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2212 Words
Sua mente é apenas um programa e eu sou um vírus Eu estou mudando a estação, eu vou melhorar seus limiares, eu vou te transformar em um super drone e você vai matar ao meu comando. E eu não serei responsável. Psycho | Muse — O emprego é seu. — O senhor gorducho de cabelos grisalhos me falou, entregando nas minhas mãos uma blusa farda totalmente esfarrapada. Ótimo, estou pronta para ir no sinal pedir esmola. — Mas já? — Questionei com a boca aberta olhando no relógio. Minha entrevista no Burgues demorou menos de 2 minutos. Ele perguntou o meu nome e por que eu precisava do emprego, respondi a sua pergunta dizendo que eu precisava sustentar minha fome e foi ai que ele disse que aqui era o lugar certo. O salário não era lá essas coisas todas, mas, daria pra eu me bancar aqui sendo um gasto a menos pra minha família. O horário era ótimo, das 3 da tarde até as 9 da noite. Consigo estudar nesse meio período e a ainda sobra tempo pra uma vida social. — Garota não desperdice a chance de comer hambúrgueres de graça. Agora limpe as mesas e atenda atrás do balcão. — Ele me mandou sumindo em direção a cozinha. Com certeza eu não desperdiçaria essa oportunidade nem morta. Comida de graça? Comigo mesmo. O ambiente era legal e movimentado. De funcionários só vi um, apenas Jack o que frita os hambúrgueres. O resto das atividades eu precisava fazer sozinha, mas tudo bem, nada que não valesse a pena para uma nova vida. •••• Meu pensamento mudou 1 hora depois de já ter limpado o chão, as mesas, fritado dois hambúrgueres por que o Jack era lento e ter sido cantada por quatro clientes idiotas. Ai ai Samantha... Suspirei, tentando lembrar o dia em que joguei pedra na cruz. — Você fica linda com essa farda. — Uma voz masculina me disse, e antes que eu pudesse perder minha paciência de vez mandando ir a merda a quinta cantada escrota no mesmo dia, percebi que era apenas o Carter me irritando. Suspirei mais uma vez. — Tá me seguindo por acaso? — Perguntei, me dando conta que aonde eu fui naquele dia ele também esteve. — Não, eu sempre compro hambúrgueres aqui. — Ah claro, pra Alice... — Quando notei, eu já tinha soltado a frase e desejei pegar todas as palavras de volta e por na minha boca novamente. — Lise — ele me corrigiu — sim, pra ela mesmo. – riu convencido. Oh droga. — Não tava afim de ficar sabendo sobre toda vez que você for t*****r com ela. — Pigarreei fazendo uma careta, depois soltei um risinho só pra que não fique tão na cara meu aborrecimento que nem deveria existir. Will pelo visto continua sendo o mulherengo de sempre, talvez esteja namorando, não tive a chance a ainda de perguntar. — E o Luca? — Ele perguntou sem muita enrolação. — Que tem ele? — Perguntei, passando o pano úmido pela bancada, sem o olhar diretamente. — Nada, só estou admirado que ele tenha deixado você vir. Não pude evitar de elevar meus olhos até os dele, que me encaravam dentro daquela face de deboche. Percebi que ele falou a palavra "deixado" só pra me irritar. — Ele não manda em mim, Carter. — Cantarolei, enquanto jogava respingos de água nele, se eu pudesse atearia fogo. — Claro... — Ele deixou a frase solta enquanto soltou uma risada nasalar. — Vou nessa. — Se levantou e foi em direção a porta, sem fazer nenhum pedido. — Mas você não ia comprar hambúrgueres? — O fitei curiosa. Acho que vamos empatar nosso jogo. — Não, não vou t*****r com ela agora a tarde. — Como previ, 2x2. Ele veio aqui apenas pra me ver, o que me fez sorrir vitoriosa. – Afinal Samantha, você anda muito preocupada com a minha vida s****l, não acha? — Ele disse prepotente na porta. Droga, voltamos pro 2x1 e meu sorriso logo desapareceu. E antes que eu pudesse formular alguma frase que me defendesse à altura do seu ataque ele continuou. — É legal f********o virtual com o seu namorado que está do outro lado do país? — O maldito perguntou em alto e bom tom fazendo com que as poucas pessoas do ambiente olhassem pra mim. Filho da p**a! Cancela esse jogo que eu criei na minha mente, por que foi um p**a de um gol contra. Depois que aquele i****a saiu, satisfeito por ver minhas bochechas vermelhas de vergonha e eu não ter conseguido falar outra coisa além do "vai embora", pois eu não poderia mandar um cliente ir se f***r no meu primeiro dia de trabalho, fui tirar os 15 minutos de lanche, comendo meu primeiro hambúrguer de graça. Aproveitei pra checar o celular e nada de ligações do Luca. Mas que p***a! Perdi a fome total quando vi no status uma foto dele com Tryna. Uma "colega". Não sou a favor de odiar as garotas amigas dos namorados, mas ela dava total motivo, bem, no caso os dois davam motivos suficientes. Já tive encejos demais para achar que eles me botaram um belo par de chifre, dentre eles tinha: ligações de madrugada, mensagens apagadas e até a um cupom fiscal de um motel no qual nunca fui e que ele jurava que tinha ido comigo. E por que raios o Luca postaria uma foto com ela com a legenda de um emoticon soltando beijinhos de coração? Era demais para a minha cara de palhaça, f**a-se essa maldita aposta com o Carter, preciso ligar para esse escroto vulgo meu namorado, ou no caso ex oficialmente, por que estou prestes a explodir. Depois de fodidas 5 tentativas de ligações rejeitadas e minha dignidade estar no lixo, tive que voltar o trabalho faltando longas 4h30min para ir pra casa. •••• — Cara ela mexe a b***a de uma maneira perfeita, você precisa ver. Ouvi uma voz falar enquanto escutei um estalar de beijos, ao mesmo tempo em que eu abria a porta da sala do apartamento da Abby. Vibrei mentalmente para não me deparar com o Will fazendo uma suruba na sala, por sorte, avistei o Alex de um lado do sofá, o i****a do Will do outro e Abby se comendo viva com Danver. — Boa noite. — Cumprimentei indo em direção ao quarto, me fazendo alheia sobre a forma que alguma garota mexia a b***a. — Hey, espere Sam! — O Alex me chamou com um sorriso vibrante no rosto, lindo por sinal. — Junte-se a gente, vamos jogar videogame? — Ele deu leves batidinhas no sofá para que eu sentasse ao seu lado. — Eh... Foi m*l, não vai dar. Preciso estudar. — Respondi nada a afim de jogar e escutar sobre as transas do Will, hoje não é um dia legal pra isso, me desvinculando total daquela cena. Não pude deixar de notar que a Abby não se soltou um minuto da boca do namorado, como se precisasse do oxigênio dele pra respirar. Inicio de namoro realmente é tudo de bom, sempre tem aquele fogo todo. A 7 anos não sinto isso e é uma merda, mais um motivo para não ficar por aqui. Só precisava pensar e colocar a cabeça no lugar. Não é fácil lidar com as inseguranças, assim como também não é fácil lidar com um relacionamento que foi a consequência de uma escolha m*l feita e está decretado um perfeito fracasso há muito tempo. •••• Depois de quase uma hora de molho na água morna da banheira tirei toda a catinga de hambúrgueres e gordura que estavam impregnados no meu corpo. Vesti uma camiseta qualquer e calcei meu all star, planejando caminhar pra espairecer. Ao invés disso escorreguei pela parede até encontrar o chão após encarar estática a tela do meu celular. Luca estava retornando minha chamada. Antes que ele desligasse depois do terceiro toque, eu atendi, não deixando escapar a oportunidade de esculacha-lo. — Por que postou foto com aquela garota? — Foi a primeira coisa que eu perguntei ao colocar o aparelho no ouvido, realmente não querendo soar amorosa. A irritabilidade e frustração me fizeram baixar a guarda. Eu odiava isso, odiava externar meu lado frágil. Porém o Luca curiosamente conseguia me deixar muito vulnerável de uma forma tão negativa. — A culpa é sua. — Ele retrucou do outro lado da linha. Ah claro, a culpa sempre é minha, pensei. — Por que não me ligou quando eu mandei? — Talvez seja por que você não manda em mim?! — Tentei falar o óbvio, talvez tenha fracassado dentro da minha ira interna. — Ah não Samantha? Então não pode reclamar da Tryna, que é minha amiga. — Disse, sabendo que aquilo me massacrava. — E está me ajudando a aliviar a barra de ter que te ver ai, fingindo que eu não existo. — Ele completou, me fazendo tremer de raiva. Ele era ótimo em trocar de posição na hora de uma discussão, eu sempre sendo a vilã e ele o coitadinho. Se ele esquecesse o aniversário de namoro, a culpa era minha por não ter lembrado. Se ele saísse sozinho com os amigos o tempo todo, a culpa era minha por sufoca-lo. E se ele me traísse a culpa era minha também, por não estar perto dele naquela maldita cidade. O c*****o! Cansei! — Luca, você sabe como eu me sinto em relação a isso. Foi uma escolha que eu fiz de vir pra cá e você decidiu terminar, até ai tudo bem, depois foi você que ressurgiu, fingindo que nada tinha acontecido aceitando minha decisão de vir pra California, então não venha me manipular! Se não quiser aceitar a minha escolha... — Deixei a frase solta no ar, pensando se era realmente isso o que eu queria dizer. Manda-lo embora de vez da minha vida. — Se eu não quiser aceitar...? — Ele pausou para que eu completasse, mas não consegui, falhei novamente como mulher, me sentindo péssima e ele continuou a fala do outro lado, pude notar que ria em um tom vencedor de mim. — Ok. Vou ser direto Sam, você volta pra cá ainda essa semana ou acabo com o restante do dinheiro da sua família, deixando todos na merda. Engasguei ao ouvir aquilo. — O quê? — Exclamei quando o chão sumiu dos meus pés. — Isso mesmo! Esqueceu que ajudei seu pai a quitar metade das dívidas com o banco? Apenas para que a sua mãe não perdesse a loja. — O filho da p**a disse convincente. — Contudo, amor, eu posso exigir que ele me pague de volta com juros e multa. Afinal, não faz mais sentido eu te ajudar, já que você está pouco se FODENDO pra mim. — Ele elevou a voz, dando ênfase que eu não me importava com ele. E eu até podia enxergar a sua cena de novela na minha frente. Ver ele tentando me usar daquela maneira me deixava á beira da loucura. Respirei fundo, levando as mãos até a cabeça tentando me recuperar daquele choque. — Você não pode fazer isso. — Murmurei em um fio de voz. Recebi uma risada maldosa dele em resposta. E pude sentir as lágrimas por fim descerem pelas minhas bochechas. — Ah não? É só voltar. — Eu não pedi sua ajuda! — Me defendi e me agarrei fielmente a ideia que aquilo era apenas um blefe da sua parte. — Mas seu pai sim, Samantha. Ou esqueceu? Não consegui falar mais nada. Fiquei extasiada, com o maxilar travado. — Estamos conversados, aguardo sua ligação me chamando para ir te pegar no aeroporto. Beijos! — O cretino disse, depois finalizando a chamada. Larguei o celular no chão e me enfiei na cama, chorando com a cara afundada no travesseiro. O que eu poderia fazer a não ser voltar pra casa? Sua chantagem tinha ido longe de mais, até que ponto eu preciso ficar presa nesse relacionamento? Por anos tentei me livrar de Luca e minha família nunca apoiou minha escolha, me obrigando a ficar com ele, não é a toa que meu pai uma hora dessas não fala mais comigo. A dívida do meu pai já era grande o bastante e se o Luca decidisse cobrar de volta toda a ajuda que deu, meu pai se afundaria em contas e mais contas. Sem deixar escapar a oportunidade de me culpar por isso. E minha mãe? Teria que fechar o negócio de três gerações da família, o que era simplesmente seu sonho. — Sam? — A voz rouca de Will ecoou pelo quarto, não tinha ouvido a porta se abrir anunciando sua chegada, talvez os meus pensamentos tivessem muito barulhentos dentro da cabeça. Percebi que a nossa conexão continuava ainda afiada, pois Will tinha aparecido justamente na hora que eu precisava de um ombro amigo, e isso de uma certa forma, bem bizarra, me deixou aliviada. Sem querer influenciar vocês, mas eu tenho um ranço do Luca ? que fdp. Nossa garota não pode deixar abalar por esse tipo de chantagem, concordam? Amores os capítulos serão postados corretamente três vezes na semana, assim que eu concluir DEMON. ? Beijinhosss
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