Capítulo 35. Coincidências...

1009 Words
Stateline, South Lake Tahoe, CA — Bem-vindo de volta, soldado! — O irmão sorriu largo ao me ver. — Sentimos muito a sua falta! — riu. Fiquei surpreso ao vê-lo, mas o abracei forte. Não foi uma noite tão boa de descanso, as feridas nas costas já começavam a criar casca e isso incomodou muito. Acordei bem cedo. Lidei com os exercícios e comprei um café para pegar o carro e ir aos meus pais, pensando em levar a pequena ao colégio. Para a minha surpresa, Matheus estava na varanda bebendo um café despretensiosamente. Ele era mais baixo que eu e tinha compleição bem mais forte. A mistura filipina e brasileira era forte nele, que acabava sendo, dos três, o que mais parecia com a mãe. — O que houve para estar aqui? — ri. — A vida em Sacramento deve estar bem calma — brinquei e ele riu. — Tirei férias para vir. — Vida boa. — Acabamos rindo. Ele voltou a se sentar e eu entrei para ir à cozinha. O pequeno furacão Chloe pulou de onde estava para me abraçar e eu lhe retribuí o carinho. — Hm... casa cheia! — A mãe comemorou. — Pois é. Bom dia, mulheres da minha vida. — Dia! — Chloe sorriu largo. Estava radiante e não era para menos. Eu a peguei no colo para ir à mãe pedir sua benção. — Que Deus te faça feliz. — Ela me fez um carinho no rosto. — O que você e seu irmão estão tramando? — Ainda nada. Ao menos, ele não me avisou — ri. — Estou de olho! — falou desconfiada. — Vim me oferecer para levar Chloe no colégio — falei e Chloe comemorou, obviamente. — O que acha da ideia? — Eu a perguntei. — Matheus pode vir também? — pediu. — Acho que sim, por que não pergunta? Eu a desci do colo e ela saiu correndo. — Não estão tramando nada? — A mãe insistiu. — Acho que não. O que houve? Ela pareceu preocupada, mas apenas meneou a cabeça. Péssima mentirosa, sua melhor forma de tentar omitir algo era simplesmente ficando em silêncio. — Cadê o pai? — Ainda dorme... Chegou tarde e cansado. — Ela me serviu uma dose de café. — Difícil vê-lo tão cansado. — Posso sugerir que ele descanse... Sei lá. Aproveitamos que Matheus está aqui e levamos o pai para acampar... ele sempre dorme muito — ri. — Pode ser uma boa ideia... — Soou convencida. — O irmão falou que vai! — Chloe gritou da sala e subiu correndo, provavelmente para se arrumar. A mãe terminou de servir a mesa e sentou. Não tardou para Matheus chegar e Chloe descer. O pai não desceu, mas ainda foi uma refeição em família. Era cedo. Saímos os três por volta das seis e meia. Chloe tinha muito o que falar e ela acabou sendo a maior percussora dos assuntos da manhã, falando de absolutamente tudo que ela podia. Talvez guardasse assuntos para essas ocasiões. Deixamos a pequena no colégio e Matheus se comprometeu a buscá-la. Voltamos ao carro e ele apenas cruzou os braços para me olhar. — O que há? — perguntei. — Uma denúncia em Sacramento. Ela te descreveu, fiquei desconfiado. Não sabia que estava de volta, nem que tinha ingressado na polícia. — Lindsay? — Franzi o cenho. — Denunciou que você drogou uma criança para abusar dela e ainda encobriu com sua influência na polícia. — Ele ficou sério. — O que houve entre vocês? — Nossa! — suspirei. — Fui preso no Exército. Fiquei um ano até eles terminarem de investigar para aplicar uma pena... que não foi tão severa assim... — Que isso, mano. N-ninguém falou... — Nem a mãe sabe... Enfim, ela terminou comigo enquanto eu estava preso. Decidiu se juntar ao Van... daí vem a criança... ajudei? — Tentei ser breve. — E de onde ela tirou essa história? — A criança realmente sofreu uma tentativa de homicídio, na melhor das palavras. Consegui salvá-lo. Eu estava na casa dela... saudade, sabe!? — Não sei, mas não difere — deu de ombros. — Fiquei preocupado. Por isso vim. De repente... — A primeira tese aqui também era que eu era o corno ressentido. — Meneei a cabeça. — Enfim, não imaginei que ela tentaria ir mais longe. — Porrä, ela foi em Sacramento! — exclamou. — E que história é essa de que você é policial agora? — É parte de um sonho — sorri. — A gente pode só resumir assim? É mais seguro para nós dois. — De boa. Tem que se cuidar. — Estou tentando. Só dificultam! — ri. — Enfim, acabou que nada foi formalizado. Só vim ver como estava, se precisa de algo... Temi que a guerra tivesse mexido com sua cabeça, sei lá. — Definitivamente mexeu. Não me tornei um predador sexuäl ou assassino sanguinário — gargalhei e ele também riu —, mas não dá para sair incólume. — Imagino... Disso eu entendo! Ele deu partida no carro. — Dez horas? — perguntou para mim. — Sim. Quatro. — Essa escala é gostosa — riu. — O pessoal aqui é normalzinho ou muito problemático? — Ainda não me adaptei. Já tive um bate-boca desnecessário com Van... Tudo aponta para muito mais problemáticos do que normais. — Tenso. Em Sacramento é o antro desse tipo de merda. — Ele meneou a cabeça. — Não me envolvo, mas é bem difícil manter os sapatos limpos da lama. — Complexo. Talvez possa me ajudar. Estou investigando corrupção nas instituições da Costa Oeste e seria bom ter sua confirmação para alguns rostos. — Ajudo com o que eu puder — deu de ombros. — Ótimo. Podemos ir ao meu apê... Eu busco o carro e você vem comigo para eu te mostrar o que tenho até agora — falei e ele assentiu com a cabeça. Meu dia de trabalho acabou começando mais cedo do que eu esperava e, felizmente, seria bem mais agradável com meu irmão mais velho.
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