Tahoe Valley, South Lake Tahoe, CA
— Não veio me levar em casa porque está com saudade! — Lauren era o nome da recepcionista.
Tinha vinte e oito, no máximo. Mais alta que eu e muito esbelta, cursou Medicina e não precisava estar naquela recepção, mas os pais não deixavam viajar.
Até onde eu sabia, ela queria ir à Cruz Vermelha, mas os pais condenavam essa ideia com todas as suas forças — natural, era só medo de perder a filha.
Não era só bonita, mas inteligente e reservada — alguém que, com certeza, podia ser o tipo de Levi.
Encontrei com ela no fim de seu turno, em meio a madrugada, e me ofereci para pagar o táxi até sua casa — já saí sem moto ou carro com esse intuito.
— Não... — Eu meneei a cabeça, rindo.
— Hm... não vai me envolver em nada estranho de novo, vai!? — Ela franziu o cenho. — Você é terrível!
Apenas ri enquanto pegando meu telefone para mostrar uma foto de Levi — era fácil encontrar no perfil de Sofia, que não cansava de postar foto dos filhos!
— É sobre ele... — Dei-lhe o telefone.
— O homem do bebê!? — Ela arregalou os olhos.
— Homem do bebê!? — gargalhei.
— S-sim. Soube que ele ajudou a salvar uma criança. Brigou com a mãe da criança, pelo que eu vi. O negócio foi feio... saiu bem chateado do hospital.
— Sei. Era um soldado em missão internacional. A loira decidiu transär com o melhor amigo dele. Daí nasceu a criança e ele descobriu nesse dia — falei.
— Nossa! — Ela franziu o cenho. — Vadiä!
— Ah, você não tem ideia! — gargalhei. — Ele achou que iria reatar naquele dia e ela não se dignou a falar que estava morando com o amigo dele...
— Estaria péssima... — Seu semblante se chateou.
— Sei que sim, linda! Quem não estaria, ‘né!?
— Pois é... O que tem ele? — Ela deu zoom na foto para prestar atenção nos detalhes, não conseguindo ignorar o colar com a aliança. — Uma aliança?
— Sim, ele ainda usava a aliança e colocou a aliança que ela devolveu num colar. Não acreditava que não conseguiria reconquistá-la ao voltar.
— Um romântico — riu. — Isso é muito raro!
— É filho do meu melhor amigo... e está sendo cruelmente acusado de tentar matar aquele bebê — menti, emulando meu semblante mais triste.
— Tentar matar!? — Ela se sobressaltou.
— Parece que a ex-noiva quer realmente destruir a vida dele. Por isso vim até você. — Ajeitei seu cabelo.
Lauren era um doce. Totalmente hétero, nunca consegui um beijo porque realmente não era sua praia.
Isso me fez mudar os planos quanto a ela e eu sempre a usava para me aproximar de supostos bons homens — ela sempre me ajudava a atestar índoles.
Dessa vez, seria premiada!
— Quer que eu o encontre? — Ela suspirou.
— Não só que o encontre. Dessa vez, não quero que trabalhe necessariamente. Ele é um homem muito bom, você pode só aproveitar um bom encontro...
Ela me olhou com desconfiança.
— Já falei, é filho do meu melhor amigo.
Virei para fitar seus olhos, usando toda a minha honestidade — deixando a personagem safada de lado.
— Precisarei de algo depois, sim, mas não tem relação com isso. É bom ele conhecer uma boa pessoa. Não precisa dar em algo, ele só precisa saber que existe.
— Entendo... — Ela assentiu com a cabeça, me devolvendo o telefone. — Estamos falando de quando?
— Amanhã. Provavelmente à noite, já que ele passará o dia na companhia da irmã mais nova.
— Como será? Ele me liga, eu ligo para ele... Ele me busca em algum lugar, tipo programa de tevê — riu.
— Ele te busca, tipo programa de tevê. Não sei se ele conseguiria deixar sua timidez de lado para ligar, mas precisando ir, ele não te daria um bolo também.
— Nossa! Parece uma armadilha — gargalhou.
— É uma armadilha para o loiro! — sorri com muita malícia. — Você queria se especializar em saúde mental, não é!? Ele é uma boa cobaia...
— Que horror! — Ela franziu o cenho. — Quero muitas coisas, mas não posso nenhuma — deu de ombros com chateação no semblante.
— Já pensou que está se deixando desperdiçar ficando na recepção? — perguntei, levantando uma sobrancelha. — Tipo, é só uma ideia...
— Sei que é idiotä, mas eu queria realmente sair.
— Já pensou que você já é maior de idade e pode sair a qualquer momento!? — ironizei, rindo.
— Claro que sim! — Ela deu língua para mim, como uma criança. — Só não conseguiria ir sabendo que eu decepcionaria os meus pais profundamente.
— Hm... eles sabem como te manipular, entendi.
— Exato! — arfou. — Meu pai ainda é cabeça-dura demais. Estar em casa ajuda. Ele odeia hospitais e essas coisas, mas já não está na idade mais saudável dele!
— Você é uma ótima filha! — ri.
— Você é rebelde demais! — retrucou.
— Também! — dei de ombros.
A viagem seguiu com fofocas alheias.
Eu a deixei em casa e segui ao meu apartamento.
Precisaria iniciar um contato com Bea e já tinha ideia do que fazer, mas isso exigiria um passeio pela madrugada em busca de um facilitador.
Não uma pessoa, mas uma droga. Uma mente brilhante criou um MDMA diferenciado. A mistura com uma anfetamina deixava as meninas doidas!
O vendedor era um velho conhecido, DG.
A morte do velho líder da facção para quem trabalhávamos causou um caos muito grande, DG era muito leal ao homem, mas não ficou.
Obviamente, o ADA ainda estava bem e inteiro naquele momento, mas os conflitos internos eram tantos e tão caóticos que ele fez é bem!
Os contatos que fez enquanto chefiou o berço do ADA foram aqueles que possibilitaram ele chegar tão longe e também eram aqueles que o financiavam.
Agora, DG era só um braço do cartel. Largou as bermudas largas e sorriso fácil por um terno e um charuto combinados com o semblante mais sério.
Já tinha seus cinquenta. Estava grisalho — o que lhe dava um charme. Diogo era o único nome que lhe atribuíam — e nem era seu nome de verdade.