Capítulo 56. Protocolos

1007 Words
Long Island, Nova Iorque Tudo correu como o esperado. Lucas descansou na viagem e, ao descer do avião, era um novo homem. Trajava o personagem forte, homem de negócios. Seus passos fortes e confiantes eram muito marcantes desde os tempos de CEO — um de seus encantos. Fomos a um hotel luxuoso onde, numa das salas de conferência, já estavam um extenso grupo de acionistas — nitidamente, não era só uma empresa ali. Segundo o protocolo e fiquei em silêncio. Wallace e eu ficamos às costas dele, eu à direita e ele à esquerda. Houve um ponto onde os figurões foram a outra sala e foi o momento de todos nós, funcionários deles, ficarmos a sós naquela sala. Na prática, eu destoava de todos os seguranças, que eram todos muito forte e altos — verdadeiros armários —, isso os fazia me devorar com os olhos. Olha que nem estava tão provocativa assim... Tinha até um conhecido ou outro do submundo, dos mercenários e agentes de segurança, o que me facilitou para identificar quem era quem dos caras. — Fica extremamente elegante com essa postura! — Wallace elogiou, de repente. — É impressionante ver a mudança da secretária ‘pra... menina má! — riu. Eu estava de pé às suas costas. — Sou uma boa segurança, não!? — ri. — Além disso. — Ele me olhou sobre os ombros. — Vai manter a postura e ficar de pé até o fim disso? — Sim, é meu trabalho, senhor! — falei. Ele suspirou, mas não falou mais. Foi pouco mais de uma hora até recebermos o sinal de fim da reunião. — Agora, voltamos ‘pra perto da sala de reunião — falei em português e ele assentiu. — Os protocolos dele sempre envolvem partir de imediato. Wallace assentiu e me seguiu. Não tardou para Lucas sair, ele nos olhou em nossa direção e depois seguiu para a saída, sem gestos ou quaisquer palavras. Sinalizei para Wallace acompanhar e saímos. — Dispensa seu motorista e eu assumo — sugeri. Lucas só assentiu e o fez quando chegamos ao carro. O homem foi disponibilizado pelos homens da reunião em conjunto com o hotel. Nem conhecíamos. — Como se sente? — Wallace perguntou a Lucas, assim que entraram no carro, começando a mexer em sua bolsa para tirar o remédio dele. — Tranquilo. — Foi o que ele respondeu. Foram ambos nos bancos de trás para que o doutor fizesse suas breves análises com Lucas, antes de tomarmos um avião para partir. — Recomendo descanso nos próximos dias. — Wallace soou preocupado. — Uma sobrecarga de tarefas não é o ideal para você, Lucas. — Sim, senhor! — Ele assentiu. Olhando, estava recostado de olhos fechados enquanto ainda segurava a garrafa d’água. Os ombros já não exibiam tanta tensão, apesar de não estarem realmente exibindo relaxamento ou algo parecido. Ainda aguardei que estivéssemos no voo de volta para perguntar como foi e ele acabou nem me respondendo. Dormiu por toda a viagem. Chegamos no amanhecer. Tomamos o carro para voltar à casa de Lucas e encontramos os irmãos na sala de estar da casa, cada um dormindo em um sofá. Lucas acabou rindo ao vê-los. Tentamos ser silenciosos, mas eles logo acordaram, sentando rápido. — Calma, meninos... — Eu falei. — Somos nós! — Que coisa... — Levi suspirou. — Bom dia. Como estão? — Lucas lhes sorriu. — Bem, pai. Sua benção! — Levi se levantou e se aproximou dele para abraçá-lo. — O senhor está bem? Obviamente, pegou todo mundo de surpresa. Até Lucas que retribuiu o abraço em silêncio num primeiro momento e respirou fundo, mas se desvencilhou. — Vou ficar bem. Que Deus te faça feliz! — Lucas o respondeu. — Preciso de um banho. Aprontaram pela noite? — Ele riu, observando ambos. — Foram só umas cervejas. — Matheus riu. — Sua benção, meu pai. A mãe e a irmã ainda estão dormindo. Lucas assentiu, aguardou que Wallace se juntasse a ele para ambos subirem. Matheus acabou acompanhando, mas Levi veio em minha direção. — Uma palavrinha? — Ele pediu. — Dia, ruiva! — Dia, loiro. Como ‘cê ‘tá? — Bem... Bem... — Ele sorriu, seguindo à porta. Acompanhei e ele até se distanciou da casa. — Problemas, ‘né!? — perguntei desconfiada. — Acho que conheci a avó. — Ele parou perto do próprio carro, encostando no veículo e cruzando os braços, me olhando. — O irmão sugeriu falar contigo. — Cacetë! — Eu suspirei, meneando a cabeça. — Ela pareceu maluca. O que ocorre? — Ela é maluca! — afirmei. — Totalmente doida. Então, mantenha distância, tudo bem? — pedi. — Claro. — Ele assentiu com a cabeça, pensativo. — Atendemos um chamado ontem que culminou na morte de uma criança. Ela parecia muito a Chloe... Fiquei imediatamente preocupada. — Tudo aponta que é só coincidência, por ora, mas ainda acho importante você saber — sorriu. — Obrigada. Consegue manter um segredo? — Tenta... — Ele riu. — Alguns velhos contatos do seu pai estão se organizando aqui na Costa. Ele está investindo alguns milhares de dólares na segurança de Chloe e Sofia. — Sabe o porquê? — Sua avó reapareceu querendo dinheiro e ele tem motivos para crer que ela saiu do Brasil devendo alguma coisa a alguém. Ele está preocupado com isso. — Posso tirar a informação dela, se quiser — sugeriu, dando de ombros. — Ela me olhou como se estivesse reconhecendo alguém, além de mim. — Você é muito parecido com seu avô. A gente sempre falou. Se eu achar uma foto, tento te mostrar — ri. — A diferença é que o desgraçado era um puto. — A gente se aproveita disso, ruiva... — Odeio, mas é uma boa ideia. Podemos montar um esqueminha entre nós para eu te apresentar a parte dos rapazes que trabalham para o seu pai — sugeri. — Sabe que não gosto muito... — Sei disso, mas é só protocolar. Assim não atira neles ao perceber qualquer um seguindo sua irmã!
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