Atraso era desrespeito. Dominic observava o relógio na parede do escritório como se pudesse obrigar os ponteiros a andarem mais rápido apenas com a força da própria irritação. O ambiente estava silencioso, amplo, elegante demais para combinar com o tipo de decisões que eram tomadas ali dentro. Vidro, mármore, couro. Sangue invisível. Matteo permanecia em pé perto da porta, mãos cruzadas à frente do corpo, postura firme. Sabia reconhecer o humor do chefe, e o de hoje tinha gosto de tempestade. O carregamento deveria ter chegado há quarenta minutos. Quarenta. Em outros lugares, talvez isso significasse trânsito, um pneu furado, um imprevisto banal. No mundo de Dominic Russo, significava possibilidade de traição. — Já rastreou? — a voz dele saiu baixa, mas cortante. — Sim — Matteo r

