Desespero

969 Words
4° Capítulo SIENA Abri lentamente os olhos, tudo estava bem embaraçado. Pela posição em que estava e o clarão da luz no teto não demorou para perceber que estava deitada, com a visão turva e a cabeça pesada, me perguntava o que havia acontecido? Onde eu estava? Tocando minha medalhinha da nossa Senhora no pescoço, fiz um pouco de esforço e assim consegui sentar-me, soltando a medalha, pousei as minhas mãos no couro do sofá e desviei os olhos para os móveis ao lado, reconhecendo imediatamente o recinto e lembrando do ocorrido. — p***a! Mulher esquisita, cala a merda dessa boca, está atraindo olhares para nós e eu odeio chamar atenção. Com tudo me levantei, mas paralisei no mesmo instante ao ver o homem a minha frente, o dono daquelas palavras, encostado na mesa, pernas e braços cruzados, observando-me sem piscar, me ocasionando calafrios simultâneos pelo corpo de modo assustador. Minha Santinha! Eu imploro, ajude-me. — Acabei de falar com a sua psicóloga Morgana. Então não, você não errou de porta. _Foi incisivo e descruzou os braços, recolhendo o notebook da mesa, dando o primeiro passo para vim até mim. Com medo dei a volta no centro e ele parou as passadas. — Além de esquisita é louca. _Pontuou, negando enquanto me encarava. — Porque não, né? Já que está aqui. _Sorriu irônico. — Tá achando que eu vou fazer o que com você? Tremo desesperadamente, estreitando os olhos para a porta. — Eu só quero… ir embora, deixe-me ir. _Confessei, trêmula. — Você vai, mas não agora. _Falou, olhando o relógio no pulso. Uma lágrima escapou dos meus olhos e antes que ele erguesse a cabeça e a contemplasse cair, a limpei de pressa. Não havia luz no túnel onde eu estava afundada. A cada pesadelo que me sondavam quando fechava os olhos para dormir de noite, o frio parecia não me abandonar nunca, eu estava presa a ele e a escuridão, vendo esse homem forte a poucos metros de mim é como se ele estivesse ali, perto e de novo aconteceria, de novo ele me causaria dor. Espremi os meus olhos, fortemente. — Por favor… não. _A voz da minha boca escapou inaudível, no entanto, eu não havia esquecido das únicas palavras que tanto as usei para pedir clemência, sempre foram elas e por mais triste que fosse dizer, eu as continuaria a usar, procurando compaixão, podia demorar, mas um dia a encontraria. — Sua sessão ainda não acabou, sente-se ou deite-se, iremos começar. Novamente ele andou e eu corri quando o vi sentar na poltrona ao lado do sofá, pousando o notebook no centro. Chegando na porta, girei a maçaneta desesperadamente, mais simplesmente nada aconteceu, a porta estava trancada de chave. Eu estava além de tudo, também presa. Isso era agonizante. — Socorro...socorro. _Gritei esperançosa o mais alto que consegui. Alguém tinha que está por perto, uma alma que fosse. — Siena, não é? Sentindo a voz grossa aquecer o meu ouvido, virei-me rapidamente dando de cara com o homem. Engoli em seco e tentei passar. Fui impedida, ele desgraçadamente entrou no meu caminho. — Moço, por favor… me dê a chave. _Pedi embargada, m*l conseguindo respirar, o meu peito subia e descia descontrolado, estava completamente em pane. Anos passou-se e essa era a primeira vez em que um homem chegava o mais perto de mim. Eu surtaria a qualquer momento. Ele continuou a olhar-me fixamente, o seu olhar deixava-me perturbada. — O que está a olhar? Professor, olhe aqui meu caderno, está certo? — Seus olhos Siena... _ Censurou-se a continuar a frase somente para passar o olho pela sala, então tocou as minhas bochechas, acariciando-as. — Eles são tão apertadinhos, pequena Siena. O empurrei, apavorada. Querendo ir, desejando fugir, sumir, esquecer, esquecer totalmente tudo. — Colabora esquisita. _Brandou, dando um passo para trás, juntando as mãos como se estivesse a rezar as levou até a boca, fechando os olhos. — Porque Deus eu aceitei a proposta da senhora Morgana, que porcaria é tentar ajudar o próximo. _ Lamentou olhando para o teto. — Olha Sariema, também estou odiando saber que você será minha paciente, e não me agrada nenhum pouco saber que é mais louca do que eu imaginava, ou colabora, ou te mando para um manicômio com direito a camisa de força e tudo, chegando pedirei que frite seu cérebro com eletrochoque. Sariema? Ele mandaria fritar meu cérebro. Santinha... Arregalei os olhos horrorizada e então voltei a tentar abrir a porta a chutando. — Alguém me ajude! _Gritei. Repentinamente fui puxada abruptamente pelo pulso para longe da porta e em questão de segundos estava sendo arrastada e empurrada para fora da mesma. — Vai, some daqui endiabrada. _Gritou rudemente. Fazendo-me estremecer, encolhendo os ombros. Ainda cambaleando o fitei, engolindo em seco e nervosa, queria chorar até não poder mais, o necessário eu não tinha naquele momento, lágrimas me faltou. Firmando o meu pé no chão o encarei uma última vez sem entender, por que ele estava sendo tão grosso, eu seria mesmo uma louca desmiolada? Sem conseguir mais sustentar o olhar, abaixei a cabeça e o dei as costas, olhando o piso do chão corri dali enquanto sentia o vento frio gelar as lágrimas que banhava o meu rosto. Na primeira esquina parei para recuperar o ar que perdi, tocando os meus joelhos e de cabeça baixa foi inevitável não sentir algo subir por minha garganta. Levei as minhas mãos a boca tentando segurar e levantei a cabeça, em vão, algo novamente subia. Porque ainda insistia em sempre segurar o vômito, mesmo sabendo que não podia, não havia como. Apressadamente vaguei até o canto da calçada e na lixeira despejei todos os resquícios do pavor, medo e nojo, que eu tinha não só pelo causador de tudo isso, mas todos eles, todos.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD