Capítulo 36. Possíveis Recaídas...

1012 Words
San Andreas, Calaveras, CA — O que manda hoje? — Digo tinha a voz meio chapadinha no telefone, talvez fosse um dia de festa. — Soube que encontrou Lucas. Onde você 'tá, Digo? — San Andreas. Ainda não saí. — Estou chegando — desliguei. Após deixar Lucas, voltei no apê para pegar o rifle e fiz o mesmo esquema de sempre: fui ao segundo apê com a moto pessoal para pegar a moto de trabalho. Foi uma viagem de três horas onde não tive pressa. O ponto onde Digo ficava, quando estava em San Andreas, era só uma casinha de classe média. Era até ajeitadinho e não tinha homens armados, nem nada dessas coisas para chamar atenção desnecessária. Ele aprendeu bem como esconder as próprias sujeiras — os Estados Unidos eram muito mais vigilantes do que o Brasil. O bairro era o típico quarteirão americano com casas iguais. Não tinha saída no fim da rua, mas um enorme terreno baldio — que tinha de tudo na noite. Assim que parei na porta da casa dele, a porta abriu e eu só precisei entrar. Ele estava com os olhos pequeninos e bem vermelhos. Digo devia ter minha idade, era pardo e não mudou muito desde os anos em que aprontávamos no Brasil — com exceção dos assumidos cabelos brancos. — Que isso! — brinquei e ele riu. — Senta aí, ‘pô. O que houve? — Ele realmente pediu a cabeça da loira? — Fechei a porta para me sentar no sofá. — Quanto? — Trezentos mil dólares in cash... — Caralho... Já mandou alguém? — arfei. — Já tem gente vigiando, mas quem vai pegar sou eu. Vou levar no inferninho em Sacramento. ‘Tô precisando desestressar — sorriu de canto de boca. — O que houve? Algum interesse na mocinha? — Não pode derrubar ela, ainda. — Meneei a cabeça. — É a segunda tentativa de atingir o Levi, se ela cai será evidentemente vingança. — Relaxa. Ela vai demorar para morrer — riu. — Ele explicou a situação e eu sei disso, sou tão novato quanto você nisso — ironizou e acabei rindo. — De boa. — Não se preocupa. Como eles estão? — Lucas ‘tá pilhado, ‘né!? — dei de ombros. — Sofia deve estar alheia, coitada. Se bem que é melhor assim, vai que ela também tem um surto assassino. Digo acabou rindo e eu também — de nervoso! — Ele usou algo? — Fiquei mais séria. — Não e nem ofereci. — Obrigada! — suspirei aliviada. — Recaída? — Ele se preocupou. — Ainda não... — Motivo extra para trabalhar com a loira — sorriu. — Enfim, soube que a coisa com o chefinho não andou, mas pedi para ficarem de olho no nome dele. — Valeu. Isso ajuda! — Quer ficar chapadinha? — sorriu de canto de boca, já tirando um baseado do maço de cigarros. Acabei mudando a posição no sofá e o ajudei a acender. Qualquer coisa de acalmar ajudaria bastante a diluir o resto da minha preocupação. — Dominicanos e russos. Sabe de algo? — arguí. — Devo agir contra a branquinha... do puteiro. — Peixe grande... — Ele arregalou os olhos, me olhando. — Com dominicanos... — Ele franziu o cenho. — Sim, sei de uma parceria para mover gente da América Central por aí... pelo mar, claro. — O melhor lugar para sumir com criança é por lá. Não sei de nada, mas não deve ser difícil achar... é a agência? — perguntou e assenti. — Dou uma olhada. — Valeu! — sorri-lhe. — Ele também pediu segurança extra para a menina. O que está rolando? — perguntou desconfiado. — Para a pequena? — Franzi o cenho. — Pois é. Já paga uma fortuna e pediu mais gente. Que guerra é essa que eu não fiquei sabendo? — N-não sei... — Meneei a cabeça. — Se souber, avisa que eu acabo com ela — riu. — Esse caos com Levi está revirando a cabeça dele — suspirei, engolindo seco. — Desgosto... Acabamos silenciando. A onda bateu e eu acabei pernoitando por lá mesmo. Acordei cedo com as putas dele chegando para cuidar da casa. Eram lindas, usavam pouca roupa. Estávamos largados no mesmo sofá, mas eu me levantei para ir ao banheiro jogar uma água no rosto. — Nem vou ficar para comer... Tenho trabalho! — falei para ele que apenas assentiu e se aproximou para beijar minha testa. — Fica bem, meu irmão. — Você também. Voltei à moto para fazer a minha enorme viagem de volta. Ainda estava um pouco alta, a qualidade da droga dele era muito boa — era até um pecado. Chegando em casa, eu só fui ao meu banho. Tinha os muitos cuidados do dia e já precisava deixar minha parte do plano bem trabalhada. Arrumei um carro grande com um bom motor e boa blindagem. Não seria nem um pouco sutil, mas ainda era pensado em socorrer uma criança. Seríamos dois e teríamos o máximo de armas possível conosco. Conhecedora dos velhos caveirões, que eu já não via há anos, consegui improvisar algo para que Levi ainda tivesse um bom ponto para atirar da janela. Perigoso demais, claro, mas eu não poderia ajudar muito em meio a fuga. Já destaquei um kitzinho bem básico de primeiros socorros. O mais importante dos itens: morfina, era algo que não poderia faltar. Afinal, se tudo desse errado, seria melhor desacordar a menina a lidar com histeria. Era nova e magra, uma porrada podia matá-la! Eram cerca de quatro da tarde quando Walter contatou, avisando que estaria chegando às onze. Receberia no meu apê para ajudar com o anonimato. Talvez ele tenha sido o único cliente que acabou estando em lugares pessoais demais para mim — mas, eu acho que já estava envolvida demais naquilo. Esperei às oito para me arrumar, pensando em buscar Levi no trabalho. Um dos seguranças de Walter chegou primeiro e não me incomodei em deixá-lo plantado na porta da minha casa. Se entrasse, o sistema de segurança me avisaria.
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