Spring Creek, South Lake Tahoe, CA
Após organizar a ida até a casa no campo onde a menina ainda estava, eu só mandei mensagem para Levi com o horário que o encontraria na rodovia estadual mais próxima.
Tomei um carro de aplicativo para ir, presumindo que ele iria com o próprio carro. Havia um ambiente de socialização logo no início da reserva natural, foi onde fiquei para aguardá-lo.
Era raro, mas Levi se atrasou dez minutos. Chegou de carro e vestia um sport social. Assim que me viu, ele sorriu, estacionou e saiu do carro.
— Boa tarde. Tudo bem? — Eu me preocupei.
— Sim, desculpa a demora. Vem?
Assenti e me levantei. Ele abriu a porta para mim e assumiu seu lugar na direção. O carro tinha o perfume de Lucas, mas suspirei para conter a reação.
— Como foi a manhã? — Ele foi quem perguntou enquanto observando atentamente a estrada.
— Num resumo... tive com o segurança do Walter, marquei tudo, voltei em casa para um banho quente e demorado... depois me arrumei e vim.
— Ele ocupou tanto do seu tempo? — riu.
— Nada. A maior parte do tempo foi com o banho. Cuidei das unhas, do cabelo, da pele... Tenho descuidado um pouco com a dieta, então compenso...
— Como se fosse engordar! — riu.
— Não é só para manter o peso, bobo. Como foi a sua manhã? Seu atraso quase me preocupou — ri.
— Fui ao médico. Terapia.
Olhando-o, parecia descontente.
— E esse mäl humor? — gargalhei.
— É esquisito tentar falar com alguém sobre a minha vida particular. — Meneou a cabeça. — De qualquer forma, ele ainda sugeriu alguns exames.
— É ótimo que tenha ido! — sorri.
— Ele me fez pensar demais. Nem sei se é bom ou ruïm — arfou, olhando na direção da cabana. — Chegamos! — falou, estacionando.
Apenas assenti e mantive o silêncio. O assunto o deixou incomodado e ele era muito transparente. Saiu do carro e abriu a porta para mim.
O segurança mais antigo abriu a porta e sorriu para nós. Aguardei Levi terminar de trancar tudo para nos aproximarmos.
— Boa tarde. — Ele sorriu. — O chefe não está, mas permitiu a visita. Podem entrar. Bebem algo?
— Água, por favor. — Levi pediu.
— Hmm... nem vou pedir vinho para não parecer alcoólatra! — brinquei e consegui fazê-lo rir.
— Água e vinho! — O segurança assentiu. — A pequena está no quarto. Final do corredor. Os quartos vizinhos são dos doutores. Ela deve estar só.
— Obrigada.
— Vamos tentar não estressá-la... no processo. — Levi falou ao homem. — Agradeço pela confiança.
O segurança apenas assentiu, modesto e Natasha assumiu para ir à frente. Haviam cerca de nove portas no corredor, contando com a porta dupla final.
Estava aberta e era o quarto do casal, donos da casa. Agora, estava ocupado pela mocinha. Ela estava sentada na cama com um caderno e lápis coloridos.
Vendo-os, ela sorriu amarelo.
— Bom dia. — Natasha lhe sorriu. — Podemos?
Ela assentiu com a cabeça e voltou a prestar atenção no caderno. Demos nossos passos ao interior do quarto e ela não pareceu se incomodar.
— Bom dia, mocinha. — Levi falou, olhando-a com tristeza. — Como você está hoje? — Tentou sorrir.
Ela deixou o caderno de lado quando ele falou e o olhou com lágrimas nos olhos, mas respondeu:
— Bem. Obrigada!
— Não precisa agradecer. — Ele sentou ao lado da moça na cama. — Como falei, eu me chamo Levi. Qual é o seu nome? — perguntou.
— Thereza. Eles diziam ‘pra falar Laila. Mas, a mãe chamou Thereza — sorriu amarelo.
— É um nome lindo!
— Eu escrevi. — Uma lágrima correu o rosto da moça, mas ela enxugou o pegou o caderno. — Os nomes dos outros... o senhor pode ajudar? — pediu.
Até o meu coração quebrou com aquilo.
— Eu vou ajudar todos eles! — Levi enxugou a lágrima do rosto da moça. — E eles vão voltar a ser criança... Eu prometo, pequena Thereza.
Levi pegou o caderno e a mocinha só assentiu.
— Eu preciso prender os homens maus... Você conheceu o nome de algum deles? — Levi perguntou.
— Alguns...
— Conseguiria escrever?
— Posso. O senhor leva o caderno dos meninos e eu faço em outro! — A mocinha enxugou o rosto. — Tem um menino que está bem doente... Ele é tão bom.
— Como era o lugar onde ficava? Sabe dizer?
— A luz amarela... — A menina respirou fundo. — Alto. — Olhou para o teto. — Luz amarela... até nas paredes. Muita gente! Muita, muita! Como a cidade.
— Quem cuidava das crianças?
— As tias boas. — Voltando a abaixar a cabeça, ela reuniu as mãos em seu colo. — Quando estavam boas, as tias eram quem ajudavam a gente.
— Boas? Quando não estavam doentes?
— Até as tias podiam ser machucadas — soluçou. — Quando ninguém machucava, elas ajudavam. Senão... nós tínhamos que nos ajudar entre nós mesmos.
— Entendo. — Levi assentiu e voltou a enxugar o rosto da moça. — Vai dar tudo certo, tudo bem?
— Obrigada! — Mais lágrimas caíram.
Ele se aproximou para beijar a testa da moça, mas foi surpreendido por um abraço da menina, que continuou agradecendo sem parar.
Deu para vê-lo tremular, mas ele retribuiu o abraço, acariciando os cabelos da moça e falando:
— Não agradece, pequena. Toda criança tem um anjo da guarda e eu ouço eles. — Sua voz embargou.
A mocinha finalmente parou de agradecer.
— Agora, precisa continuar se cuidando. — Ele falou quando ela se desvencilhou. — Não pode ser malvada com os doutores. Sei que injeção é horrível!
— É horrível! — Ela concordou.
— Mas, é para você melhorar e poder ir ao colégio ou brincar nos parquinhos. Pode fazer uma forcinha?
— S-sim. Posso! — Ela assentiu.