— Estella, me fala de novo por que tenho que ir a essa festa? — Indago indignada enquanto estou na penteadeira sendo maquiada por um maquiador que está usando mais rímel do que eu.
— Por que é sua festa de despedida. Precisa de mais algum motivo? — Responde enquanto olha o vestido que escolheu pra mim.
Estella escolheu um longo azul e bem justo ao corpo, com uma a******a que ia até metade da coxa, bem sensual e provocante. Na parte de cima, um belo decote que deixava bem evidente os meus s***s. Não tão pequenos, todavia pelo menos não me faziam passar vergonha. O decote era todo trabalhado com uma renda branca transparente tão suave que parecia fazer parte do tecido.
Na parte de trás, as alças finas formavam um "x" na parte de cima das minhas costas, o restante deixava toda a amostra. A a******a ia até bem perto do meu bumbum. Se a intenção era me deixar sensual e no ponto para ser comida, Estella tinha acertado em cheio.
— Você não acha que vou ficar parecendo uma v***a com esse vestido? Já viu as costas dele? Onde está o restante do tecido?
— Meu amor, com esse corpo, você pode ir até pelada. — Meu maquiador falou e nós não contivemos uma risada.
— Jim tem razão... Você tem um corpo lindo, então por que não exibir? Hoje é a sua noite. Todos estarão lá para reverenciá-la, admirá-la e comê-la com os olhos.
— Eu não queria ir a essa festa. Na verdade, eu nem queria essa festa. Foi você que ficou me perturbando durante dias...
— Cristal, vamos mudar essa cara de que não está gostando de nada?
— Desculpa, essa é a única que tenho. — Falei enquanto fazia uma careta para ela através do espelho.
— Você está precisando é de uma boa noite de s**o selvagem.
— Estella!
— O quê? Estou exagerando Jim? Uma boa noite de s**o com um homem gostoso e você melhora esse humor.
— Se vocês quiserem, eu conheço alguns caras que topariam uma brincadeira, digamos... Um pouco mais selvagem...
— Você conhece mesmo Jim? Me passa o telefone deles.
— Eu não acredito que estou aqui ouvindo minha amiga pegar telefones de garotos de programas...
— Eles não são garotos de programa... São acompanhantes e organizadores de festas particulares. É serviço garantido ou seu dinheiro de volta. — Disse Jim.
— E eles são bem-dotados? Tipo, grande e grosso? — Indagou Estella se aproximando da gente.
— Bem, nunca os vi pelados realmente, entretanto, as pessoas que os contrataram disseram que vale a pena. Eles fazem tudo que você quiser, dependendo de quanto você disposta a pagar.
— Hum... Bem interessante.
— Seja lá o que esteja tramando Estella, me deixa fora. Não vou participar de uma urgia. Ainda mais se a minha amiga estiver junto.
— Tudo bem, eu deixo você com eles, se isso vai fazer com que esse humor melhore. — Ela brincou.
— Meu humor vai melhorar quando eu tirar férias permanentes.
— Amiga, agora falando sério, quando foi a última vez que transou?
— Agora minha vida s****l virou pauta aqui? — Devolvi.
— Não se incomodem com a minha presença, viu meninas? — Disse Jim.
— Que eu me lembre, a última vez que você saiu com alguém, foi em Marrocos, no ano passado, com aquele modelo italiano. Como era mesmo o nome dele?
— Luigi Vicenza. Nossa, foi um encontro h******l. Só sabia ficar falando o quanto eu era linda. O quanto estava me desejando...
— Ele parecia tão másculo.
— Só parecia, por que quando foi na hora do vamos ver, uma decepção. Nem meteu direito e já gozou.
Caímos na gargalhada. No momento foi decepcionante, por que estava pegando fogo. Estava há bastante tempo sem s**o, e quando ele veio todo galanteador, eu pensei, por que não?
— Bem minha deusa, não queria cortar o barato, mas preciso terminar aqui seu make — Falou Jim me fazendo voltar minha atenção para ele.
— Pode continuar aí com seu trabalho, preciso ir — disse Estella devolvendo o vestido para o closet e pegando sua bolsa.
— Posso saber aonde pretende ir?
— Amiga, também preciso me produzir para a festa. Sua assessora tem que estar aos pés da convidada de honra. Em uma hora, uma limusine vem lhe buscar para levar para o Sheraton Hotel.
— Não posso simplesmente pegar um táxi?
— A super modelo Cristal Bittencourt de táxi? Essa foi boa.
— Amanhã serei ex-modelo...
— Amanhã é outro dia. Vamos focar essa noite. Por que hoje promete.
— Está me escondendo alguma coisa Estella?
— Escondendo algo de você? Por que eu faria isso?
Estella veio até onde eu estava sentada e falou comigo através do espelho.
— Não estou escondendo nada de você. Pare de preocupar essa cabecinha com bobagens. Jim, deixe minha amiga linda como uma deusa.
— Deusa ela já é. — Jim adorava se rasgar em elogios.
— Então eternize a deusa Cristal.
— Poderia ir comigo, só para não ir sozinha.
— Cristal, você sempre foi sozinha aos eventos, por que vai ser diferente hoje? Beijo meus amores.
Estella soltou um beijo no ar e foi embora. Jim não demorou mais muito tempo com meu make. Depois ele me ajudou com o vestido. Ele estava tão justo, que acho que se eu tivesse comido um doce a mais, não entraria nele.
Coloquei a gargantilha de diamantes brancos que Estella também escolheu, os brincos pequenos, apenas para completar o visual, já que o colar já chamava atenção por si só.
Nos pés coloquei uma sandália prata com salto 15 cm de tirinhas, que dava uma equilibrada na coluna. Uma pequena bolsa de mão e o meu look estava completo.
— Você está linda Cristal. Vai encerrar sua carreira com chave de ouro. Venha ver como está exuberante — disse Jim enquanto me encaminhava para frente do espelho.
— Uau! Dessa vez, você e Estella se superaram. Eu quase não me reconheço.
Meus cabelos estavam soltos, no entanto um lado estava preso com uma presilha com pequenos strass prata para não chamar muita atenção. Jim tinha usado o baby liss para fazer pequenos cachos e ganhar um pouco de volume.
— Você já é linda. Eu apenas usei alguns artifícios para realçar.
— Obrigada. Obrigada por tudo.
— Disponha. Agora você precisa ir. Não pode se atrasar para sua própria festa.
— Ah, eu posso sim. Sou a anfitriã. – Eu ri. — Tomara que o motorista seja pelo menos bonito.
— Se for, não se esquece de pegar o número do telefone.
Jim pegou sua maleta e se encaminhou para a saída.
— Vou chamar o elevador, vai descer comigo?
— Vou esperar alguém me avisar que o carro chegou.
— Ok então linda, divirta-se muito hoje.
— Prometo que vou tentar.
*****
Desci assim que a recepcionista me ligou avisando. Por onde passei, todos viravam para me ver passar. Eu já deveria estar acostumada com isso, todavia ainda me sentia um pouco constrangida com tanta atenção.
O motorista abriu a porta para que eu entrasse e seguimos para o hotel. Demoramos menos de dez minutos para chegar. O local estava cheio de fotógrafos e jornalistas, todos querendo uma foto ou uma entrevista. Eu apenas acenei e entrei para o saguão.
Uma hostess veio ao meu encontro e se ofereceu para me guiar até o salão. Era uma garota magra com cabelos curtos e cacheados. Usava uma maquiagem escura e tinha o braço esquerdo todo tatuado. Não conversamos durante o trajeto, na verdade eu não sabia o que falar com ela.
Quando eu ia abrir a porta, fui surpreendida por Estella que apareceu do nada. Vestia um tubinho longo verde tomara que caia. Ele era justo até a cintura e depois ficava soltinho. Seu cabelo estava preso em um coque e sua maquiagem era suave. Um pequeno conjunto de colar e brincos complementavam seu look.
— Cristal, não entre ainda.
— Por que não? Não chegou ninguém?
— Chegaram quase todos, é que eu precisava te falar uma coisa.
— Que tipo de coisa? Não me assusta Estella.
— Calma, é coisa boa, não se preocupe. Eu fiz pensando na sua felicidade. Eu só queria que você se lembrasse dessa noite para sempre.
— Estella, não estou gostando da maneira que você está falando.
— Vamos entrar. Você vai ver com seus próprios olhos.
Da última vez que Estella falou que não era para me preocupar, acabei acordando no banheiro da república, dormindo sobre meu próprio vômito.
As portas se abriram e eu me surpreendi. Eu literalmente fiquei sem palavras. Todos que estavam no salão me olharam assim que entrei. Eu não conseguia acreditar no que estava vendo. Todos os meus amigos do tempo de faculdade estavam lá. Devia ter umas cem pessoas.
Na época, eu conhecia 90% dos alunos do campus. Eu conseguia fazer amizade com muita facilidade. Não importava se era homem ou mulher. Nas festas promovidas, eu sempre aparecia com uma surpresa. Logo de cara reconheci Lana, Joana, Denis e Brenda. Juntos com Estella, éramos o grupo a ser seguidos por todos.
Olhei para todos e depois olhei para Estella. Ela estava com um sorriso que ia de orelha a orelha.
— Surpresa!
— Eu... Eu... Estou sem palavras nesse momento.
— É tão bom ver você novamente. — Disse Lana vindo me abraçar.
— Como conseguiu encontrar todo mundo?
— Não existe nada nesse mundo que eu não consiga, quer dizer, quase tudo.
Joana, Denis e Brenda vieram logo em seguida, e abracei cada um. Eu ainda não conseguia acreditar que Estella tinha conseguido reunir todos da época da faculdade.
— Gente, me contem o que andam fazendo, onde estão morando? — Perguntei ainda com cara de boba.
— Eu me formei em arquitetura e depois fui morar em Londres. Casei e tenho uma filha de três anos. — Disse Joana.
— E onde ela está? — Perguntei quando não vi nenhuma criança.
— Ficou lá com o pai. Ele é muito ciumento e não me deixou trazer. — Ela riu. — Além de ter um motivo para voltar logo, segundo ele.
— Eu entendo. E vocês?
— Nós casamos — Falou Lana levantando sua mão e a de Denis, mostrando as alianças.
— Eu sabia que toda aquela amizade terminaria em alguma coisa. Onde estão morando?
— Depois que terminamos, voltamos para nossa cidade em Santa Catarina. Montamos um pequeno negócio e estamos indo bem — Comentou Lana.
— Lembro que vocês cursavam direito.
— Temos uma pequena firma de advocacia. Aos pouco estamos ganhando clientela — Explicou Denis.
— Fico tão feliz. E você Brenda, o que está fazendo, por onde anda?
— Virei mãe. Engravidei no segundo ano, de um garoto que fazia mestrado. A relação não deu certo e cada um seguiu seu caminho, mas ele me deu Pedro. Então não posso reclamar de muita coisa. Só não consegui terminar a faculdade, e depois que ele nasceu, exigiu minha atenção total.
— No entanto, o importante é que você está feliz — Falei.
— Muito.
— Temos acompanhado sua carreira desde que saiu de Esmeralda. Falo para todo mundo que conheço a grande modelo Cristal Bittencourt — Disse Lana.
— Em breve ex-modelo. Por que não entraram em contato comigo?
— Você tem uma agenda bem agitada. Sempre em um lugar diferente todo dia... — disse Joana como se pedisse desculpa.
— Estella foi à única sortuda. Esteve com você todos esses anos. — Disse Brenda.
— Eu é que tive sorte de ter ela sempre comigo. — Falei.
— Vamos parar com a rasgação de seda pessoal. Cristal tem mais de cem pessoas que vieram aqui para revê-la. Vai ter que falar com todos. Podemos marcar alguma coisa amanhã e colocar todos os papos em dia, que tal?
— Perfeito! — Exclamou Joana.
Nossa, tinha gente que eu nem lembrava, porém sorria como se nunca tivesse saído da faculdade. Descobri um pouco de suas vidas, alguns casados, divorciados, outros ainda estavam noivos, e a minoria ainda estava solteiro.
Os peguetes de Estella estavam todos presentes, e eu ri muito quando eles relembraram velhas histórias da república. O DJ escolheu músicas da nossa época para tocar a noite toda. Minha amiga não dava ponto sem nó, tinha pensado em tudo.
— Nossa amiga, que surpresa maravilhosa. Nem em milhão de ano, eu imaginaria uma coisa dessas. — Falei enquanto o garçom passava e nos entregava taças com drinks. — Deve ter dado muito trabalho planejar essa festa.
— Você merece, e como eu disse, consigo tudo que quero. Só não consegui a presença de uma pessoa...
— Quem?
— Daniel.
Eu quase joguei a bebida em sua cara.
— O quê?!
— Achou mesmo que eu esqueceria o seu grande amor?
— Você... Você... Falou com ele? — Gaguejei.
— Não pessoalmente. Consegui seu telefone, entretanto ele não atendeu. Então pedi ao Miguel para entrar em contato com ele e o convidar.
— Então era sobre ele que você estava falando hoje...
— Era.
— E ele deve ter dito que não viria... Eu te disse que ele me odeia.
— Ele não te odeia amiga. Daniel deve ter tido um grande motivo para não vir. Eu realmente sinto muito, queria ter tornado sua noite perfeita.
— Com Daniel ou sem Daniel, ela já está sendo perfeita.
— Eu queria... Oh meu Deus!!!
Estella parou de falar e olhou para a porta da entrada.
— Ele veio!
— O quê?! — Eu virei quase que imediatamente.
Eu não podia acreditar. Daniel. Em toda sua forma de masculinidade estava entrando no salão. Não havia mudado em nada, talvez adquirido mais alguns músculos, todavia continuava o mesmo. Ainda era o cara por quem me apaixonei. Os olhos verdes que me conquistaram no momento em que nos encontramos e seus cabelos continuavam desalinhados, sua marca.
Estava usando terno. Eu nunca tinha visto Daniel usando algo parecido. Parecia que sempre usou esse tipo de roupa. Era um terno de lavagem escuro, camisa branca e uma gravata vermelha, que em qualquer outra pessoa ficaria ridículo, mas nele estava simplesmente... Perfeito.
Meu coração acelerou, batia tão rápido, que eu estava com medo que a qualquer momento, ele saltasse no meu colo. Não consegui controlar minha respiração e a suadeira que começava em minhas mãos. Ele caminhou em minha direção e eu tentei pensar em algo não i****a para falar.
— Calma Cristal, respira pausadamente ou você vai enfartar na sua própria festa. — Pediu Estella tocando levemente meu braço.
Era fácil para ela falar. Não era o cara que marcou sua vida que estava vindo em sua direção. O único que ocupou seu coração nos últimos sete anos.
— Boa noite... Estella... Cristal. — Falou pausadamente.
Ele me olhou tão friamente que achei que congelaria.
— Oi Daniel — Falei tão baixo que acho que só eu ouvi.
— Daniel, você veio...
— Seu amigo me ligou umas quinhentas vezes para o meu celular e o meu trabalho, uma hora tive que atender. — Ele ofereceu um leve sorriso para ela.
— Por isso pedi um favor para ele. Miguel adora um bom desafio. Foi difícil encontrar você. Parecia que estava se escondendo do mundo. — Ela riu.
— Não costumo me esconder, apenas seleciono quem deixo entrar na minha vida, agora faço isso para evitar certos problemas...
Daniel falou enquanto me olhava rapidamente e voltava seu olhar para Estella.
— Obrigada por comparecer à festa de Cristal. Era importante para ela.
— Imagino que sim. Encerrando uma carreira de glamour em alto estilo. — Ele olhou pra mim falando com desdém.
— Foi tudo ideia de Estella, eu não sabia de nada. — Me defendi.
— É, fui eu quem teve a ideia. Cristal fez uma carreira belíssima e limpa, quase não saiu fofocas envolvendo seu nome.
— Li uma coisa e outra.
— Você leu? — Questionei em choque.
— Eu leio jornais e revistas Cristal, estou sempre atualizado com tudo. De vez em quando aparecia uma notícia sua pelo mundo. Algumas apresentações beneficentes...
— Cristal sempre se preocupou com sua imagem por causa de algumas instituições de caridade que ela cuidava e ainda cuida... Com licença, preciso resolver um probleminha com o DJ, fiquem à vontade, eu já volto.
Eu não acredito que Estella fez isso comigo. Deixou-me aqui sozinha nessa pilha de nervos. Daniel colocou as mãos no bolso e me encarou. Eu travei que nem uma estátua.
— Você está linda. Esse vestido lhe caiu muito bem. O azul sempre realçou sua pele. — Falou por fim.
— Obrigada. Foi Estella quem escolheu. — Foi tudo que eu consegui falar.
— Vocês sempre estiveram juntas, não é de se admirar que ela trabalhe para você. E ela sempre soube se vestir.
Eu não conseguia pensar em nada para falar. Se eu abrisse a boca, sairia um monte de m***a, e eu me comportaria com uma adolescente atrapalhada.
— O que pretende fazer agora que encerrou sua carreira? — Ele estava falando como se estivesse conversando com uma estranha.
— Terminar a faculdade... Estou um pouco atrasada, entretanto nunca é tarde.
A minha sorte é que eu estava segurando uma taça para manter minhas mãos ocupadas. Ficava trocando de lugar para ter o que fazer.
— Claro. Para outras coisas então já é tarde demais.
Um silêncio mortal se instalou entre nós. Eu que resolvi quebrar o clima tenso.
— Com certeza você se formou... — Comecei a falar.
— Sim, enfiei a cara nos estudos depois da sua partida, me formei e depois fui morar um tempo fora do Brasil. Voltei no ano passado.
— Está trabalhando aqui?
— Sim. Trabalho com o que gosto.
— Pediatria. — Não era uma pergunta.
— Você ainda se lembra.
— Eu me lembro de tudo, parece que não passou tanto tempo assim.
— Apenas sete anos.
— É... — Foi só o que consegui falar.
Outro momento de silêncio.
— Obrigada por ter vindo. Deve ter sido difícil tirar um tempo para vir aqui.
— Um pouco. Queria ver os amigos do tempo de faculdade. Confesso que estava um pouco curioso para ver como ficaram.
Ele veio por causa dos amigos, não por minha causa. Fiquei um pouco triste. No fundo eu esperava que ele tivesse vindo para me ver.
— Você não mudou muito em sete anos, talvez uma coisa ou outra, mas continua linda.
Totalmente pega de surpresa, fiquei congelada olhando para ele.
— Você também não mudou muito.
— Na fisionomia não mudei muito. Mas em relação em outras coisas sim. Aprendi a escolher quem eu deixo se aproximar.
Quando eu ia falar, um verdadeiro fantasma entrou no salão. Eu só poderia estar tendo alucinações. m*l me recuperei com a entrada de Daniel, e eu estava olhando para a pessoa que odiei desde o momento em que pus os pés na faculdade. Ágatha.
— Oi amor, me desculpe pelo atraso, fiquei presa em uma reunião chata.
O quê? Amor? Atraso? Que p***a é essa que está acontecendo? O que eles estão fazendo juntos?
Vi Ágatha beijar Daniel na boca e por pouco eu não deixo minha taça cair.
— Oi Cristal, desculpe o atraso para sua festa. Nossa, você está um arraso nesse vestido! E esse colar, onde comprou? Fez por encomenda? Foi difícil chegar aqui com esse trânsito do Rio de Janeiro. Achei que não teria nenhum problema por causa do horário, no entanto acho que me enganei.
Para o mundo que eu quero descer. Ela está falando comigo como se nada tivesse acontecido? Os sete anos não significaram nada para Ágatha? Está me tratando como se fossemos melhores amigas, coisa que nunca fomos.
O que Ágatha estava fazendo na minha festa? Estella não teria tido esse descuido de convidá-la, sabendo que ela foi a pessoa que eu mais odiei durante o tempo em que estive na faculdade, o motivo de tantas brigas entre eu e Daniel.
Ela vestia um vestido vermelho longo com um decote maior do que o meu, deixando seus s***s quase saltando do vestido. Um longo brinco que ia até a base do pescoço, cabelos bem escovados, e a sua marca registrada, o batom vermelho. Mas tinha algo de estranho no seu decote. Eu não me recordava dela ter s***s tão fartos.
Como não percebi antes?
A v***a tinha colocado implante de silicone. Finalmente conseguiu o que queria. Vivia falando que eu era exibida demais, e que a única coisa que os garotos viam em mim eram meus s***s. Até onde sua inveja iria.
— Você está linda. Os anos só realçaram ainda mais sua beleza.
Posso ver o veneno escorrendo pelo canto da boca. Se eu não havia mudado, ela muito menos, continuava a cobra peçonhenta esperando o momento certo para dar o bote.
— Você também não mudou quase nada. — Se ela queria ser falsa, eu também seria.
— Eu amadureci um pouco. Pelo menos acho.
Ela sorriu exibindo seus dentes brancos, resultados de tantas sessões de clareamento.
— Eu não sabia que você tinha sido convidada. — Eu não perderia essa.
— Ela é minha convidada. — Disse Daniel atraindo minha atenção completamente.
— Como? — Perguntei confusa com a declaração.
— Nós nos casamos. — Disse Ágatha a queima roupa mostrando a aliança que não era nada discreta.