Bijou, South Lake Tahoe, CA
Acompanhamos os primeiros socorros da menina por alguns instantes, mas acabamos partindo assim que a minha moto chegou.
Desmontei o rifle para colocar no baú.
Levi estava sentado na entrada do lugar.
— Não é bom pensar muito, loiro. Vamos?
Ele me olhou e assentiu com a cabeça.
— Eu piloto — falei e ele manteve o silêncio.
Fui à casa dele e ele foi direto ao banho. Aproveitei o PC dele para pedir ao amigo nerd que buscasse por nós e nos apagasse de filmagens.
Aquele era um momento bastante ativo, ele me respondeu rápido. Estava preocupada com Levi e isso deve ter ficado evidente pelo olhar fixo no corredor.
Assim que saiu do banho, ele passou na sala.
— Sente fome? — perguntou.
O semblante estava meio apático.
— Não pode ficar assim, loiro.
— Estou absorvendo. Só isso! — Meneou a cabeça.
Eu me aproximei dele para observar seus olhos.
— Por que esse olhar azul não chora? — Acariciei seu rosto com um sorriso amarelo. — Pode fazer bem...
— Deviam ter trinta ou mais... — Ele respirou fundo. — Meninos, meninas... Ainda vi um filho da putä pegar uma delas e ir para o quarto.
Abracei sua cintura para guiá-lo ao quarto, à cama. Foi o mais direto convite que eu já fiz para lhe estender o braço e deixá-lo deitar comigo.
Seu corpo estava um pouco trêmulo.
— A gente segue, loiro. — Acariciei seus cabelos.
— Difícil eu conseguir entrar de novo — riu.
— Pintamos seu cabelo de preto, a barba e tudo mais. Só esse olhar que é difícil de esconder... Pelo menos, eu reconheceria até com lente! — brinquei.
— Exagerada.
— Um pouco, mas é para você relaxar — ri. — Eu te faço dormir hoje, então pode ficar tranquilo...
Envolvido em minha cintura, ele enterrou a cabeça em meus seiös para realmente fechar os olhos.
Ainda respirava fundo por algumas vezes. Não era só calorento, mas tinha o corpo muito quente — o que aplacou o frio da noite e me fez dormir.
Foi uma noite boa para mim. Nem podia crer que realmente tiramos a menina daquele inferno — isso era um passo significante para lidar com os outros.
Acordei cedo e Levi ainda estava na cama, mas olhava para o teto. Eu me movi para deixar claro que estava desperta e ele me olhou, sorrindo.
— Bom dia, loiro.
— Dia, ruiva.
— Descansou bem? — Eu me preocupei.
— Tive uma noite muito perturbada por meus demônios, mas eu vou ficar bem! — sorriu. — Ela me acusou de dopar a criança para abusar dela...
— Q-quem? — Lesada, eu fiquei surpresa.
— Lindsay.
— Ah, sim... em Sacramento, soube — assenti.
— Falei para a menina que ajudaria e ela ainda foi no automático, começou a se despir. Que porrä de mundo é esse!? — Ele respirou fundo.
— É um mundo de merda, loiro...
— O soldado saiu... pegou um dos nossos carros, fez uma dançarina de refém. — Ele voltou a olhar para o teto. — Acho que vão me sequestrar de novo — riu.
— Se isso continuar, eu vou matar seu superior.
— Não tem necessidade. É para testar disciplina, um bom treino para os nervos. — Ele deu de ombros.
— Não, loiro. Seu pai não está bem. Se continuar, não duvida do que ele pode fazer. Sei que não dá para falar com seu superior, mas não é bom eles repetirem.
— O que tem o pai? — Ele se preocupou.
— Apenas muito estresse. Essa historinha com a loira mexeu um pouquinho com ele e não é bom mexer um pouquinho com a porrä do dono do hospício.
— Quê!? — Ele franziu o cenho.
— Seu pai já foi meu chefe e chefe de muita gente que não é boa. Ele largou essa vida, mas ainda tem o gênio ruim... não é bom colocar à prova.
— Vou conversar com ele. Matheus veio — sorriu. — Fazia um tempo... Estou pensando em fazer algo para gente bater papo, beber, comer... sabe?
— Pode ser bom. Junta com seu pai.
— É bom...
— Tiro sua mãe e sua irmã! — sorriu.
— Posso te pedir algo?
— Depende. Estou tentando não transär com você, então não me tente — brinquei, rindo. — Minha carne é fraca para caralhö!
Ele acabou rindo também.
— A mãe está passando por maus bocados, eu acho. Parece muito preocupada e avoada. Eu... não sou bom em... falar com ela, sabe!? — Acanhou-se. — Seria bom que ela conversasse com alguém.
— Provavelmente ela precisa mesmo — assenti.
— Obrigado, ruiva.
— Não agradece, pequeno.
— Não é estranho que vive dando em cima de mim e ainda me chama de pequeno? — Ele riu.
— Sou papa-anjo, loiro — dei de ombros.
— Claro! — Ele gargalhou.
— Iniciamos o nosso dia. — Fitei seus olhos.
Ele também me observou. Estávamos muito próximos e o alerta soou na minha cabeça. Eu me afastei e ele entendeu o sinal rápido, se levantou.
— Vou ao banho. Pode pedir o café — sugeriu.
— É bom... — assenti com a cabeça.
Ainda fiquei observando-o seguir para fora do quarto. Só de olhar aquelas costas, eu senti um tesäo da porrä! Arfei e me levantei para ir ao telefone dele.
Se era para pedir, talvez ele tivesse alguma opção.
Mexendo no telefone, deu para ver as várias ligações perdidas de números diferentes. Surtada, a loira até mandou foto pelada.
“Sei que gosta!”, era o que dizia a maioria. “Volta para mim e eu não conto que você me machucou...”; “Só eu vou te aceitar como é e resistir a você”
Coisa de maluca mesmo.
Sempre fui muito de boa, muito calma. Tudo sempre foi muito calculado na minha vida, mas ver aquilo me fez sentir raiva e uma raiva muito genuína.