LX

388 Words
Os olhares começaram a mudar. Não era mais apenas curiosidade sobre o Lobo de Guerra e sua rainha recém-coroada. Havia algo diferente no ar, algo que os convidados percebiam mesmo sem ouvir uma palavra. Eles observavam a proximidade. Sussurros surgiam em meio à música e ao tilintar das taças. — Já reparou como ela não se afasta dele? — murmurou uma dama de vestido azul-escuro, inclinando-se para a companheira. — Reparei… e como ele permite — respondeu a outra, surpresa. — Diziam que ele não suportava ninguém tão perto. Um conde mais velho, que já havia servido em guerras antigas, estreitou os olhos ao vê-los. Ewan permanecia firme, postura de soldado, mas o corpo estava ligeiramente inclinado em direção a Rowena um detalhe quase imperceptível para leigos, mas gritante para quem conhecia homens de guerra. — Ele está protegendo o flanco esquerdo dela — murmurou o conde para si mesmo. — Não por dever… por escolha. Do outro lado do salão, algumas jovens nobres observavam em silêncio, expressões misturando surpresa e algo próximo da decepção. — Achei que ele fosse… inalcançável — disse uma delas, quase em tom de lamento. — Ainda é — respondeu outra, com um suspiro. — Mas apenas para quem não é a rainha. Os reis aliados também notaram. Um deles comentou em voz baixa com seu conselheiro: — Não é apenas um casamento político. — Não — concordou o homem. — Há confiança ali. E isso… é mais perigoso do que espadas. Quando Rowena ria um riso contido, elegante Ewan não se afastava. Não se enrijecia. Apenas observava, atento, como se aquele som fosse algo que ele inconscientemente decidira proteger. E quando Ewan falava, baixo, próximo ao ouvido dela, Rowena inclinava-se sem hesitar, como se aquele espaço entre eles fosse natural, conquistado. Uma rainha estrangeira comentou, analisando-os com cuidado: — Ela o suaviza. — Ou o direciona — corrigiu outra. — Um lobo com alguém que conhece seus instintos é mais letal… e mais leal. Ao final da noite, já não havia dúvidas entre os presentes: O Lobo de Guerra não estava apenas acompanhado. Ele estava alinhado. E ao lado dele, não havia uma rainha decorativa, mas uma mulher que caminhava no mesmo passo, no mesmo ritmo alguém que não precisava dominar o lobo… …porque ele a aceitara como parte do seu território
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