Lake Valley, South Lake Tahoe, CA
A cozinha acabou ficando mais esquentando muito, mas conseguimos ter nosso café da manhã com certa normalidade — apesar do azul olhar de Levi tentar me devorar a cada instante... não vou mentir, gostei.
Ainda tentei parar com a provocação, apenas mantive o sorriso de canto de boca enquanto comi. Lembrando que minha provocação, que era muito profissional, resultou naquela noite, pensei que estávamos avançando.
Claro, ignorando o fato que eu fui muito mais provocativa por muito mais tempo naquela noite do que na manhã, mas ele ainda merecia o crédito por não avançar em cima de mim.
— Hoje eu trabalho... Estarei em casa pela noite, se decidir arrumar problema por aí, sabe onde me encontrar. — Levi falou ao fim da refeição.
— Só devo colher os frutos da minha amizade com Bea. Farei isso pelo dia. Ainda não tenho planos para a noite e espero não receber nenhum.
— Tenho que me adiantar, ruiva.
Apenas lhe sorri de canto de boca. Ele arfou, mas apenas saiu. Obviamente, caí na risada quando ele saiu.
Servi mais uma dose de café para ir à janela da sala observá-lo sair. Não vi seu carro, o que estranhei, mas ficou claro que ele tomaria um táxi ao parar.
A rua estava vazia quando um furgão preto parou na frente do loiro. Dois homens saíram enquanto um terceiro apenas apontou o cano de um fuzil para ele.
Ainda o vi erguer as mãos, mas corri disparada para pegar meu rifle. Estava desmontado, mas eu podia montá-lo em cerca de três minutos — meu recorde.
Voltando, ainda o vi sendo colocado no carro.
— Merda! — esbravejei, desistindo do rifle.
Ainda usei a luneta para observar os detalhes do carro. Um utilitário, daqueles que família de classe média usam, sem placa ou qualquer identificação.
Os homens eram fortes e isso era o máximo de informação que eu tinha sobre aquilo. Corri ao meu telefone para ligar ao meu nerd do submundo.
— Cedo demais... — Foi como ele me atendeu.
— Preciso que rastreie um telefone, se der.
— Tento... onde eu te encontro?
— Não tem tempo para isso, porrä!
— O-okay... — Ele bocejou.
“Putä merda!”, xinguei mentalmente.
— Vou te enviar o que tenho do telefone.
Desliguei a ligação e corri ao PC para enviar o pouco que eu tinha sobre o telefone de Levi. Até tinha planos para o dia, mas acabei não fazendo nada.
O maldito nerd não conseguiu localizá-lo e essa notícia desanimadora me fez tomar a moto para sair.
O plano era simples: oferecer uma recompensa milionário no submundo para quem o encontrasse e o trouxesse com vida — isso não costumava falhar.
Passando pela delegacia, cerca de duas da tarde, Levi estava saindo com um semblante bem natural.
Estava fardado, apenas um oficial qualquer.
Freei a moto bruscamente e corri em sua direção. Levi apenas sorriu ao me ver com uma naturalidade que me deu vontade de chutar o saco dele.
— Está louco!? — perguntei.
— Oi, ruiva! — Ele sorriu e se aproximou para beijar minha testa. — O que houve? Teve problemas?
Ele fitou meus olhos, quase tentando falar algo.
— E-eu... tive um sonho horrível! — falei alto.
Levi apenas riu e me abraçou.
— Estou bem, ruiva... Vai para casa! — sussurrou em meu ouvido. — Podemos nos ver mais tarde, okay?
Vi uma marca fina em seu pescoço, mas não indaguei. Assenti e ele beijou minha testa para falar:
— Toma cuidado. Respeite o limite de velocidade!
— C-claro — assenti com a cabeça. Aturdida.
Ele me acompanhou por parte do caminho até a moto, mas desviou para ir na direção de uma viatura.
Obviamente, meu trabalho pelo dia foi persegui-lo. O lado ruïm de ele fazer ronda é que eu nem podia disfarçar o fato de que o estava seguindo.
A moto não era barulhenta, o que ajudava, mas qualquer olhar atento repararia — imprudente, eu sei.
Não comi, nem bebi água durante o dia.
Eram quase onze da noite quando Levi saiu. Só parei a moto na entrada e ele riu quando me viu.
Pôs a mão na altura do estômago, parecendo reclamar de dor, mas ainda se aproximou e beijou minha testa novamente para dizer:
— Boa noite, ruiva.
— Sobe! — falei.
— Minha casa? — Ele pediu.
— Tudo bem.
— P-pode ir não muito rápido?
Estranhei o pedido, olhando-o sobre os ombros, mas não perguntei. Apenas segui o caminho com certa prudência até o estacionamento de seu prédio.
— Ah, que merda! — reclamou ao descer da moto.
— Sente dor?
— Um pouco... Uma aspirina resolve — falou.
— O que houve, loiro?
— Nada que precise se preocupar. Vamos?
Parecia o pai desconversando e eu realmente odiava esse maldito hábito. Subi ao seu lado e ainda ofereci ajuda quando ele pareceu sentir dor demais.
Contudo, eu estava realmente revoltada.
Ao entrarmos em seu apê, ele seguiu direto ao sofá, tirando a blusa para se deitar. Reclamou novamente de dor ao deitar, mas nada falou.
Tinha marcas de queimadura nas costas, como se um ferro quente tivesse encostado. Não era a pior das queimaduras, mas também não era bom.
— Que porrä é essa? — Eu me aproximei rápido.
— A quebra da restrição.
— Por isso o pescoço... — Engoli seco.
Observei o pescoço e a fina marca ainda estava lá. Fiz uma carícia no lugar, como se um carinho pudesse curar, e corri até seu banheiro.
Procurei igual uma louca pelos armários até encontrar a mala de primeiros socorros para deixar tudo separado sobre a pia.
Voltei à sala e ele ainda estava deitado.
— Ei, vamos ao banho! — Eu o chamei.
Parecia ter cochilado, mas se assustou comigo chamando. Eu me aproximei para acariciá-lo e ele apenas sorriu, mas aceitou ajuda para sentar.
Levi era bem branco, era fácil marcá-lo e o tórax, na altura do estômago, tinha uma roxidão horrível!