A noite caiu cedo. O inverno anunciava-se não apenas no ar cortante que atravessava as janelas de pedra, mas no silêncio pesado do castelo, quebrado apenas pelo estalar distante da lenha queimando nas lareiras. Rowena deitou-se com cuidado, envolta em cobertores grossos demais para permitir movimento livre, e ainda assim… o frio encontrava seu caminho. O primeiro inverno longe de tudo o que conhecia. Virou-se de lado, tentando manter a respiração calma. Ewan estava de costas para ela, imóvel demais para alguém que dormia profundamente. Mas ele sentiu. O leve estremecer. O ritmo da respiração que se alterou. O quase imperceptível bater dos dentes contido por orgulho. O lobo não ignorava sinais. — Rowena… — chamou, baixo, quase um sussurro. Ela congelou por um instante. — Sim?

