Capítulo 24. Armadilha Selvagem

1013 Words
Heavenly Village, South Lake Tahoe, California Usei toda minha madrugada de domingo–segunda para negociar. Tinha o MDMA diferenciado na bolsa e uma ideia do que Bea estaria fazendo à tarde. Tirei a manhã para descansar bem. Tive uma refeição bem leve ao acordar e me arrumei para sair. Vesti um catsuit, já que faria algo esportivo. Não abusei na maquiagem e peguei a moto para sair rumo às montanhas mais geladas, onde tinha a área de esqui. Era a primavera, então as atividades na neve estariam encerradas, mas todo centro de esqui sempre tem outras atividades para dias assim. Um nerd do submundo ajudou a vasculhar a vida da moça e tudo indicava que, às segundas à tarde, Bea estaria realizando uma caminhada. Ela apareceu repetidas vezes nas câmeras do lugar, sempre a mesma rota e a mesma roupinha que deixava a bundä empinada e a cintura mais fina. Um tesäo... Eu tinha uma garrafa d’água mineral, mesma marca distribuída lá, e já estava batizada com a droga. Chegando, falei com quem tinha que falar e paguei quem tinha que pagar com toda minha simpatia. Juntei-me a um grupo que faria uma caminhada e me perdi deles com facilidade. Tinha uns senhores e uns turistas, gente demais para um único instrutor. Memorizei o que pude do mapa e apenas repeti mentalmente o caminho que devia fazer para esbarrar com ela — literalmente, esbarrar com ela. Consegui que nos chocássemos no ponto certo. Fingi cair, mas realmente a derrubei. Fiz cara de assustada e perdida, fingi estar ofegante e a perguntei: — V-você está bem? D-desculpa! — C-claro. — Ela franziu o cenho, estranhando. — Está tudo bem com você? Não deveria estar aqui. — E-eu me perdi. C-como... — Eu me interrompi e tapei meu rosto com ambas as mãos. — E-eu... quero... — Precisa se acalmar. — Ela se aproximou rápido, deixando sua garrafa d’água no lugar onde estava. — Está tudo bem. Conheço o lugar e posso te levar de volta. — Graças a Deus! — Respirei fundo. — Só mantenha a calma. Consegue se levantar? — perguntou e eu assenti com a cabeça. — Ótimo! — Ela me deu a mão. — Vem comigo e fique atenta. — Obrigada! — Eu a abracei forte. Ela acabou rindo com o exagero, provavelmente pensando que eu era uma turista bem espevitada. Bea me ajudou a levantar e olhou na direção de onde vim. Segui para pegar as garrafas — missão concluída — e lhe entreguei a minha garrafa. — Esses instrutores só ficam piores a cada dia! — suspirou. — Isso pode arruinar o negócio — reclamou. — Eram muitos... alguns senhores sempre precisavam de assistência. O caminho estava tão bem traçado, não sei como- — Engoli seco, suspirando. — Ainda é trabalho deles! — Ela meneou a cabeça. Seguimos a uma clareira. Ainda havia os restos de uma trilha ali, mas já não era pública há alguns anos — pelo que o nerd falou. — Sempre tem algo para comer aqui. — Ela falou. — N-não tenho fome. Obrigada! — Beba água, pelo menos — pediu e eu assenti. Ela recorreu até uma das pedras ali que realmente tinha um cooler, talvez uma parte inevitável de sua caminhada — um momento de relaxamento. Tinha sanduíche e o cheiro era de frescor — algo que provavelmente alguém fazia, já sabendo que ela passaria por ali. Só era difícil imaginar quem. Por um instante, temi que houvessem pessoas vigiando, mas já era tarde e eu só podia contar com um efeito rápido o suficiente para ela entrar na onda ali. Conhecendo o histórico conservador de seu pai, já me preparei para ter que fazer muito mais coisa do que eu tinha programado inicialmente — e seria ótimo! Quanto mais escandaloso, melhor. Após sentar com dois dos sanduíches no colo, ela bebeu quase que metade da garrafa. Depois abriu um deles, tornou a oferecer, mas neguei de novo. Enchi o olhar com curiosidade para observar os arredores. Sorri por algumas vezes, afinal, era realmente um lugar bonito. — É um lugar bem calmo! — Ela riu. — E lindo! Deveria estar nas suas rotas... Provavelmente chamaria muito mais pessoas. — Por ser bonito demais, deixou de estar. — É a dona? — perguntei. — Herdeira. Meus pais usavam essa rota para namorar. Ela faleceu e meu pai decidiu fechar para que ninguém usasse, só eu — deu de ombros. — Meus pêsames. — Já faz um tempo. Não se preocupa! — suspirou. — Às vezes o coração tem razões estranhas — falei, ainda olhando ao redor. — Pode fazer o homem mais durão simplesmente liquefazer — sorri. Ela acabou rindo e assentindo com a cabeça. Ela se distraiu com o assunto. Não tardou para mostrar sentir calor e isso a fez beber o resto da água. — Falar em coração, me lembra meu primeiro — ri. — Ele era quente, descontroladamente quente. Pegava forte e estremecia da cabeça aos pés de tesäo. Ela ficou distraída, me olhando — o objetivo era realmente ajudar com o efeito estimulante da droga. — Na primeira vez que tivemos, eu precisei ensinar tudo. Ele puxava meu cabelo forte — arfei — e eu até queria, mas precisei pedir calma várias vezes. — Nossa! — Ela acabou arfando. — Foi tão intenso, que meu primeiro orgasmo aconteceu nesse dia. — O arrepio em meu corpo não foi falso. — Eu me senti muito mulher com seu toque. Ela se acanhou, tornando a respirar fundo. Eu me aproximei para sentar ao seu lado. Aprofundei os detalhes até uma carícia fazê-la gemer. — Foi quase assim — falei e ela me olhou. Beijei o canto de sua boca e ela se assustou. — Posso te fazer sentir — ofereci bem baixo. Respirei fundo em seu pescoço e o beijei. Ela segurou em meu cabelo, talvez para me afastar, mas eu voltei a beijar e ela gemeu bem baixo. — E-eu nunca... — Prometo ser carinhosa — sussurrei enquanto mantendo os lábios colados no dela e ela me beijou.
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