Capítulo 57. Estragando Tudo...

1017 Words
Al Tahoe, South Lake Tahoe, California — Não sei se considerará uma boa notícia, mas a nossa pequena Jane Doe já estava fadada a morte — dizia o perito enquanto eu o observava. — O que ela tinha? — Uma Jane Doe frágil. Já diabética tão jovem, a vida sexuäl deixou fortes traumas e doenças no corpo... sem contar a condição física como um todo. Ele se moveu em direção ao seu monitor. — Não quero ver. — Meneei a cabeça. — Não estou bem para isso, doutor. Algo que é realmente relevante para o meu trabalho agora? — Sim. — Ele assentiu com a cabeça. Foi à mesa onde estavam alguns arquivos e pegou parte das pastas para me dar, falando: — Não é a primeira Jane Doe que lidamos com essas características. Há rastros de uma potente heroína... algo único no mercado das drogas. — Isso são os outros? — perguntei, sem olhar. — Não todos, mas os que já chegaram a cogitar suspeitos. Há uma série de outros que não levou a suspeito algum e, infelizmente, foram fechados. — Entendo... Vou estudar com calma — assenti. — Descanse, soldado! Os ombros estão tensos — falou. — Se precisar de um dia em casa, não se faça de rogado e tire esse dia. Isso evitará erros fatais. Apenas assenti com a cabeça, apesar de estar confiante o suficiente que eu não vacilaria em momento algum — eu nem tinha o porquê. Era o fim do meu expediente. Naquele dia, eu tive um bom início de dia. Toda a família se reuniu para o café da manhã — confesso que eu sentia saudade daquilo e só percebi na hora. Depois da refeição com todos, saí com Matheus e Natasha, deixei Matheus na minha casa e Natasha na casa dela. A gente acabou se amassando no carro. Ela provocou e, como habitual, eu caí. Não foi ruïm, mas ela ainda reprovou o comportamento depois de se aproveitar de mim, falando que eu deveria resistir mais. “Como?”, era o pensamento para aquilo. O expediente foi tranquilo. Van não foi e era compreensível que, após ver a morte da menina, ele precisasse de um dia de guarda para o filho. Imagino que, no lugar dele, eu construiria uma fortaleza fortemente armada em pouco tempo apenas para garantir que meu filho ficaria seguro. Enfim, sozinho, meu dia foi mais tranquilo que o habitual. O único som que podia me tirar dos nervos era a Central chamando no rádio, mas as ocasiões para as quais fui chamado foram muito corriqueiras. Brigas; jovens bagunceiros; bêbados... O de sempre. Tive com o perito ao fim e fui para casa com uma boa sensação que nem tudo estava perdido; que, de alguma forma, eu ainda podia fazer algo por alguém. Ao lado da minha vaga no estacionamento, na garagem do meu prédio, Natasha estava na moto. Vestia o catsuit e segurava uma bonita taça de vinho. Após estacionar, olhei e ela deu um belo sorriso. Foi a primeira vez que senti a sensação ansiosa de ter o corpo reagindo diferente a ela. Nem posso dizer que ainda não tinha acontecido, mas eu percebi. Como se o ar faltasse por um instante, só observá-la me fez arfar. As batidas no peito perderam o ritmo por alguns instantes e eu só meneei a cabeça. Ela não se moveu de onde estava, mantendo o olhar afixado em mim. Respirei fundo por algumas vezes e consegui deixar o carro. — Não está bem, loiro? — Ela sorriu. — Tenho certeza que não deveria estar na garagem do meu prédio — repreendi, olhando ao redor na garagem vazia — e ainda bebendo! — Quem vai me prender? Você? — Seu olhar ficou lascivo, como só ela sabia fazer, tornou a chacoalhar meu íntimo e a remoção de ar foi mais forte. — Ruiva... ajuda... O que acha? — pedi. — Estou ajudando. — Ela estendeu a taça ao alto, na direção de uma luz e balançou o vinho. — Soube que essa foi a pedida com a minha amiga... Vinho. — Foram rápidas, hein! — ri surpreso, seguindo a sua frente e parando com certa distância. — O que houve? Ela está bem? Você está bem? — Estou feliz — sorriu. — Você provavelmente apaixonou minha amiga, mas eu fico muito feliz que tenha conseguido ter um bom momento com ela. Confesso que não soube o que sentir quanto àquilo naquele momento. Era bom realmente ou ela estava sendo irônica e eu tapado... o mais provável. — Que cara é essa? — Ela riu. — Não sei se é bom. — É um elogio, não, seu bobo? — Quando gozei para ela... eu estava pensando em você. — A memória chegou a me fazer arrepiar. — Isso me faz sentir um cafajeste horrível! — suspirei. Ela foi sutil, mas fugiu o olhar de mim. — Não sei bem se... Acho que... — Meneei a cabeça, respirando fundo. — D-desculpa, ruiva. — Eu me aproximei para beijá-la com a saudade que eu tinha. — L-loiro. — Ela não negou o beijo, mas ainda interrompeu, pousando a mão em meu peito e fitando meus olhos com certa apreensão. — E-eu vim... Não consegui me impedir e voltei a beijá-la. Envolvi sua cintura e ela acabou gemendo baixo. O corpo chegou a arrepiar, meramente por ouvi-la. — Foi pensando nesse gemido... — Beijei o canto de sua boca. — Pensando nesse corpo... — Acariciei suas costas e pousei as mãos em sua cintura. — Menino! — Ela riu. A maquiagem era sutil demais para esconder o rubor se espalhando rápido por seu rosto. O olhar verde, comumente forte, ficou rapidamente frágil. — D-desculpa, ruiva. Acho que... — Você não vai falar isso! — Ela ficou mais séria. Soou impositora e me olhou da mesma forma. — Estou estragando tudo. — Respirei fundo. — Está mesmo! — Ela assentiu rápido. Pousei uma das mãos em seu rosto para fitar sua boca, tentando apenas guardar a memória daquela boca num canto especial da minha mente. — V-vamos? — convidei ao fim.
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