Nico pousou as bebidas na mesa e pergunta a Jo onde estava
Lari, ao que Joanna lhe explicou que Lari tinha ido atender a
chamada de Jason. Naquele preciso instante, antes de Nico
ter tempo de formar um pensamento, o telemóvel vibra, Jason
ligava-lhe. Nico correu para fora da discoteca e atendeu o seu
irmão.
-Domenico!!! Porque Lari não atende o telemóvel? Chamou
varias vezes, dando na caixa postal, depois disso so da sinal
de desligado!!! – Jason gritou involuntariamente com Nico.
- Eu… eu… não sei irmão… eu fui buscar bebidas e ela saiu da discoteca
para atender a tua chamada sem que alguém a pudesse
acompanhar. não percebo…
- O QUE?! Discoteca Domenico?! – Jason estava furioso, se
Nico estivesse com ele naquele momento saberia que teria de
se afastar, pois o demónio iria ser solto se ele não percebesse
onde estaria Lari de imediato. - eu tentei te ligar varias vezes Jason, para dizer que elas não
pararam de me pressionar para sairmos, não atendeste,
pensei que não ia haver m*l… desculpa-me irmão…
- Nico! ENCONTRA-A AGORA!!! Onde é que estão?!
- No Lunar. Vou encontrá-la! – Jason não esperou que ele
terminasse a frase e desliga a chamada, Nico sabia que ele
estaria naquele instante a dirigir-se ate eles. Na rua Nico
procurou por toda a aparte não via Lari, mas viu o seu
telemóvel, partido no lado oposto, onde ele atendera a
chamada de Jason. Agora o pânico instalava-se, ele sabia que
algo havia acontecido. Entrou falou com Maurizio, acionou os
seus seguranças de imediato.
- Domenico, que se passa?! – Jo alarmou-se de imediato.
- A Lari Joanna… não sei dela, encontrei o telemóvel… - Nico
mostrou- lhe o telefone da amiga, completamente partido.
- Meu deus… como… quem… não compreendo! – Jo estava
abalada e confusa.
- bebe calma, eu vou resolver isto e Jason esta a caminho, vou
mandar levarem-te a casa.
- Nem penses! Eu quero saber onde esta minha amiga! Não
saiu daqui ate encontra-la! – Nico nunca tinha visto Joanna
naquele desespero, abraçou-a.
- Anda! Não podemos perder tempo. – Ele segurou a mao de
Jo e arrastou-a consigo.
Numa porta sem fechadura ou maçaneta , apenas uma
camara por cima, Nico parou, bateu na porta com força e
olhou diretamente para a lente da camera. Não esperou
muito ate que um homem abrisse a porta para ele, alto de nariz adunco, expressões pesadas, cabelos negros espetados
olhos escuros, desviou se da entrada da porta.
- Domenico! – cumprimentaram-se. – que te tras aqui amigo?
- Henrique, não é uma visita, tens de fechar a discoteca,
agora! – Nico dava uma ordem de forma indireta.
- Domenico, amigo, sabes que não temos problemas entre
nos, eu não vos afeto em nada. Fechar a porta agora, assim,
não parece ser uma ideia excelente para os meus negócios…
- Henrique era um ambicioso traficante, realmente não
atrapalhava a vida deles mas teria de acatar a ordens
superiores, se queriam manter os seus negócios e a sua vida.
- Acho que não percebeste bem o que te estou a dizer! Se não
queres que o futuro Don entre aqui e mate toda a gente, é
melhor fechares a discoteca! – as palavras de Nico forma
mais que suficientes, Jo viu a expressão de regozijo
desaparecer dos seus olhos, quando Domenico falou.
Henrique deu ordens pelo walkie talkie para os seguranças
fecharem a discoteca, onde ninguém entrava ou sai, ate as
suas novas ordens.
Jo não estava a perceber nada daquela conversa, aquela
historia do Don, que poderia isso dizer para amedrontar o
homem de tal modo… e porque o tal don iria ate ali matar
alguém. Agora Nico falava com ele.
- Henrique, eu entrei na tua discoteca hoje com a minha
namorada, - apontou para Jo – e a minha cunhada, Lari, ela é
mulher de Jason e desapareceu ao ir atender uma chamada
na rua que da acesso ao parque de estacionamento. Temos
de encontra-la, se Jason chegar antes disso, sabes o que vai acontecer certo?! – O tom de Nico era ameaçador, Jo estava
estupefacta com aquele Domenico.
- Podemos ver as camaras para tentar perceber o que se
passou! – Agora Henrique colaborava de muito bom grado
com Nico, - não pode a mulher de Don Jason desaparecer
logo onde? Dentro da minha discoteca!!! – a cabeça de Jo
estalou com informação, Nico olhou para ela, pois sabia que
era a bomba de informação para Joanna. Então Jason era o
futuro Don, só faltava era ela entender quem era o Don, o que
significava aquele estatuto dentro da mafia.
Henrique passava as imagens das camaras de segurança,
quando Jo viu uma cara que ela conhecia.
- PAREM AS IMAGENS AI!!! Não acredito… - na imagem
congelada do bar, Joanna via Anthony.
- Nico! É o ex-marido dela!!! Anthony! – Nico agarrou o
telemóvel do bolso, fazendo chamadas e falando sempre no
seu italiano raiz.
- Henrique, podes retomar as tua atividades.
- Não! Nem pensar Domenico, os meus homens estão
prontos para ajudar-vos. Toda a força armada que precisarem
nos oferecemos!
-obrigado Henrique! – Nico levou Jo pela mao ate a rua, os
seguranças com Maurizio a comandar, já haviam saído para
bater a área em busca de Lari.
- o que me esta a escapar… - Nico andava de um lado para o
outro, ansioso, esperando uma pista que tivesse escapado
aos seus olhos.
Jason chega naquele momento. Sai do carro alcança Nico e
Jo.
- Nico! Atualiza-me! – Jason não parecia a pessoa que Jo
havia conhecido estes dias todos.
- foi o ex… o ex-marido dela, Jason! – Nico falou a medos.
-f**a-SE! FILHO DA p**a! EU SABIA QUE HAVIA DE O TER
MATADO NAQUELE DIA!!! – Joanna viu o demónio dentro de
Jason, o fogo do odio brilhava intensamente no seu olhar.
Jason virou se de costas para ambos, socou o seu suv a sua
frente varias vezes.
- EU VOU MATAR O FILHO DA p**a!!! – O sangue de Jason
fervilhava e quem quer que passasse via isso. A raiva e o odio
acabavam de tomar posse dele. Jo percebeu o temor que
sentiam em relação ao Don, mesmo não percebendo o que
aquilo significava, sabia que ate a ela amedrontava. Aquele
ser, bom ou mau, iria mover o mundo para encontrar Lari.
- quero ver as malditas cameras, Domenico! Tem de haver
algo mais, o filho da p**a é um amador! – Ainda não tinha
acabado a frase, Jason lançou-se ao caminho. Nico e Jo
acompanhavam-no atras dele. Jason bateu a porta, Henrique
abriu em segundos.
- Don Jason! Entre! – os três entraram.
- Mostra-me as imagens todas Henrique á hora do
desaparecimento! - o homem obedeceu sem se pronunciar.
Eles demoraram-se nas imagens mais próximas do
acontecimento, ate que Nico se lembra de algo.
- irmão! Esta camara da acesso ao parque de
estacionamento, não se ve muito mas se ele levou Lari tem
de mostrar pelo menos a saída dele a leva-la ate ao carro! – Jason assentiu. Henrique andou novamente para tras ate a
hora do suposto rapto. As imagens confirmavam a teoria,
Anthony mais um homem, levavam Lari desacordada para um
carro escuro.
- Don Jason, olhe aqui! – Henrique apontou para onde se via a
matrícula do automóvel em questão. Nico segurou o
telemóvel, fez a chamada onde informava a matricula do
carro. Desliga.
- Irmão temos de esperar um pouco. È o tempo de rastrearem
a matrícula do carro…
- Não tenho tempo Domenico!!! – Jason fechou os olhos,
eram 5 horas da manhã, Lari estava nas mãos do psicopata já
faziam quase quatro horas, ele sabia o que iria acontecer
com a sua pequena se não a encontrasse rapidamente. Nico
sabia que ele não ia ficar parado a espera, mas antes que ele
pudesse dizer algo ao seu irmão, o seu telefone toca.
- “Rua de Santo Elói numero 7 “ – Nico desliga.
- Irmão temos a morada!!!
Jo ia a caminho de casa mesmo contra a sua vontade,
enquanto Nico e Jason, mais o batalhão de homens que
tinham com eles iam para a morada localizada pelo contacto
de Domenico. Na mente de Jason existia um turbilhão de
pensamentos, haviam passado varias horas, a imagem de
Anthony a fazer qualquer das suas maquiavelices a sua
pequen deixavam-no com cada vez mais cede de vingança.
Com este pensamento ele carregou o pé no acelerador.
Lari
Lari acordava, confusa, abriu os olhos, tentou perceber o
ambiente a sua volta, não fazia ideia de onde pudesse estar.
Tentou sentir o corpo, sentiu-se dorida, como se tivesse caído
no asfalto sem qualquer amparo. A cabeça doía, como se
estivesse de ressaca, depois os tornozelos e pulsos estavam
em sofrimento e pressão. Zonza, não conseguia assimilar o
que estava a acontecer consigo, de repente alguém a
molhava, sem delicadeza, agua gelada. Sentiu-se magoada
do choque e surpresa.
-Acorda, acorda! Dorminhoca! – ela contraiu-se, estremeceu
ao reconhecer aquela voz , qual voz do d***o. Mais agua era-
lhe atirada.
- Não ouviste! Quero-te acordada, se não de nada me serves!
Sempre foste uma pedra no meu sapato! – Anthony e toda a
sua loucura estavam ali, a sua frente. As lembranças do que
havia acontecido na porta da discoteca começavam a
assombrar a mente de Lari. Ela abriu os olhos novamente.
- Isso! Olha para mim!
- a… Anthony… - a cabeça dela estava completamente
desnorteada.
- sim! Eu mesmo minha querida, em carne e osso! Ainda te
lembras que sou teu marido?! Eu sei que andaste muito
ocupada, a fingir ser algo que nunca seras na tua vida
miserável! Esse filho da p**a convenceu-te que eras mais?
Achavas que ele, mesmo sendo quem é, te iria tirar
simplesmente, de mim?
- Tu… es completamente… psicopata!
-UAU bravo!!! Pelo menos fez-te ter voz! Ele fez-te mesmo
acreditar que estavas segura? – riu-se com gargalhadas de
escarnio. Aproximou-se dela, Lari tentou fechar os braços
sobre si mesma e encolher as suas pernas, agora o coraçao
entrava em pânico, ela estava presa, deitada naquela cama e
amarrada aos quatro cantos, por pulsos e tornozelos. Ela
havia acreditado que não voltaria a ver aquele demónio e
agora estav refém da sua loucura doente.
As imagen de Jason passavam na sua cabeça, ela suplicou a
Deus que ele viesse em seu socorro. As lagrimas caiam nas
suas faces.
- podes chorar o quão quiseres, não vai valer a pena, hoje, ou
morremos juntos ou então morres sozinha, não seras de
mais ninguém, é a mim que pertences!!! – ele tocou a sua
perna, ela retraiu-se o mais que conseguia.
- sabes Lari, eu amo-te. – ela não estava acreditar no que
ouvia, depois de anos a espanca-la, como teria ele coragem
de dizer que a amava? – sempre te amei e sempre quis que
fosses minha, por isso tirei te das mãos do teu papa
abusador. Mas esta parte minha, que ainda gosta mais de te
bater, de ter-te na minha mao, saber que me obedeces e fazer
o que bem me apetecer de ti, ela ganha sempre. E não te
iludas sua reles, tu és minha! – ela mantia-se calada,
deixando as lagrimas rolarem livremente.
- Eu quero-te e sabes que vou-te ter, quero demorar-me,
quero matar saudades tuas! – ele ria-se da sua própria
insanidade. Subiu o toque na sua perna ate chegar as suas
cuecas, ela queria se proteger e não tinha como faze-lo,
chorou mais, desesperada para que ele parasse de lhe tocar.
Desejou que Jason a viesse buscar, antes dele poder espanca-la e viola-la. Anthony aproximou-se mais, deu-lhe
uma chapada violenta. Fazendo o barulho ecoar pelo quarto
inteiro, ela sentiu-se zonza novamente com o impacto.
Depois subiu para as suas pernas e deu-lhe chapadas
seguidas, exercendo a força do seu corpo sobre o dela,
pequeno e frágil perante o seu. Ela desmaiou com o choque
daquele momento atroz. Novamente, ele acorda-a com água
gelada.
- Já disse para acordares sua p**a!!! O teu dever e obrigação é
me divertires! Pensei primeiro em desfigurar-te… - segurou
uma faca e passou o gume pela sua face, ao que ela se
encolheu. – Mas eu gosto dessa cara reles! - Ele estava
completamente alucinado. – deixa-me contar-te, casei
contigo porque sabia que serias uma ratinha assustada
quando eu te mostrasse quem eu seria, nunca quis que
nenhum homem te tocasse, tu eras para ser só minha!!! – na
última frase a voz saia-lhe embargada, como se estivesse
prestes a chorar. Ele proferiu outro golpe no seu rosto.
- Nunca deverias ter ido com aquele filho da p**a! Se não
fores minha, então não serás de mais nenhum outro homem!
– ele estava transtornado, doente, louco de raiva.
-D… deixa-me… ir por favor! Ele … ele vai-te encontrar… e vai-
te matar! - Lari sabia que Jason iria em seu auxílio, ele jamais
a deixaria ali a morrer.
-Ele nunca vai chegar até aqui! E eu vou fazer de ti o que eu
quiser!
- Se tens qualquer… tipo de con… consideração, deixa-me ir
Anthony… - ela sentia-se destruída, mas sabia que ele a iria
violar e quem sabe mata-la de pancada.
-Queres fazer um acordo Lari? – ele fazia voz de falsa
bondade. – Fazes amor comigo, com vontade, como se me
amasses, dás-me tudo de ti, enquanto eu te bato, ai eu posso
ate pensar mesmo em desistir de ti… - ela não acreditava em
uma virgula da sua conversa. Mas mesmo que tal fosse
verdade, ela preferia morrer a atender ao seu pedido sórdido.
- tu… es completamente, doente! Precisas… de ajuda!
- isso quer dizer que não aceitas? Porque, vejamos, eu vou ter
o que quero, a bem ou a m*l, mas dou-te a escolher como
preferes!
- prefiro morrer!!! Jason… ele… vai chegar… - ela perdia os
sentidos novamente.
Mais uma dose de agua e desta vez continha ainda pedaços
de gelo que a atingiam como se fossem pedras.
- Vai chegar? Acorda sua vaca! Achas que ele vem te salvar? –
novamente cego de odio, proferiu chapadas violentas sobre o
seu rosto. Deitada e indefesa ela so queria que a escuridão a
envolvesse para que não sentisse mais dor. De repente
batidas na porta fizeram no parar. Dirigiu se a mesma e abriu.
- Senhor, Paulo pensa ter detetado movimentos na estrada
principal, a de acesso a casa.
- Manda 5 homens para verificar, mas não será nada com
certeza. Não incomodem a não ser que seja mesmo
importante!- ele não tinha o menor receio de ser localizado,
pensava realmente que não existia forma de ser rastreado.
Voltou a focar-se em Lari e no seu desejo doentio sobre ela. A
tortura da agua gelada voltava a ação, ela abriu os olhos mas
desta vez custou-lhe ainda mais, doía-lhe tudo.
-então vamos ao que interessa minha querida esposa. –
Anthony tirava as suas roupas, casaco, desapertou os botões
da sua camisa e os das suas calças, a fobia de Lari estava a
ser confirmada, como poderia ele ter prazer depois de tanto a
maltratar? Ela sentiu-se enojada, não aguentando o
estomago, vomitou sobre a cama.
- mas que raio, sua reles! Fazes tudo para eu não te tocar! –
ele foi buscar toalhas, limpou os lençóis. Depois sentou-se
ao lado dela.
- vou-te dar um momento – ele fazia caricias nos cabelos dela
– depois faremos amor, vai ser bom minha querida esposa,
vais adorar! – esperou alguns minutos, observando-a chorar.
Levantou-se, rasgou as cuecas de Lari, o choro dela agora era
compulsivo. Queria lutar mas era impossível, mesmo que não
estivesse presa já não haveria forças suficientes depois do
que ele havia lhe feito.
Um baque ensurdecedor ecoou pelo quarto, Lari voltou a ser
envolvida no escuro, no silencio que a engolia lentamente…