Summerlin, Las Vegas, Nevada
Tomei um banho demorado, mas nem busquei alívio. Não tinha cabeça depois do caos da manhã.
Felizmente, não bati nele, senão alguém morreria.
Obviamente, a investigação iria, num primeiro momento, seguir a linha de que o homem traído tentou seduzir a ex-noiva e matar o filho da nova união.
Saí do banho vestindo o roupão do hotel.
Natasha estava sentada à cama e uma mesa foi montada com uma refeição farta — o estômago chegou roncar com a fome, nada comi até aquele momento.
— Espero que tenha fome! — Ela sorriu.
— Muita!
— Deixa eu pegar um roupão. Já volto! — Correu.
Nem terminei de me ajeitar na cama para ela voltar e sentar ao meu lado. Iniciamos a refeição e pouco conversamos, ela parecia tão faminta quanto eu.
— Destaquei as armas. Tenho o rifle desmontado no baú da moto, mas não é possível levar. — Natasha falou. — Imagino que esteja armado.
— Sempre — assenti com a cabeça.
— Documentada?
— Só em missão oficial.
— Hm... melhor que eu! — debochou e eu ri. — Mesmo assim, fica com a .40 ou .45 que tem ali. Você escolhe, não vai diferir para mim... nem espero atirar.
— Nem eu. — Meneei a cabeça.
— Ótimo! — Ela sorriu. — Como meu carinha da noite, ainda precisa demonstrar interesse. Andamos juntos, fique à vontade para olhar outras... nunca me importo com isso e todo mundo já sabe! — riu.
— Sem problema.
— O casino da festa será aqui no subúrbio, então não é distante. Já contatei o motorista e ele é alguém de confiança. Troca junto com a gente, se necessário.
— Isso ajuda! — suspirei.
— O que houve, loiro? — Ela me olhou com seriedade. — Não dá para ficar doidão até o fim da noite, consegue segurar até lá? — Soou preocupada.
— Só um aborrecimento na delegacia. Logo serei suspeito pelo que houve com o menino de Lindsay. Van estava lá e as coisas foram um pouco agitadas.
— Cacetë! — Natasha suspirou.
— Consigo lidar, ruiva. Não estou bem, não vou mentir para você, mas eu consigo! — Respirei fundo.
— Ainda vou ficar atenta.
— Obrigado.
Terminando de comer, ela seguiu ao banho e eu comecei a me arrumar. Saindo do banheiro, ela estava vestida para uma festa de gala, muito provocativa.
O vestido longo exibia apenas uma das coxas. Tinha as costas e os ombros para fora; as mangas pareciam se estender como uma luva de veludo preto.
Cobria até mesmo as mãos.
O cabelo ainda estava enrolado na toalha e saiu apressada, descalça pelo quarto para mexer numa bolsa de tamanho médio, bem genérica.
— Vou cuidar do cabelo bem rápido. Tem perfume para você aqui, mas se quiser usar o meu tudo bem também! — Ela riu. — Geralmente todos amam!
— C-claro — assenti com a cabeça.
A tal bolsa tinha de tudo; após tirar a maquiagem, ainda sobraram várias e muitas joias — até mesmo masculinas das quais me aproveitei para ajudar.
O smoking ficou perfeito em meu corpo. O sapato também. Talvez eu não conseguisse comprar algo para ela com aquela perfeição para tirar medidas no olhar.
Demorou uma hora e meia para eu terminar de me arrumar. Natasha ainda tomou uma hora a mais e fez milagre só com o secador do banheiro.
— Uau! — Acabei rindo enquanto a olhava.
O penteado parecia feito por um profissional do ramo e isso foi surpreendente para mim. Ela apenas deu de ombros e seguiu à cama para os sapatos.
O único contraste do vestido preto era a sola rubra do salto, o batom vermelho e o dourado das joias — nunca entendi de moda, mas pareceu bem certo!
Terminando de se arrumar, ela foi à bolsa para vestir o coldre de coxa. Foi à gaveta da cabeceira e tirou duas pistolas, estendendo-as a frente do corpo.
— Gosto da .45 — falei ao pegar.
— Tem coldre na bolsa.
Assenti e busquei um axilar. Parando às minhas costas, ela acariciou minha nuca com a ponta das unhas e o corpo arrepiou da cabeça aos pés.
— Precisa manter o semblante apático — falou, aproximando a boca de meu pescoço. — É muito tempo sem sentir, imagino que seja difícil.
Ela seguiu a carícia da minha nuca a frente do meu pescoço, subiu a carícia pelo meu rosto, mas voltou a descer para fechar a mão em meu pescoço e puxar.
Olhei em sua direção e era impressionante como o verde olhar poderia mudar. O sorriso de canto de boca, o desenho dos seiös no vestido... perdi.
— Não pode ficar sem reação. Por isso estamos arrumados agora. — Ela falou. — Você tem pouco tempo para conseguir, ao menos, seguir uma conversa.
— Difícil! — arfei pesadamente.
— Tenho certeza que sim. Vem! — Ela deu um passo atrás. — Ajeita a pistola e vamos ao espelho.
O coração chegou a ficar agitado. Natasha passou no controle do ar-condicionado para diminuir a temperatura e deu para sentir de imediato.
Paramos na frente do espelho e eu só respirei fundo. Treinei para muita coisa na vida, até mesmo para lidar com aquilo, mas a situação era diferente.
— Meus negócios vão bem. — Natasha falou às minhas costas, baixo. — Nunca foi um momento tão bom para iniciar um empreendimento em Vegas.
Mantive o olhar afixado no espelho, respirando fundo. O objetivo era seguir uma conversa frívola, os primeiros momentos foram fáceis.
Bastava a primeira carícia e degringolava.
Concluí não ser tão comunicativo e ajudou.
Era difícil me ater ao assunto, então fui ao que aprendi na Escola de Operações Especiais, palavras-chave e expressões faciais para saber o que falar.
— Melhoramos um pouco. Deve bastar. — Ela falou ao fim. — Agora, você vai se aliviar ou vai se sentar ali e beber água gelada... o que julgar melhor.
— Só lembrar do filho da putä! — arfei.