Capítulo 22.Velhos Contatos

1067 Words
Tahoe Valley, South Lake Tahoe, CA — Não veio me levar em casa porque está com saudade! — Lauren era o nome da recepcionista. Tinha vinte e oito, no máximo. Mais alta que eu e muito esbelta, cursou Medicina e não precisava estar naquela recepção, mas os pais não deixavam viajar. Até onde eu sabia, ela queria ir à Cruz Vermelha, mas os pais condenavam essa ideia com todas as suas forças — natural, era só medo de perder a filha. Não era só bonita, mas inteligente e reservada — alguém que, com certeza, podia ser o tipo de Levi. Encontrei com ela no fim de seu turno, em meio a madrugada, e me ofereci para pagar o táxi até sua casa — já saí sem moto ou carro com esse intuito. — Não... — Eu meneei a cabeça, rindo. — Hm... não vai me envolver em nada estranho de novo, vai!? — Ela franziu o cenho. — Você é terrível! Apenas ri enquanto pegando meu telefone para mostrar uma foto de Levi — era fácil encontrar no perfil de Sofia, que não cansava de postar foto dos filhos! — É sobre ele... — Dei-lhe o telefone. — O homem do bebê!? — Ela arregalou os olhos. — Homem do bebê!? — gargalhei. — S-sim. Soube que ele ajudou a salvar uma criança. Brigou com a mãe da criança, pelo que eu vi. O negócio foi feio... saiu bem chateado do hospital. — Sei. Era um soldado em missão internacional. A loira decidiu transär com o melhor amigo dele. Daí nasceu a criança e ele descobriu nesse dia — falei. — Nossa! — Ela franziu o cenho. — Vadiä! — Ah, você não tem ideia! — gargalhei. — Ele achou que iria reatar naquele dia e ela não se dignou a falar que estava morando com o amigo dele... — Estaria péssima... — Seu semblante se chateou. — Sei que sim, linda! Quem não estaria, ‘né!? — Pois é... O que tem ele? — Ela deu zoom na foto para prestar atenção nos detalhes, não conseguindo ignorar o colar com a aliança. — Uma aliança? — Sim, ele ainda usava a aliança e colocou a aliança que ela devolveu num colar. Não acreditava que não conseguiria reconquistá-la ao voltar. — Um romântico — riu. — Isso é muito raro! — É filho do meu melhor amigo... e está sendo cruelmente acusado de tentar matar aquele bebê — menti, emulando meu semblante mais triste. — Tentar matar!? — Ela se sobressaltou. — Parece que a ex-noiva quer realmente destruir a vida dele. Por isso vim até você. — Ajeitei seu cabelo. Lauren era um doce. Totalmente hétero, nunca consegui um beijo porque realmente não era sua praia. Isso me fez mudar os planos quanto a ela e eu sempre a usava para me aproximar de supostos bons homens — ela sempre me ajudava a atestar índoles. Dessa vez, seria premiada! — Quer que eu o encontre? — Ela suspirou. — Não só que o encontre. Dessa vez, não quero que trabalhe necessariamente. Ele é um homem muito bom, você pode só aproveitar um bom encontro... Ela me olhou com desconfiança. — Já falei, é filho do meu melhor amigo. Virei para fitar seus olhos, usando toda a minha honestidade — deixando a personagem safada de lado. — Precisarei de algo depois, sim, mas não tem relação com isso. É bom ele conhecer uma boa pessoa. Não precisa dar em algo, ele só precisa saber que existe. — Entendo... — Ela assentiu com a cabeça, me devolvendo o telefone. — Estamos falando de quando? — Amanhã. Provavelmente à noite, já que ele passará o dia na companhia da irmã mais nova. — Como será? Ele me liga, eu ligo para ele... Ele me busca em algum lugar, tipo programa de tevê — riu. — Ele te busca, tipo programa de tevê. Não sei se ele conseguiria deixar sua timidez de lado para ligar, mas precisando ir, ele não te daria um bolo também. — Nossa! Parece uma armadilha — gargalhou. — É uma armadilha para o loiro! — sorri com muita malícia. — Você queria se especializar em saúde mental, não é!? Ele é uma boa cobaia... — Que horror! — Ela franziu o cenho. — Quero muitas coisas, mas não posso nenhuma — deu de ombros com chateação no semblante. — Já pensou que está se deixando desperdiçar ficando na recepção? — perguntei, levantando uma sobrancelha. — Tipo, é só uma ideia... — Sei que é idiotä, mas eu queria realmente sair. — Já pensou que você já é maior de idade e pode sair a qualquer momento!? — ironizei, rindo. — Claro que sim! — Ela deu língua para mim, como uma criança. — Só não conseguiria ir sabendo que eu decepcionaria os meus pais profundamente. — Hm... eles sabem como te manipular, entendi. — Exato! — arfou. — Meu pai ainda é cabeça-dura demais. Estar em casa ajuda. Ele odeia hospitais e essas coisas, mas já não está na idade mais saudável dele! — Você é uma ótima filha! — ri. — Você é rebelde demais! — retrucou. — Também! — dei de ombros. A viagem seguiu com fofocas alheias. Eu a deixei em casa e segui ao meu apartamento. Precisaria iniciar um contato com Bea e já tinha ideia do que fazer, mas isso exigiria um passeio pela madrugada em busca de um facilitador. Não uma pessoa, mas uma droga. Uma mente brilhante criou um MDMA diferenciado. A mistura com uma anfetamina deixava as meninas doidas! O vendedor era um velho conhecido, DG. A morte do velho líder da facção para quem trabalhávamos causou um caos muito grande, DG era muito leal ao homem, mas não ficou. Obviamente, o ADA ainda estava bem e inteiro naquele momento, mas os conflitos internos eram tantos e tão caóticos que ele fez é bem! Os contatos que fez enquanto chefiou o berço do ADA foram aqueles que possibilitaram ele chegar tão longe e também eram aqueles que o financiavam. Agora, DG era só um braço do cartel. Largou as bermudas largas e sorriso fácil por um terno e um charuto combinados com o semblante mais sério. Já tinha seus cinquenta. Estava grisalho — o que lhe dava um charme. Diogo era o único nome que lhe atribuíam — e nem era seu nome de verdade.
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