Al Tahoe, South Lake Tahoe, California
Já tinha uma descrição da menina e gravei com cuidado o mapa. Eu não era um cliente confiável, então precisava apostar em encontrar alguém com esse perfil.
Enquanto fui ao interior do lugar, eu só tentava imaginar o que eu faria estando na frente de um pervertido desgraçado — não podia me exacerbar.
Ainda tomei um drink enquanto passeando pelo lugar e fingindo curtir. Sequer tinha revista na entrada, eles eram realmente muito seguros de si.
O lugar era luxuoso. Tudo parecia coberto por veludo. Apesar de Natasha ter falado das paredes de vidro, até mesmo elas eram cobertas por tecidos.
Os ambientes com strippers eram divididos entre os dançarinos e as dançarinas, logo, a clientela acabava se dividindo bastante por sua preferência.
Definitivamente, não era um lugar para mim, mas eu fui à uma mesa que me permitisse ver o ambiente das strippers e os elevadores.
Identifiquei o soldado do meu grupamento numa mesa onde uma das moças da casa já se insinuavam enquanto conversando com ele.
Tomei o meu segundo drink e observei os clientes que subiam e desciam por cerca de meia hora. Em maioria, eles subiam acompanhados, mas nem todos.
Precisei ir na sorte, um mais velho qualquer que eu vi observar muito o elevador. Ele estava no bar, lugar onde todo mundo pode se encontrar.
Fui pedir minha bebida e puxei assunto.
Mais vinte minutos exaustivos onde eu, sim, fiquei entediado mesmo, mas já deveria fingir tédio para receber a ideia — acertei o alvo:
— Parece entediado... Não gosta disso?
— Tsc... ninguém entenderia — falei melancólico.
— Ah, eu entendo de muita coisa.
— Nem posso falar disso — suspirei.
— Aqui eles têm uns bons ambientes. Conhece?
— É a primeira vez que venho — falei. — Viajei por alguns anos e só voltei agora para a minha terra natal.
— Só precisa ser discreto — falou, sorrindo.
Fingi interesse na medida e fomos na direção das strippers onde ele tomou um dos elevadores. Perigoso demais, pensei comigo mesmo, mas ainda segui.
Ainda pareceu a mesma extensão de quartos que eu lembrava de estar no mapa com o adendo que um dos quartos era aberto e tinha um ‘mostruário’.
Eram crianças, meninos e meninas. Idades variadas, diria que, no máximo, treze anos. O ar quase me faltou ao ver aquilo, mas consegui me estabilizar.
— É só escolher. — O homem disse.
Eu tinha a descrição da menina e consegui ver a foto do momento em que sumiu. Foi difícil correr o olhar por eles, que imploravam em silêncio.
Tentei manter o sorriso no rosto enquanto passava por eles. Evitei olhar nos olhos para não perder a cabeça e acabei achando a menina.
Foi terrível me ver naquela posição, dando um passo em sua direção e lhe causando lágrimas de pavor.
— Um bom gosto... — O homem riu. — Eu já tenho a minha bonequinha... Divirta-se! — falou indo a outra.
Eu ainda estendi a mão, ela titubeou, mas pegou e eu a tomei no colo para ir na direção de um quarto.
— Tem que me ouvir, pequena. Presta muita atenção — sussurrei enquanto sentava nos pés da cama. — Eu vou te tirar daqui, mas tem que fazer o que peço.
Ela soluçou baixo e eu a abracei, enterrando sua cabeça em meu pescoço. Ainda fiz uma carícia nos cabelos, como cansei de fazer com a minha irmã.
Ajeitei-lhe para fitar seus olhos.
— Será perigoso, só agarra no meu pescoço e mantém o rosto escondido. Consegue confiar em mim?
Ela assentiu com a cabeça, amedrontada.
— Eu não vou te fazer sentir dor — sorri-lhe. — Eu me chamo Levi e seu pai disse que te ama! — Seu olhar lacrimejou e ela abaixou a cabeça.
Apenas respirei fundo. Levantei para sentá-la na cama. Era o segundo andar, um pouco distante do estacionamento, o que fazia não ser tão alto.
Ainda olhei pela janela e descer não seria difícil.
Voltei a olhar a mocinha e ela se despia, me olhando. “Merda!”, eu respirei fundo e me aproximei.
— Não, pequena... Não... — Meneei a cabeça.
— Não? — Ela soou confusa.
— Preciso que me ajude, é como uma brincadeira... vamos dar nós ali! — apontei ao cobertor do colchão e ela assentiu com a cabeça.
Fui rápido ao tirar o cobertor e ela me ajudou com os nós. O objetivo era prestar na atenção na bagunça que o militar faria lá embaixo.
Até pensava que seria difícil, mas confiava nos meus bons ouvidos. Nem precisei, foi uma bagunça muito maior, acompanhada de muita gritaria e três tiros — muito mais caos do que eu esperava.
— Vamos? — Eu a olhei e ela assentiu.
Amarrei o cobertor para descer. Os nós serviriam apenas como degrau, tornando aquilo mais fácil de fazer, principalmente para ela.
Assim que descemos, a peguei no colo e a envolvi. Como pedi, ela enterrou a cabeça em meu pescoço.
— Calma — falei antes de começar a correr.
Era a lateral do lugar. Dois minutos e eu chegava no carro. Eles não mantinham seguranças no lado de fora — o que deixou de ser só bom e se tornou suspeito.
Corroborava com a ideia que até os seguranças eram cativos. Observei o militar saindo, tinha uma das dançarinas, como refém. Cara de louco.
Ele me olhou e fingiu que não me conhecia, eu também fingi, mas apontei a um dos meus carros e ele assentiu com a cabeça.
Entrei no meu carro e o carinha deu partida.
— Mandei o militar ao carro três... Avisa — falei.
O segurança apenas assentiu e falou no rádio.
— Ainda vamos precisar correr — falei para a menina. — Continua segurando bem forte. Eu não vou deixar mais nada acontecer com você, tudo bem?
Ela assentiu com a cabeça e apertou.
— Você vai ficar bem. — Eu a abracei.
Eu tinha um colete abaixo do blusão, mas, mesmo se não tivesse, não conseguiria não fazer nada — o ruïm é que agora eu queria derrubar aquele lugar.