lo agora. A Fontaine respirou fundo, os olhos fechados e o celular em mãos, apertando fortemente enquanto pedia ao bom Dieu para que lhe desse coragem. Justin, que sentava próximo a si, achou estranho, cutucando-a com o dedo indicador, assustando-a de leve. — Está tudo bem? — perguntou, preocupado. A ruiva assentiu com a cabeça algumas vezes, sorrindo de graça. Deu de ombros, apontando para o celular. O amigo não entendeu nada, mas exibiu seus dentes tortos, porém, charmosos, voltando a prestar atenção na professora na frente da sala. Após passar vergonha com aqueles em volta dela, clicou no ícone do Pierre no aplicativo, digitando o que precisava — sem pensar muito sobre o que fazia ou desistiria. Charlotte saía da sua aula, sorridente e cantalorante. Tinha tido a ideia perfeita de conversa com o crush, não vendo a hora de encontrar com Louise para contar o assunto perfeito que encontrou. Ela sentou na fonte que tinha entre os blocos B, C e D — o local onde esperavam uma a outra antes de irem para o dormitório —, passavam mais tempo ali do nas salas quando estavam no campus. Tinha passado boa parte trocando mensagens com a ruiva durante a tarde e era como se não tivessem se visto ou falado por dias. Lottie sabia que a amiga tinha mandado mensagem para Pierre, conhecia a ruiva mais do que a si mesma — ele só não tinha respondido ainda, lembrando do comentário que fez durante o cursinho do qual odiava tecnologia. A morena tinha seus fones conectados, escutando sua playlist favorita enquanto observava os estudantes andando de um lado para o outro dos blocos. Alguns indo para as aulas tarde, para biblioteca estudar para as provas ou indo para casa, como ela e a amiga fariam daqui a pouco. A Roux estava na esperança de convencer a ruiva a jantarem fora, não tinha nada pronto no dormitório e não se sentia tão bem para cozinhar algo. Estava animada, no entanto, queria algo rápido e, de preferência, que ela não tenha que fazer. Mas a morena conhecia a amiga que tinha e muito provavelmente pediria algo caseiro. — Terra chamando Charlotte — a voz da ruiva a despertou mesmo por cima do barulho da música, que nem estava tão alta. — Demorei? — Uma vida — exagerou a morena, jogando o celular na mochila para enganchar o braço no da amiga. — Você me deve um jantar por isso. Louise gargalhou alto, deixando a cabeça cair para trás enquanto praticamente arrastava a morena, já que ela jogava seu peso nela. A ruiva poderia muito bem ignorar a exigência feita, mas estava muito cansada mentalmente para exigir qualquer outra coisa, uma comida pronta e rápida era tudo o que precisava. Assim que chegaram no restaurante mais próximo, fizeram seus pedidos e já prontas para abocanhar o melhor hambúrguer que tinha ali perto do dormitório, o silêncio se seguiu conforme se deliciavam da janta. Geralmente elas comeriam e conversariam, mas hoje a fome estava maior que a vontade de conversar. Quer dizer, Lottie tinha o contar, contudo, esperar mais alguns minutos não mataria ninguém. Foi quando começaram a dividir as batatas que voltaram ao normal, as almas retornando ao corpo como devia ser. Lottie colocava religiosamente o ketchup em cada uma e Louise se contentando com o sal perfeitamente colocado — achando frescura da amiga fazer uma por uma ao invés de usar todo molho em ponto no guardanapo e usar dali. — Eu sei que você está me julgando — a morena falou, com os olhos semicerrados. Louise gargalhou novamente, jogando uma batata na amiga, que desviou, devolvendo o gesto, mas ela não conseguiu desviar porque a mira foi diretamente no seu nariz. — Mais um pouco e você pegava com a boca — Lottie apontou, erguendo a sobrancelha para a ruiva. — Iria ser legal. — Podemos tentar quando não tivermos em público, pois sou uma negação com coordenação motora, sabe disso. Os olhos azuis da morena brilharam em expectativa, já planejando um dia para realmente tentarem depois. Louise viu as engrenagens funcionando mais uma vez, sabendo que não era só por isso que estava pensativa. Esperou alguns minutos para começar o interrogatório. — Como foram suas aulas? — perguntou a ruiva, as esmeraldas carinhosas. Charlotte parou de comer, analisando o rosto da amiga, parecendo preocupada. Antes de encontrá-la na fonte estava decidida a contar a ideia genial que teve, contudo, agora sentia-se estranhamente tímida e insegura. E se não fosse boa? — Ah, você sabe... — começou, dando de ombros. — Totalmente chatas e intermináveis. — As minhas também. — Louise riu, fazendo com que a morena risse junto. Ela sabia que a ruiva amava assistir suas aulas, era uma estudante exemplar. — Conseguiu mandar a mensagem? — questionou, tentando desviar o foco do que queria falar. Louise corou, um gesto extremamente fofo, Charlotte não admitiria nem tão cedo — ou talvez sim, mais para frente. A ruiva voltou a comer as batatas, dessa vez arriscando colocar ketchup nas pontas das que tinham em sua mão. — Ele respondeu — comentou, ficando ainda mais vermelha com a confissão. — Conversaremos na quarta-feira na hora do almoço. — Estou tão orgulhosa, ma bichette — a morena disse, o sorriso tão grande nos lábios que as bochechas ficando infladas, a gengiva aparecendo. — Está nervosa? Já pensou no que vestir? — Mon Dieu, Charlotte! — repreendeu a outra, encabulada. — Agora estou, não tinha pensado nisso ainda. — Relaxa, eu te ajudo. — Lottie piscou, fazendo um carinho na mão esticada da amiga no meio da mesa. — Não sei se isso é para me tranquilizar ou não. — Meu senso de moda é esplêndido. — Diz a mulher que saiu igual um palhaço quando conheceu minha família pela primeira vez. — Aquilo foi uma emergência! — gritou, chamando a atenção do pessoal em volta. — Como ousa usar esse episódio contra mim? Achei que tínhamos conversado sobre isso. Louise fez uma careta ao tentar segurar a risada, pedindo desculpas entre uma tosse e outra. Foi a vez da morena corar dessa vez, evitando olhar para a amiga. — Pardon, Char — pediu, segurando a mão perto da batata com as duas mãos. Dessa forma, Lottie olhou para a ruiva e ficaram alguns segundos em silêncio, apreciando a conexão que compartilhavam. Roux revirou os olhos no final, recolhendo as mãos, desse jeito, Louise sabia que tinha sido perdoada e que a morena não estava realmente brava. — Estou pensando em marcar o dia com o Pierre — disse Charlotte, despretensiosamente. Lou ergueu as sobrancelhas, instigando-a a continuar. — Pensei no assunto perfeito. — Um sorriso tímido desenhando seus lábios. — Me conta. Charlotte colocou uma mecha do cabelo para trás, pegando a mania da amiga para si quando se sentia muito encabulada. Ela mordeu a boca, evitando olhar para a ruiva, que a observava atentamente. — Você vai achar bobo — confessou, comendo mais batatas. — Claro que não! A morena a encarou, o lábio preso novamente pelos dentes. Não tinha porque se sentir assim, era Louise, sua melhor amiga e, com certeza, não acharia loucura falar sobre aquilo, Lottie pensou seriamente sobre a dica que tinha recebido mais cedo — não tinha erro. Quarta-feira chegou tão rápido quanto poderia. Ainda era madrugada e a dupla do dormitório 12 estava acordada, planejando o look perfeito para o primeiro encontro do desafio. Os sites diziam que seria um dia ensolarado, mas com vento — o clima normal da França naquela estação. — Lottie, eu não vou com esse short de couro e um cropped. — Por que não? Está lindo! — Primeiro que tenho duas aulas antes de encontrar com Pierre — apontou, virando de um lado para o outro no espelho do quarto que dividiam para se olhar. — Segundo que iremos para qualquer lanchonete e não para um bar! — Você precisa ver as meninas da minha sala, então. Louise a olhou com sobrancelhas erguidas, claramente pedindo outra roupa. Charlotte, com as mãos para cima em rendição, ofereceu o conjunto número cinco. A ruiva já tinha testado um vestido tubinho rosa shock, muito lindo, mas demais para um encontro simples; um vestido longo e florido, totalmente nada o estilo da Fontaine; short jeans rasgado com uma meia calça quadriculada e um moletom preto, bem badass, no entanto, nada a ver com a ocasião e esse último. As opções da morena estavam acabando, até parecia que ela não conhecia nada da amiga. Porém, Lottie devia ter deixado o perfeitamente a sua cara para o final. A Roux segurava uma saia rodada roxa pastel com uma blusa branca soltinha e nos pés, uma sandália estilo bailarina que tinha a presenteado no ano passado. — Mon Dieu! — exclamou, os olhos marejados. Tinha se identificado com o conjunto a ponto de quase chorar de emoção. — Devia ter mostrado esse primeiro. — E qual seria a graça de ver você provando minhas ideias loucas? Louise tentou fazer uma careta brava, porém, sem sucesso. Ela sorriu e pulou na amiga, caindo na cama desorganizada. Por mais clichê que fosse, a ruiva encheu a outra de cócegas — torturando-a pelo tempo quase que igual ao que ela a tinha feito passar com as roupas. Após ter esse problema resolvido, já eram quase cinco e meia da manhã, perto do horário que a ruiva levantava para se arrumar, então ela acelerou para tomar um banho caprichado enquanto Lottie arrumava a bagunça que tinha feito com as roupas. A morena também preparou um café rápido para que ela não saísse sem comer nada, cortando algumas frutas que tinha na fruteira e um café com leite, sua religião. Louise também convenceu a amiga a fazer um penteado fofo em seu cabelo lavado, deixando-a mais linda do que já era. Uma simples trança raiz completou o conjunto perfeito que tinham escolhido, além da make bem clarinha. A ruiva era simplesmente uma deusa sem se arrumar tanto, mas quando fazia, era para m***r qualquer um do coração. Lottie era a prova viva dessa opinião. — Louise! — Pierre a chamou assim que a viu saindo do bloco E, acenando com uma mão. A ruiva sorriu, ajeitando uma mecha propositalmente solta atrás da sua orelha, andando até ele. O sol acima estava radiante, mas não tão quente quanto parecia, deixando o clima agradável para todos os estudantes. — Pierre, achei que te encontraria na fonte. — Acabei de passar por lá e está cheia, foi melhor vir te buscar. — Ele riu sem graça, uma mão na nuca. — Está bem? — Sim, muito e você? — Fontaine sentia suas bochechas queimarem pelo o que tinha ouvido, tendo certeza que ele era um príncipe. Pierre assentiu lentamente, finalmente reparando em como ela estava vestida. Ele corou, desviando o olhar para qualquer outro lugar, indicando o caminho com a cabeça. Eles seguiram em silêncio até a pequena doceria que tinha para aquele lado do campus, poucos conhecendo-a. Aliás, quem o mostrou foi Thomas na segunda-feira, clamando ter caminhado por aquele lugar inteiro em poucos dias. — Então... — começou, alguns passos depois. — Posso saber qual é o desafio dessa semana? — Acho que já pode, sim — ela disse, ainda envergonhada. — Uma conversa. Pierre a olhou com uma sobrancelha erguida, descrente do quão simples era. Devia esperar isso de todas as outras semanas? — É apenas o primeiro desafio — se defendeu, devolvendo o olhar. Eles riram, mantendo uma conversa suave durante o caminho até o destino. Tudo fluía tão naturalmente que nem parecia um primeiro encontro. Louise não ficava vermelha com facilidade, perdendo a timidez conforme ele se abria para ela. Quando chegaram ao local, a ruiva ficou admirada. A doceria era pequena e simples, mas bem decorada com detalhes minimalistas e aconchegantes. Eles escolheram uma mesa na parte de dentro apenas pelo ar condicionado que eles disponibilizavam. A variedade de doces era imensa, porém Pierre optou pela clássica bomba de chocolate e Louise, o creme brûlèe e enquanto esperavam, voltaram a conversar. — Tem algum tema específico que temos que dissertar sobre ou é livre? — Renaud perguntou, mexendo no guardanapo em cima da mesa. A ruiva riu, achando divertido o modo como ele falava. — Bom, pensei em algumas opções, mas você pode escolher. Eles se encararam, ambos com sorrisos nos lábios. A naturalidade era tamanha que Louise sentia-se em casa. Nem fazia sentido o medo que sentiu antes de chegar ali. Pierre deixou com que a ruiva liderasse a conversa, deixando-a à vontade para escolher o que preferisse. — Se você se sentir desconfortável com o assunto, por favor, sinalize e trocamos. — Por favor. — O moreno lhe deu liberdade, seu olhar transmitia segurança. — O que te motivou a fazer fisioterapia? — Começou com a pergunta mais difícil que tinha, vendo o crush erguer as sobrancelhas como se estivesse concentrado. — Não tenho uma resposta boa o suficiente. — Estamos entre amigos, não tem certo ou errado. Eles se encararam, Pierre levando essa motivação bem mais a sério do que qualquer faria. — Minha família inteira é da advocacia e eu só quis fugir disso — disse pensativo, apoiando o queixo na mão que estava apoiada na mesa pelo cotovelo. — Fisioterapia foi o primeiro curso que vi, me parecendo bom o bastante para irritar meus pais. Louise arregalou os olhos, sentindo a tristeza que devia ter sido sua infância e adolescência até poder finalmente decidir por si mesmo. Ela não tinha passado por isso, seus pais sempre estiveram ao seu lado em qualquer decisão que tenha feito. — Não precisa se sentir m*l por isso. — Ele sorriu sinceramente. — Hoje, mesmo com apenas um semestre, me vejo apaixonado pela profissão. Posso ajudar aqueles com sonhos que foram destruídos por lesões permanentes ou não. É gratificante. A ruiva sentiu seus olhos marejarem com confissão. Ela entendeu que no início foi para irritar aqueles que deveriam apoiá-lo ao máximo e incondicionalmente, no entanto, sua motivação tinha mudado completamente, deixando-o feliz no processo — era o que importava. — Fico feliz em ouvir esse lado. — Ela tocou a outra mão dele, que também estava apoiada na mesa. — Não importa como começou e sim como te faz sentir agora. Pierre virou a mão, palma com palma, aproveitando para apertar os dedos dela gentilmente, realmente feliz com o apoio e palavras de encorajamento — melhor ainda, sem julgamento nenhum. — E você? — Bom, tenho alguns cursos profissionalizantes em massoterapia — disse calmamente, mexendo na trança em seu ombro. — Estou fazendo o curso apenas para me qualificar ainda mais, o diploma faz toda a diferença. — Como escolheu? Louise pensou por alguns segundos, não sabendo de onde tinha vindo a vontade de seguir essa linha, dando tempo para os doces chegarem, pausando a conversa por vários minutos. Foi o tempo suficiente para que a ruiva conseguisse achar o seu item motivador. — Quando eu era pequena, meu pai me dava dois euros para que eu massageasse suas costas. Depois me pagava cinco euros para que subisse em suas costas para soltar os nós de tensão na coluna — confessou ela, mordiscando a ponta da colher enquanto divagava pelas lembranças. — Acho que peguei gosto por essa arte com ele, consegui comprar várias coisas com o dinheiro que consegui quando criança. Pierre riu com o final, acenando positivamente. Era um bom estímulo para qualquer área que fosse, além de divertido. — Creio que tivemos boas... ajudas. Louise o encarou, sorrindo abertamente com o ar positivo que ele manteve após sua confissão. Ela teve medo de estragar tudo com o assunto que tinha escolhido, contudo, ele sorria abertamente. Com certeza foi um encontro de sucesso. Charlotte tentou esperar acordada a chegada da melhor amiga, mas teve aulas extremamente cansativas e tudo o que fez quando chegou em casa no meio da tarde foi tomar um banho rápido para capotar em sua cama logo em seguida. Não eram nem seis da tarde quando Louise chegou sorrindo para o nada, estava tão feliz com o dia que teve que nem ligou pelas aulas que m*l prestou atenção, de novo. Isso estava se tornando um hábito r**m que não queria mais carregar. Viu o dormitório todo escuro, imaginando se a amiga tinha chegado ou não, no entanto, teve sua resposta assim que chegou ao quarto, vendo-a desmaiada de sono. O quarto não estava muito frio, mas cobriu a morena mesmo assim, sabendo o quanto ele o tirava durante a noite. Silenciosamente, tomou banho, trocou de roupa, tirou a maquiagem e buscou um copo com água para tomar antes de deitar também. Com as memórias ainda frescas na mente, tinha medo de não conseguir pegar no sono de tanta felicidade que sentia. Contudo, foi apenas encostar os cabelos no travesseiro que seus olhos pesaram, levando-a para os sonhos mais leves que teve em anos. — Eu não acredito que não me acordou assim que chegou — brigou a morena, andando rapidamente para a grande fila que tinha na frente do xerox. Tinha três trabalhos para imprimir e já estava bastante atrasada. — Você estava cansada, ma bichette — tentou se defender, os passos apressados atrás da amiga. — Não acredito que está brava comigo por isso! Charlotte não respondeu, batendo o pé de irritação pela demora. Ela não estava realmente brava com a ruiva, mas queria muito ter conversado com ela ontem. Esteve ansiosa o dia inteiro, desejando o melhor para aquele encontro. — Olha, quando chegar da aula, falarei tudo o que quiser ouvir e ainda escolheremos a sua roupa, que tal? A morena sorriu pelo cuidado que a amiga ainda tinha consigo mesmo sendo um pouco rancorosa com ela. Lottie abraçou a ruiva fortemente, deixando um beijo nas duas bochechas dela. Com essa atitude, Louise soube que estava tudo bem entre elas e foi para o seu bloco. Dessa vez, quando se reuniram para conversar e decidir o próximo look, não era madrugada — o que ambas agradeceram mentalmente, não eram mais adolescentes que conseguiam virar a noite e ficava tudo bem. Conseguiram aguentar até comerem algo e tomarem banho, para depois apenas dormirem em paz os dois dias acumulados que tiveram. — Me conta tudo! — Lottie soletrou a última palavra, enfatizando que não deixasse nada de fora. No entanto, Louise não tinha certeza se podia contar aqueles detalhes pessoais da vida do crush para a melhor amiga. Claro que ela sabia que Charlotte não contaria para ninguém, muito menos pro próprio Pierre, mas ainda assim. — Ele foi um doce em todos os momentos, sério! Estou encantada — a ruiva disse com as mãos nas bochechas, sonhadora. — Tenho certeza que ele será com você também. Lottie entendeu ali que tinha certas coisas que não contaria por ser muito pessoal, deveria conseguir sozinha em seu encontro com ele — fez uma nota mental para se lembrar disso no dia seguinte. Louise, então, lhe contou o restante, abrindo-se com a amiga sobre sua escolha de curso, que já sabia, mas era sempre bom ouvir memórias felizes que ela teve com a família. O passo seguinte foi escolher a roupa ideal que usaria, deixando nas mãos de Louise, que se vingou do tanto de look s*******o que a fizera vestir. Enquanto a ruiva tinha o estilo mais meigo e formal, Charlotte era a emo/gótica da dupla. Ela usava muito couro, roupas rasgadas e preto para todo lado. E como o encontro seria à noite em uma lanchonete, deveria ser algo casual, mas não tão simples — muitos franceses estariam na rua esse horário, indo ao bar e afins, pedindo que ela se vestisse melhor. No entanto, isso era coisa da cabeça da morena, não fazendo o menor sentido. Lou a fez provar um vestido florido; um short de cetim de cintura alta com um top branco e macacão jeans comprido. Quando Charlotte finalmente percebeu o que ela fazia, pulou nas costas da ruiva, bagunçando seu cabelo. — Me sinto vingada — Louise disse aos fôlegos, arrumando os fios desalinhados e um pouco embaraçados. — Que coisa f**a, Fontaine — resmungou a morena, também recuperando a respiração, que estava acelerada. — O que vou usar? — Como você é toda rockeira e gótica, pensei nesse short jeans, meia calça arrastão e essa blusa da sua banda preferida. Os olhos da Charlotte brilharam com o carinho com que a melhor amiga tinha pensado em si, vestir um amuleto do Queen daria todo um novo significado para aquele encontro — estaria abençoado, com certeza. — J’e t’aime — Lottie sussurrou para a ruiva, que a abraçou de lado, deixando a morena lhe beijar as bochechas várias vezes. Era um contato normal entre elas, Charlotte podia ser bem grudenta quando queria e Louise se acostumou a isso, aprendendo a amar qualquer contato que fosse da melhor amiga. Contudo, como estavam muito próximas, rindo e um pouco distraídas com as movimentações dos seus rostos, Lottie acidentalmente tocou seus lábios aos da ruiva, desconcertando-as. Na sexta-feira pela manhã, Lottie levantou muito cedo para se arrumar, evitando acordar a ruiva em seu dia de folga. Hoje era o bendito dia em que a morena caía da cama para assistir às suas aulas. Após o selinho que trocaram na noite anterior, ambas ficaram sem graça, contudo, não tocaram no assunto, voltando a falar sobre a roupa e o encontro que teria dali algumas horas. Lottie estava nervosa, ansiosa, mas não sabia se era pelo o ocorrido de ontem ou para o que enfrentaria mais tarde. O dia em si passou como um borrão, m*l estando presente ao que acontecia ao seu redor. Trocou mensagens encorajadoras com a melhor amiga, sendo mais fácil lidar com ela por ali do que pessoalmente. E tentando se acalmar durante a tarde até o encontro, tomou uns quatro milkshakes de abacaxi — não tomou café ou almoço, sobrevivendo ao doce gelado. Charlotte estava tão distraída que m*l ouviu alguém lhe chamando — Pierre acenava e gritava a alguns passos atrás de si. Quando se deu conta, sorriu constrangida, andando até ele. — Pardon, Pierre, estava em outro mundo. — Está tudo bem? — perguntou preocupado, vasculhando seu rosto com os olhos afiados. — Se quiser, podemos remarcar... — Deixou no ar, mas Lottie negou com a cabeça, puxando pela mão até a lanchonete que tinham combinado. O moreno riu com o comportamento dela, deixando-se levar para onde quer que ela o levasse. Era um pouco diferente da Louise, um pouco mais delicada — não que Charlotte não fosse, apenas mostrando mais atitude, ainda inconscientemente. Ao chegarem, o local estava menos cheio do que esperaram, por ser sexta-feira à noite. Eles acharam ótimo, ter que conversar gritando era a pior coisa do mundo e Pierre odiava multidão. Depois de escolherem o que comer e beber, ficaram se encarando por alguns segundos, Lottie ficando calma apenas com o olhar carinhoso que ele tinha sobre si. — Desculpa por isso — pediu, abaixando o rosto, brincando com seus dedos por baixo da mesa. — O quê? — Eles se olharam novamente e, juntos, gargalharam da situação. — Por minha loucura, às vezes não consigo controlar — se desculpou de brincadeira, um sorriso travesso nos lábios. — Devo mostrar a minha, então? Assim ficamos quites. — É um bom plano — ela concordou, parando de mexer nos dedos, muito mais calma. — O que devemos conversar hoje? — A Lou me aconselhou a escolher com calma, algo que não fosse doido — confessou, ficando vermelha por ser sincera. — E qual foi a conclusão? — Por favor, não fuja — pediu, olhando-o seriamente. — Não vou. — Pierre estendeu o dedo mindinho para que ela selasse a promessa. Eles ainda se encararam por alguns segundos, as mãos ainda conectadas com o juramento. E com um sorriso de lado, disse: — Quantos filhos deseja ter? Pierre arregalou os olhos de leve, Lottie m*l percebeu a mudança. Então ele piscou duas vezes, pensando pela primeira vez no assunto. — Acho que dois. — É um bom número, assim o primeiro não fica sozinho, terá sempre uma companhia. — Eles finalmente soltaram os dedos, mas os olhos não se desviavam um do outro. — Sem contar que dar a luz a duas crianças é melhor do que três ou mais. Renaud não conseguiu segurar a risada depois dessa, concordando com a cabeça várias vezes. — Podemos adotar também, é uma opção. — Que tal dois adotados e dois nossos? — Assim eles nunca ficariam sozinhos. A dupla sorriu cúmplice, Lottie sentindo borboletas na boca do estômago e Pierre, o coração batendo mais rápido e quentinho. Sentia-se bem com aquela conversa, por mais inusitada que fosse, já que era apenas o primeiro encontro e desafio, no entanto, esclarecedor. O lanche não demorou a chegar, dando uma pausa no diálogo, mas não o parando por ali. Eles tinham apenas começado a se conhecer e não queria que acabasse tão cedo.
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