Heavenly Village, South Lake Tahoe, California
Usei toda minha madrugada de domingo–segunda para negociar. Tinha o MDMA diferenciado na bolsa e uma ideia do que Bea estaria fazendo à tarde.
Tirei a manhã para descansar bem. Tive uma refeição bem leve ao acordar e me arrumei para sair.
Vesti um catsuit, já que faria algo esportivo. Não abusei na maquiagem e peguei a moto para sair rumo às montanhas mais geladas, onde tinha a área de esqui.
Era a primavera, então as atividades na neve estariam encerradas, mas todo centro de esqui sempre tem outras atividades para dias assim.
Um nerd do submundo ajudou a vasculhar a vida da moça e tudo indicava que, às segundas à tarde, Bea estaria realizando uma caminhada.
Ela apareceu repetidas vezes nas câmeras do lugar, sempre a mesma rota e a mesma roupinha que deixava a bundä empinada e a cintura mais fina.
Um tesäo...
Eu tinha uma garrafa d’água mineral, mesma marca distribuída lá, e já estava batizada com a droga.
Chegando, falei com quem tinha que falar e paguei quem tinha que pagar com toda minha simpatia.
Juntei-me a um grupo que faria uma caminhada e me perdi deles com facilidade. Tinha uns senhores e uns turistas, gente demais para um único instrutor.
Memorizei o que pude do mapa e apenas repeti mentalmente o caminho que devia fazer para esbarrar com ela — literalmente, esbarrar com ela.
Consegui que nos chocássemos no ponto certo.
Fingi cair, mas realmente a derrubei. Fiz cara de assustada e perdida, fingi estar ofegante e a perguntei:
— V-você está bem? D-desculpa!
— C-claro. — Ela franziu o cenho, estranhando. — Está tudo bem com você? Não deveria estar aqui.
— E-eu me perdi. C-como... — Eu me interrompi e tapei meu rosto com ambas as mãos. — E-eu... quero...
— Precisa se acalmar. — Ela se aproximou rápido, deixando sua garrafa d’água no lugar onde estava. — Está tudo bem. Conheço o lugar e posso te levar de volta.
— Graças a Deus! — Respirei fundo.
— Só mantenha a calma. Consegue se levantar? — perguntou e eu assenti com a cabeça. — Ótimo! — Ela me deu a mão. — Vem comigo e fique atenta.
— Obrigada! — Eu a abracei forte.
Ela acabou rindo com o exagero, provavelmente pensando que eu era uma turista bem espevitada. Bea me ajudou a levantar e olhou na direção de onde vim.
Segui para pegar as garrafas — missão concluída — e lhe entreguei a minha garrafa.
— Esses instrutores só ficam piores a cada dia! — suspirou. — Isso pode arruinar o negócio — reclamou.
— Eram muitos... alguns senhores sempre precisavam de assistência. O caminho estava tão bem traçado, não sei como- — Engoli seco, suspirando.
— Ainda é trabalho deles! — Ela meneou a cabeça.
Seguimos a uma clareira. Ainda havia os restos de uma trilha ali, mas já não era pública há alguns anos — pelo que o nerd falou.
— Sempre tem algo para comer aqui. — Ela falou.
— N-não tenho fome. Obrigada!
— Beba água, pelo menos — pediu e eu assenti.
Ela recorreu até uma das pedras ali que realmente tinha um cooler, talvez uma parte inevitável de sua caminhada — um momento de relaxamento.
Tinha sanduíche e o cheiro era de frescor — algo que provavelmente alguém fazia, já sabendo que ela passaria por ali. Só era difícil imaginar quem.
Por um instante, temi que houvessem pessoas vigiando, mas já era tarde e eu só podia contar com um efeito rápido o suficiente para ela entrar na onda ali.
Conhecendo o histórico conservador de seu pai, já me preparei para ter que fazer muito mais coisa do que eu tinha programado inicialmente — e seria ótimo!
Quanto mais escandaloso, melhor.
Após sentar com dois dos sanduíches no colo, ela bebeu quase que metade da garrafa. Depois abriu um deles, tornou a oferecer, mas neguei de novo.
Enchi o olhar com curiosidade para observar os arredores. Sorri por algumas vezes, afinal, era realmente um lugar bonito.
— É um lugar bem calmo! — Ela riu.
— E lindo! Deveria estar nas suas rotas... Provavelmente chamaria muito mais pessoas.
— Por ser bonito demais, deixou de estar.
— É a dona? — perguntei.
— Herdeira. Meus pais usavam essa rota para namorar. Ela faleceu e meu pai decidiu fechar para que ninguém usasse, só eu — deu de ombros.
— Meus pêsames.
— Já faz um tempo. Não se preocupa! — suspirou.
— Às vezes o coração tem razões estranhas — falei, ainda olhando ao redor. — Pode fazer o homem mais durão simplesmente liquefazer — sorri.
Ela acabou rindo e assentindo com a cabeça.
Ela se distraiu com o assunto. Não tardou para mostrar sentir calor e isso a fez beber o resto da água.
— Falar em coração, me lembra meu primeiro — ri. — Ele era quente, descontroladamente quente. Pegava forte e estremecia da cabeça aos pés de tesäo.
Ela ficou distraída, me olhando — o objetivo era realmente ajudar com o efeito estimulante da droga.
— Na primeira vez que tivemos, eu precisei ensinar tudo. Ele puxava meu cabelo forte — arfei — e eu até queria, mas precisei pedir calma várias vezes.
— Nossa! — Ela acabou arfando.
— Foi tão intenso, que meu primeiro orgasmo aconteceu nesse dia. — O arrepio em meu corpo não foi falso. — Eu me senti muito mulher com seu toque.
Ela se acanhou, tornando a respirar fundo.
Eu me aproximei para sentar ao seu lado. Aprofundei os detalhes até uma carícia fazê-la gemer.
— Foi quase assim — falei e ela me olhou.
Beijei o canto de sua boca e ela se assustou.
— Posso te fazer sentir — ofereci bem baixo.
Respirei fundo em seu pescoço e o beijei. Ela segurou em meu cabelo, talvez para me afastar, mas eu voltei a beijar e ela gemeu bem baixo.
— E-eu nunca...
— Prometo ser carinhosa — sussurrei enquanto mantendo os lábios colados no dela e ela me beijou.