Capítulo 38. Silenciosamente

1004 Words
Al Tahoe, South Lake Tahoe, California Quase parecia improvisado, mas Levi pensava rápido. Tapava os possíveis furos no plano com uma precisão e velocidade difíceis de ver por aí — ele realmente nasceu para a coisa! Infelizmente, em campo, só poderíamos contar com a habidade do outro e com a capacidade de direção dos homens de Walter — essa era a parte merda do plano... Não teria nem um ensaio. Sem chance para errar. Levi dormiu no meu apartamento por toda a semana. Eu já tinha uma ideia dos pontos onde podia ficar para acompanhá-lo e a vida dele estaria na minha mão. Foi saindo do serviço na sexta-feira que ele avisou que o soldado entrou no clube. Precisei me mover rápido, acionei todo mundo que devia e peguei o rifle. Já tinha destacado uma boa moto para me adiantar ao meu lugar. Levi entraria no maldito clube e eu ficaria completamente alheia a esse trecho do plano — odiei, mas acatei. A posição dos carros era bem favorável. Al Tahoe era uma parte da cidade muito arborizada com uma mistura decente de estabelecimentos e domicílios. Foi possível esconder carros pelo bairro com certa facilidade. Não parecia haver algum agente fora daquele lugar — o que tornava se mover mais fácil. Precisava me aproveitar do relevo e da pouca cobertura que havia na direção contrária da Baía. Era bom e ruïm, só tinha que rezar para dar certo. A roupa ajudava com a camuflagem e mobilidade. Chegando no meu ponto, eu me sentei, recostada numa árvore para montar o rifle enquanto contava o passar do tempo — orando por Levi! Encaixei o silenciador, a luneta e me deitei para ficar de olho na direção da boate. Era silencioso, qualquer movimento próximo de mim era fácil. Principalmente considerando as folhas no chão. Como o presumido e atestado na semana, aquele quilômetro de campo aberto não tinha nenhum guarda ou segurança — não passou uma viva alma. — Sete mil... — Eu já estava ficando nervosa. Não existe nada pior do que o silêncio. — Sete mil e duzentos... Finalmente vi sinal de vida. Os faróis dos carros acendendo foram o sinal que o show começaria. Eles deram partida, foram de zero a cem muito rápido. Cerca de três tiros soaram e focando a atenção na direção da boate, observei o carro onde Levi estaria. Apenas um segurança do lugar saiu de moto. Mirei, respirando fundo. Ele atirou por mais duas vezes — o que ajudou para eu não perdê-lo da mira. Só disparei quando tive certeza que acertaria. A mira foi na direção da garganta, mais alto ou mais baixo, já ajudaria para uma boa hemorragia. Tão rápido na moto, ele apenas desequilibrou e caiu. Dava para ouvir perseguição dos outros carros. Uma nova moto ainda surgiu e eu procedi da mesma forma. Fui bem-sucedida e já me apressei, passei a bandoleira no ombro para pegar a moto. O carro de Levi já estava chegando na altura onde ele desceria e eu precisaria me apressar ao outro lado. Felizmente, haviam muitas casas. Era tão raro acontecer, mas eu me vi trêmula. Se atrasasse um minuto, ele poderia ter os miolos explodidos e, por Deus, eu jamais me perdoaria. Chegando do outro lado, eu só subi na primeira casa apagada que achei para me deitar e observá-lo. Duas outras motos já vinham ao longe. Tempo mais que suficiente para ele sair. Obviamente, atiraram e acabei me apressando para derrubá-los. Desperdicei uma munição — o que me deu raiva —, mas eles caíram. Sem sinais de mais homens chegando, eu desci rápido para me adiantar a frente de Levi. Não tinha como segui-lo de moto e algum carro falhou. Chegando do outro lado da área residencial, a cobertura florestal estava perto. Segui com a moto ao meio do mato e a deixei onde um segurança pegaria. Encontrei com Levi não muito depois. Ele carregava a menina no colo e ela mantinha a cabeça enterrada em seu pescoço. Não tive muito mais pressa para seguir com ele. Mantendo os olhos às nossas costas. Seria uma caminhada e tanto, se nosso carro se atrasasse. Alguns tiros soaram distantes, longe demais para nos preocuparmos. Sinal que a ideia dos muitos carros acabou funcionando mais do que esperávamos. — Como ‘tá, loiro? — Eu o perguntei. — Bem. Sem ferimentos. Ainda caminhamos por cerca de quinze minutos até encontrarmos o nosso carro. Apenas um segurança dirigia e ele não falou nada, tampouco nós. A menina estava seminua, muito suada. Chorou baixinho por toda a viagem, mas não conseguiu desgarrar do pescoço de Levi — talvez ainda estivesse muito apavorada para tal. O loiro também se manteve abraçado a pequena e eu achei até fofo. A viagem de carro foi rápida, chegamos numa cabana no meio do mato. Coisa de gente rica. — Chegamos... Tudo ficará bem. — Levi falou a menina enquanto saindo do carro. — Agora, você pode abrir os olhos. O perigo passou... Trêmula, ela ainda olhou ao redor. — Obrigado por confiar em mim. — Ele lhe sorriu. A mocinha ainda parecia perdida. Seguimos ao interior da casa e a equipe médica já estava mobilizada — montaram um hospital de campanha na sala. Uma médica se aproximou para pegar a menina, que ainda olhou para Levi, pedindo permissão. Ele assentiu com a cabeça e a menina seguiu aos médicos. Ele ainda ficou observando com tristeza, mas depois virou para sair da casa. Não tinha como não se comover, mas eu fiquei para acompanhar a mocinha. Não existe ser humano com estômago para ver aquelas lacerações e achar normal. Felizmente, o pai não estava presente — ele não merecia ver. Thompson chefiava a segurança da casa e se aproximou para me dar uma taça de vinho. Até ele tinha lágrimas nos olhos por aquela conquista. — Cheers! — Ergui a taça e lhe sorri. Ele apenas assentiu e saiu rápido — talvez fosse do tipo machão que não chora na frente de fêmeas.
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