Capítulo 29.Castigo

1012 Words
— É bom começar a falar! — A voz era de um homem e eu desconhecia. Ele deu um forte soco na boca do meu estômago, me fazendo tossir muito. “Merda!”, era só o que eu pensava. Não tinha motivos, não cometi erro nenhum para realmente estar naquela situação. A primeira ideia é sempre a pior: os filhos da putä armaram para mim! Mesmo após muito tossir, mantive o silêncio e outro soco veio... depois outro. Não precisou de muitos para a dor do soco parecer espalhar pelo corpo. Trinquei os dentes, sentindo todo o corpo tremular, mas ainda concentrei para que a reação do corpo à dor não resolvesse simplesmente me matar. — É um rosto novo, loiro! — Uma outra voz, de um óbvio homem mais novo, soou. — Quem te mandou? — Policiais do seu tipo sempre adoram salvar moças indefesas. — O primeiro riu. — Pode trazer. Soltei todo o ar dos pulmões, odiando a ideia. Os braços estavam amarrados nas costas e eu estava sentado numa pequena cadeira sem encosto. Extremamente desconfortável... — Não, não, por favor! — Soou a desesperada voz de uma mulher. — E-eu não conheço esse homem! — Não é sobre conhecer... — Uma porrada soou e a mulher gritou. — É porque a gente quer — gargalhou. “Merda!”, arfei, cerrando os punhos. — Sei que não é mudo. — O mais velho disse. — O que quer? — perguntei, mantendo a calma. — Quem é você e quem mandou você aqui? — Levi Rodrigues Della Cruz. Nascido em South Lake Tahoe, California — resumi e outro soco chegou. Alguém me impediu de cair da cadeira. — Não parece disposto a falar — disse o mais velho. — Matamos a putä, mas ela vai gritar muito antes. — Não! — A mulher gritou. Senti a carne do corpo tremer, mas apenas respirei fundo e abaixei a cabeça. Já estava vendado, então não faria diferença abrir ou fechar os olhos. Os gritos da mulher tocaram meus nervos. Em dado momento, só podia ouvi-la em acordo com as batidas do meu próprio coração que, agitado demais, implorava para eu fazer algo. Não podia comprometer minha missão ou minha família, logo, precisava suportar aquilo ao máximo. Após muito grito, ouvi o som de um tiro e a voz da mulher silenciou. A aproximação de algo quente às minhas costas me fez afastar automaticamente. Não deu para fugir e senti a superfície quente queimar. Fui breve, mas pareceu eterno — não deu para conter os muitos gritos e xingamentos. Fiquei mais ofegante, mas precisava me motivar. Pensei em todos: a mãe e o pai, meus irmãos, Natasha... A missão seria comprometida se eu falasse, o que significada que, se eu morresse, deixaria o pior dos legados para trás: um legado de traição e covardia. Foi motivação suficiente. Eles queimaram outras duas vezes até o homem mais velho voltar a falar: — Apagamos o desgraçado! Um fino fio envolveu minha garganta e apertou. — Não devia ser assim — disse o mais jovem, se mostrando como meu algoz. — Ainda pode aceitar falar. “Lastimável...”, foi só o que se passou na minha cabeça. Definitivamente, eu me sentia decepcionado. A asfixia iniciou rápido — já estava com a cabeça coberta — e a dor do fio pressionando contra minha garganta apenas colaborava para a piora. Precisei combater toda a vontade de simplesmente tentar lutar, esperando que fosse apenas uma forma de assustar, me apagar e me manter preso. Se ficasse em cativeiro, eu poderia sair. Claro, a agonia me preencheu com uma ausência de esperança que eu nunca senti antes. Mentalmente, eu me perguntava em que momento eu errei. Nem sequer ousei fazer nada que me deixasse sob suspeição de qualquer um — isso podia indicar um comprometimento no próprio Exército... era péssimo! Já estava me sentindo apagar quando ouvi a porta abrir. Imediatamente o fio afrouxou. Estranhei, mas só consegui me concentrar em tentar reaver o ar. Algumas palmas soaram e um homem falou: — Saiam! A voz era do major — me fez sentir alívio e raiva. Pude ouvir tantos passos que mais me pareceu haver um batalhão inteiro me cercando — desgraça! — Impressionante! — Ele tirou o tecido que cobria meu rosto. — Simplesmente impressionante, soldado... Ele me circundou para me soltar. Foi difícil levantar, mas eu lhe prestei continência ao conseguir. — Foi condenado, Della Cruz... — O major fitou meus olhos. — Consegue imaginar que erro cometeu? — Quebrei a restrição ao ir para Vegas — respondi com a primeira coisa que me veio em mente. — Exatamente. — Ele assentiu com a cabeça. — Nem vou levantar o fato de essa quebra da restrição estar ligada a um encontro com pessoas... diferentes. — Uma extensão do trabalho, senhor — assenti. — Atestei o comprometimento de alguns policiais, mas ainda não sei o quanto estão ligados à minha missão. Ele levantou uma sobrancelha. Tirou o banco onde eu estava para se sentar e me convidou a sentar. — Mais do que um passeio... — Ele falou. — Sim. — Atendi ao pedido e sentei no chão. — A punição ainda é válida, mas a postura me agradou muito. A lealdade é um valor que pode levá-lo muito longe, soldado! — Soou como um conselheiro. — E-eu... quanto tempo passou? — Franzi o cenho. — Pouco, talvez só quatro horas — deu de ombros. — Eu te deixarei na frente da igreja e você segue ao departamento de polícia a pé, certo, soldado? — Sim, senhor. — Entregue os rostos ao perito e veremos o que fazemos. É um avanço rápido e eficiente. Parabéns! — elogiou e eu acabei levantando para a continência. — Alguma nova ordem, senhor? — Nenhuma. — Há alguma forma de eu notificar uma saída? — perguntei, pensando em evitar que aquilo repetisse. — Esse é um evento que só ocorre nessa vez, Rodrigues! — Ele sorriu de canto de boca. — As punições variarão, mas sempre virão... Cuidado com isso.
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