Capítulo 13. Apenas um Toque

1001 Words
Summerlin, Las Vegas, Nevada Tomei um banho demorado, mas nem busquei alívio. Não tinha cabeça depois do caos da manhã. Felizmente, não bati nele, senão alguém morreria. Obviamente, a investigação iria, num primeiro momento, seguir a linha de que o homem traído tentou seduzir a ex-noiva e matar o filho da nova união. Saí do banho vestindo o roupão do hotel. Natasha estava sentada à cama e uma mesa foi montada com uma refeição farta — o estômago chegou roncar com a fome, nada comi até aquele momento. — Espero que tenha fome! — Ela sorriu. — Muita! — Deixa eu pegar um roupão. Já volto! — Correu. Nem terminei de me ajeitar na cama para ela voltar e sentar ao meu lado. Iniciamos a refeição e pouco conversamos, ela parecia tão faminta quanto eu. — Destaquei as armas. Tenho o rifle desmontado no baú da moto, mas não é possível levar. — Natasha falou. — Imagino que esteja armado. — Sempre — assenti com a cabeça. — Documentada? — Só em missão oficial. — Hm... melhor que eu! — debochou e eu ri. — Mesmo assim, fica com a .40 ou .45 que tem ali. Você escolhe, não vai diferir para mim... nem espero atirar. — Nem eu. — Meneei a cabeça. — Ótimo! — Ela sorriu. — Como meu carinha da noite, ainda precisa demonstrar interesse. Andamos juntos, fique à vontade para olhar outras... nunca me importo com isso e todo mundo já sabe! — riu. — Sem problema. — O casino da festa será aqui no subúrbio, então não é distante. Já contatei o motorista e ele é alguém de confiança. Troca junto com a gente, se necessário. — Isso ajuda! — suspirei. — O que houve, loiro? — Ela me olhou com seriedade. — Não dá para ficar doidão até o fim da noite, consegue segurar até lá? — Soou preocupada. — Só um aborrecimento na delegacia. Logo serei suspeito pelo que houve com o menino de Lindsay. Van estava lá e as coisas foram um pouco agitadas. — Cacetë! — Natasha suspirou. — Consigo lidar, ruiva. Não estou bem, não vou mentir para você, mas eu consigo! — Respirei fundo. — Ainda vou ficar atenta. — Obrigado. Terminando de comer, ela seguiu ao banho e eu comecei a me arrumar. Saindo do banheiro, ela estava vestida para uma festa de gala, muito provocativa. O vestido longo exibia apenas uma das coxas. Tinha as costas e os ombros para fora; as mangas pareciam se estender como uma luva de veludo preto. Cobria até mesmo as mãos. O cabelo ainda estava enrolado na toalha e saiu apressada, descalça pelo quarto para mexer numa bolsa de tamanho médio, bem genérica. — Vou cuidar do cabelo bem rápido. Tem perfume para você aqui, mas se quiser usar o meu tudo bem também! — Ela riu. — Geralmente todos amam! — C-claro — assenti com a cabeça. A tal bolsa tinha de tudo; após tirar a maquiagem, ainda sobraram várias e muitas joias — até mesmo masculinas das quais me aproveitei para ajudar. O smoking ficou perfeito em meu corpo. O sapato também. Talvez eu não conseguisse comprar algo para ela com aquela perfeição para tirar medidas no olhar. Demorou uma hora e meia para eu terminar de me arrumar. Natasha ainda tomou uma hora a mais e fez milagre só com o secador do banheiro. — Uau! — Acabei rindo enquanto a olhava. O penteado parecia feito por um profissional do ramo e isso foi surpreendente para mim. Ela apenas deu de ombros e seguiu à cama para os sapatos. O único contraste do vestido preto era a sola rubra do salto, o batom vermelho e o dourado das joias — nunca entendi de moda, mas pareceu bem certo! Terminando de se arrumar, ela foi à bolsa para vestir o coldre de coxa. Foi à gaveta da cabeceira e tirou duas pistolas, estendendo-as a frente do corpo. — Gosto da .45 — falei ao pegar. — Tem coldre na bolsa. Assenti e busquei um axilar. Parando às minhas costas, ela acariciou minha nuca com a ponta das unhas e o corpo arrepiou da cabeça aos pés. — Precisa manter o semblante apático — falou, aproximando a boca de meu pescoço. — É muito tempo sem sentir, imagino que seja difícil. Ela seguiu a carícia da minha nuca a frente do meu pescoço, subiu a carícia pelo meu rosto, mas voltou a descer para fechar a mão em meu pescoço e puxar. Olhei em sua direção e era impressionante como o verde olhar poderia mudar. O sorriso de canto de boca, o desenho dos seiös no vestido... perdi. — Não pode ficar sem reação. Por isso estamos arrumados agora. — Ela falou. — Você tem pouco tempo para conseguir, ao menos, seguir uma conversa. — Difícil! — arfei pesadamente. — Tenho certeza que sim. Vem! — Ela deu um passo atrás. — Ajeita a pistola e vamos ao espelho. O coração chegou a ficar agitado. Natasha passou no controle do ar-condicionado para diminuir a temperatura e deu para sentir de imediato. Paramos na frente do espelho e eu só respirei fundo. Treinei para muita coisa na vida, até mesmo para lidar com aquilo, mas a situação era diferente. — Meus negócios vão bem. — Natasha falou às minhas costas, baixo. — Nunca foi um momento tão bom para iniciar um empreendimento em Vegas. Mantive o olhar afixado no espelho, respirando fundo. O objetivo era seguir uma conversa frívola, os primeiros momentos foram fáceis. Bastava a primeira carícia e degringolava. Concluí não ser tão comunicativo e ajudou. Era difícil me ater ao assunto, então fui ao que aprendi na Escola de Operações Especiais, palavras-chave e expressões faciais para saber o que falar. — Melhoramos um pouco. Deve bastar. — Ela falou ao fim. — Agora, você vai se aliviar ou vai se sentar ali e beber água gelada... o que julgar melhor. — Só lembrar do filho da putä! — arfei.
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