Capítulo 37. Casualmente

1014 Words
Bijou, South Lake Tahoe, CA Obviamente, o dia de trabalho não foi tão bom. A cabeça estava mexida. Ainda precisei lidar com Van e não tinha a menor intenção de falar com ele para não me lembrar de Lindsay — o que era impossível. Ele não tinha culpa de ela ser louca, mas as coisas sempre se embolam bem fácil quando já estamos nos sentindo desequilibrados, mesmo minimamente. Felizmente, Van colaborou e não encheu o saco. Atendemos cerca de três ocorrências; brigas de bêbados, resumidamente. Já era errado beberem na rua, beberem para brigar era pior ainda. No fim do expediente, Natasha estava com a moto ao lado do meu carro. Vestia uma roupa mais casual que o habitual e, dessa vez, não estava fumando. — As pessoas falam... — Eu ri ao me aproximar. — Gosto quando falam de mim. É publicidade! — O que houve? — Eu me aproximei para beijar sua testa. — É uma visita um pouco... diferente... — Vamos à minha casa. — Foi breve. Apenas assenti para ir ao carro e a acompanhei até seu apartamento. Ela não explicou nada enquanto seguíamos e eu não perguntei — crendo haver sigilo. Levei a mão à arma quando vi o homem parado na porta. Natasha ainda segurou minha mão e disse: — Calma, loiro. É segurança do meu cliente. Tornei a assentir com a cabeça para medi-lo de cima a baixo. Natasha se aproximou com seu ar casual. — Demorei? — perguntei a ele. — Não, senhora. Ele já chegou, bastava você. Ela assentiu com a cabeça para abrir a porta e entrar. Convidou o homem após ele falar algo no rádio que tinha consigo — era apenas um segurança mesmo. — Se incomoda se tirar? — perguntei a Natasha. — Eu não. Acho é lindo de ver — brincou, rindo. Segui ao seu banheiro para tomar um banho e tirar a parte de cima da farda. O calor estava horrível! Sem modos, também tirei o coturno para ter os pés descalços no piso gelado — ajudaria como calor. — Hm... gosto assim... — Natasha riu. O tal homem já tinha chegado. Tinha o perfil de um morador de Bel-Air — nada contra ou a favor, só foi a impressão mais forte que me causou. — Policial? — Ele perguntou. — Sim, só agente de patrulha. Rodrigues. Levi. — Sou Walter. O que vocês têm? — Foi ansioso. — Vamos resgatar sua filha. O plano é todo do loiro — falou Natasha. — Eu já me movi para ter o veículo de fuga, ele é quem vai entrar. — Onde? — Um clube de strippers... casa noturna... e lugar com divertimentos esquisitos, se é que me entende. — Natasha respondeu enquanto segui ao sofá para sentar. O homem cerrou os punhos e respirou fundo. — Meus hom- — Sem homens. — Eu o interrompi. — Não sou do tipo herói ou algo similar. É uma situação delicada e estamos nos aproveitando de outra operação. Ele franziu o cenho. Tinha um segundo segurança que pareceu ultrajado, antes que levasse a mão à arma, eu apenas saquei a pistola para manter o olhar focado no tal cliente. Destravei para falar: — Não queremos ameaças aqui, não, senhor? O homem apenas olhou na direção do segurança que relaxou a postura, apesar de parecer incomodado. — Não temos uma data exata para agir porque precisamos esperar a outra parte se mover. Estamos monitorando cuidadosamente e podemos tirá-la. — Não tem garantias? — O esquentadinho riu. — Você tem? — Olhei-lhe de soslaio. — Meninos... — Natasha falou, respirando fundo. — No que sou necessário? — O cliente perguntou. — Depende do quanto é influente — respondi. — Mesmo que tentemos não fazer barulho, é impossível! Temos que extraí-la e já movê-la para receber cuidados. — Evito a imprensa com facilidade. — Ele disse. — É um bom primeiro passo. Aqui nós só temos um hospital. Não temos como saber se os agentes que ficam lá são confiáveis ainda... Recomendo uma casa. — Tirar ela daqui seria o mais sábio! — O esquentadinho falou. — Não pode considerar deixá-la- — Num primeiro momento, a melhor forma de esconder é no lugar mais óbvio. Se eles forem atrás, primeiramente vão buscar estaduais e tudo mais. — O loiro tem um ponto. — Natasha falou. — Podemos ter um segundo veículo, assim é possível que seus homens trabalhem para nos ajudar. — Podem ter dez, se quiserem! — O cliente arfou. — Então eu quero dez — falei. Até Natasha me olhou com surpresa. — Todos iguais até a placa. Consegue? — O modelo que quiser. — Ótimo. Mesmas tecnologias aplicadas. A ruiva já lidou com um carro, não!? — Olhei-lhe e ela assentiu. — Mostra para ele e recebemos outros, eu tenho rotas. — Menino... — Natasha riu. — Vamos fazer parte da fuga no carro e parte a pé. Sei como tirá-la... Seguir um pouco ao norte pode ajudar. Tem muita natureza, muita água, pouca gente. — Consigo a casa. — O cliente assentiu. — Ótimo. Uma equipe médica também, por favor. Ele assentiu com a cabeça e Natasha levantou para servir vinho. Fui até o computador dela para mostrar dez rotas diferentes no mapa. — Conseguem gravar? — perguntei. — Copiado. — O segurança mais velho disse. — Na prática, eu vou ao carro mais próximo da Baía. Três carros passam pela floresta, ali eu posso descer... circundo parte da Baía a pé. — Aí fica desprotegido. — Natasha se preocupou. — Você tem um rifle, não é!? — sorri-lhe. — Okay... entendi. — Ela assentiu. — Por que nessa direção? — O esquentadinho perguntou. — Ali deve ser uma parte dominada por eles. — Improvável. É um campo aberto em maioria. Se eles usam, é apenas para receber veículos. Não há sentido em manter homens ali. Muito exposto. — Observo pelos próximos dias. — No rio, eu apago as pegadas e saio em Tahoe Keys. Muita casa, muito mais exposição em meio a alguns poucos corpos d’água. É o ponto perfeito.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD