Capítulo 48.Vítimas

1000 Words
Spring Creek, South Lake Tahoe, CA Após organizar a ida até a casa no campo onde a menina ainda estava, eu só mandei mensagem para Levi com o horário que o encontraria na rodovia estadual mais próxima. Tomei um carro de aplicativo para ir, presumindo que ele iria com o próprio carro. Havia um ambiente de socialização logo no início da reserva natural, foi onde fiquei para aguardá-lo. Era raro, mas Levi se atrasou dez minutos. Chegou de carro e vestia um sport social. Assim que me viu, ele sorriu, estacionou e saiu do carro. — Boa tarde. Tudo bem? — Eu me preocupei. — Sim, desculpa a demora. Vem? Assenti e me levantei. Ele abriu a porta para mim e assumiu seu lugar na direção. O carro tinha o perfume de Lucas, mas suspirei para conter a reação. — Como foi a manhã? — Ele foi quem perguntou enquanto observando atentamente a estrada. — Num resumo... tive com o segurança do Walter, marquei tudo, voltei em casa para um banho quente e demorado... depois me arrumei e vim. — Ele ocupou tanto do seu tempo? — riu. — Nada. A maior parte do tempo foi com o banho. Cuidei das unhas, do cabelo, da pele... Tenho descuidado um pouco com a dieta, então compenso... — Como se fosse engordar! — riu. — Não é só para manter o peso, bobo. Como foi a sua manhã? Seu atraso quase me preocupou — ri. — Fui ao médico. Terapia. Olhando-o, parecia descontente. — E esse mäl humor? — gargalhei. — É esquisito tentar falar com alguém sobre a minha vida particular. — Meneou a cabeça. — De qualquer forma, ele ainda sugeriu alguns exames. — É ótimo que tenha ido! — sorri. — Ele me fez pensar demais. Nem sei se é bom ou ruïm — arfou, olhando na direção da cabana. — Chegamos! — falou, estacionando. Apenas assenti e mantive o silêncio. O assunto o deixou incomodado e ele era muito transparente. Saiu do carro e abriu a porta para mim. O segurança mais antigo abriu a porta e sorriu para nós. Aguardei Levi terminar de trancar tudo para nos aproximarmos. — Boa tarde. — Ele sorriu. — O chefe não está, mas permitiu a visita. Podem entrar. Bebem algo? — Água, por favor. — Levi pediu. — Hmm... nem vou pedir vinho para não parecer alcoólatra! — brinquei e consegui fazê-lo rir. — Água e vinho! — O segurança assentiu. — A pequena está no quarto. Final do corredor. Os quartos vizinhos são dos doutores. Ela deve estar só. — Obrigada. — Vamos tentar não estressá-la... no processo. — Levi falou ao homem. — Agradeço pela confiança. O segurança apenas assentiu, modesto e Natasha assumiu para ir à frente. Haviam cerca de nove portas no corredor, contando com a porta dupla final. Estava aberta e era o quarto do casal, donos da casa. Agora, estava ocupado pela mocinha. Ela estava sentada na cama com um caderno e lápis coloridos. Vendo-os, ela sorriu amarelo. — Bom dia. — Natasha lhe sorriu. — Podemos? Ela assentiu com a cabeça e voltou a prestar atenção no caderno. Demos nossos passos ao interior do quarto e ela não pareceu se incomodar. — Bom dia, mocinha. — Levi falou, olhando-a com tristeza. — Como você está hoje? — Tentou sorrir. Ela deixou o caderno de lado quando ele falou e o olhou com lágrimas nos olhos, mas respondeu: — Bem. Obrigada! — Não precisa agradecer. — Ele sentou ao lado da moça na cama. — Como falei, eu me chamo Levi. Qual é o seu nome? — perguntou. — Thereza. Eles diziam ‘pra falar Laila. Mas, a mãe chamou Thereza — sorriu amarelo. — É um nome lindo! — Eu escrevi. — Uma lágrima correu o rosto da moça, mas ela enxugou o pegou o caderno. — Os nomes dos outros... o senhor pode ajudar? — pediu. Até o meu coração quebrou com aquilo. — Eu vou ajudar todos eles! — Levi enxugou a lágrima do rosto da moça. — E eles vão voltar a ser criança... Eu prometo, pequena Thereza. Levi pegou o caderno e a mocinha só assentiu. — Eu preciso prender os homens maus... Você conheceu o nome de algum deles? — Levi perguntou. — Alguns... — Conseguiria escrever? — Posso. O senhor leva o caderno dos meninos e eu faço em outro! — A mocinha enxugou o rosto. — Tem um menino que está bem doente... Ele é tão bom. — Como era o lugar onde ficava? Sabe dizer? — A luz amarela... — A menina respirou fundo. — Alto. — Olhou para o teto. — Luz amarela... até nas paredes. Muita gente! Muita, muita! Como a cidade. — Quem cuidava das crianças? — As tias boas. — Voltando a abaixar a cabeça, ela reuniu as mãos em seu colo. — Quando estavam boas, as tias eram quem ajudavam a gente. — Boas? Quando não estavam doentes? — Até as tias podiam ser machucadas — soluçou. — Quando ninguém machucava, elas ajudavam. Senão... nós tínhamos que nos ajudar entre nós mesmos. — Entendo. — Levi assentiu e voltou a enxugar o rosto da moça. — Vai dar tudo certo, tudo bem? — Obrigada! — Mais lágrimas caíram. Ele se aproximou para beijar a testa da moça, mas foi surpreendido por um abraço da menina, que continuou agradecendo sem parar. Deu para vê-lo tremular, mas ele retribuiu o abraço, acariciando os cabelos da moça e falando: — Não agradece, pequena. Toda criança tem um anjo da guarda e eu ouço eles. — Sua voz embargou. A mocinha finalmente parou de agradecer. — Agora, precisa continuar se cuidando. — Ele falou quando ela se desvencilhou. — Não pode ser malvada com os doutores. Sei que injeção é horrível! — É horrível! — Ela concordou. — Mas, é para você melhorar e poder ir ao colégio ou brincar nos parquinhos. Pode fazer uma forcinha? — S-sim. Posso! — Ela assentiu.
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