-Bye Bye.
Talvez eu devesse fazer amizade com um dos guarda-costas e pedir que ele me desse cobertura quando eu tiver que sair com Lenin; Então, não nos vemos apenas na universidade. Ele não reclamou muito disso, mas sei que isso o incomoda.
Depois de assistir a todas as aulas, fomos para o jardim, onde quase sempre passávamos juntos.
–Se você quer viver, tire essa ideia da cabeça –, digo a ele, rindo.
–Posso tentar fazer com que seu pai goste de mim –, diz ele como se não fosse nada fora do comum. Ou seremos assim para o resto da vida?
–Não, mas ainda é muito cedo –, respondo com o olhar fixo no céu.
–Para você, é muito cedo para tudo –, responde ele. Sei que as suas palavras têm um duplo sentido, mas ignoro-o; É o que costumo fazer.
– Eu sei que só nos vemos aqui, e é como se fosse todos os dias, mas por favor, entenda.
-Eu faço.
Não digo mais nada; Às vezes sinto que não deveria ter tentado nada com ele, mas quando nos vemos, esses pensamentos desaparecem. Viro-me para olhar para ele, desviando os olhos do céu.
Não disse nada; Ele simplesmente chega um pouco mais perto e me beija apaixonadamente, como sabe fazer para afastar esses pensamentos da minha mente.
–Sinto muito –, diz ele, tocando o canto dos meus lábios. Esqueci que minha namorada é filha de alguns chefões da perigosa máfia russa. – Ele castamente beija meus lábios e eu rio.
–Você sempre me faz rir –, digo, retribuindo o beijo. –Eu tenho que ir, – eu me afasto e me levanto da grama, pegando minha mochila.
–Algum dia teremos um encontro –, diz ele, sorrindo.
–Algum dia –, garanto-lhe de volta e mando-lhe um beijo para ir embora.
Quando chego em casa, da porta ouço as vozes dos meus pais chateados; Não faço muito barulho e avanço em silêncio para ouvir alguma coisa, mas não consigo entender nada.
-Esta tudo bem? – Pergunto, olhando para eles preocupado.
–Nada, pequenina –, meu pai responde imediatamente.
Concordo com a cabeça e subo as escadas, indo para o meu quarto. Me troco e deito na cama, pensativo; Não consigo nem ter ideia do motivo da discussão deles.
–Poderíamos tentar fazer a diferença. –
Foi a única coisa que consegui ouvir, e foi minha mãe quem disse isso.
Ouço um barulho na minha porta e viro a cabeça para ver o que é e vejo minha mãe entrando no meu quarto. Gentilmente, ela fecha atrás dela, tão delicada como sempre.
Recebo com um sorriso e ele me devolve, mas não com aquela felicidade que costuma ter; Estou muito curioso para saber se ele está realmente feliz ou se todos em casa fingem. Ela se acomoda ao meu lado e me faz encostar minha cabeça nela e começar a acariciar meus cabelos.
– Você gostaria de uma história de amor? – ele pergunta, e eu sorrio.
–Vocês sabem que eu não recuso isso, esses amores sombrios –, comento.
Ele solta uma pequena risada e começa a escrever a história para mim.
Muitos sonhos, aspirações, planos, tudo foi para o lixo justamente quando aquele homem pisou na porta de sua casa. Ela não estava de forma alguma interessada em se candidatar para ser sua esposa, mas surgiu um motivo tão forte que a deixou sem outra opção. Mas ele não precisava se inscrever; Ela só precisava olhar aquele homem nos olhos e ele já a escolhera como esposa. Declínio? Impossível; Ele tinha que colocar a família em primeiro lugar, e não, não era uma dívida ou uma ameaça de morte, era a liberdade, uma liberdade que a sua família perdeu da noite para o dia; Ela devolveu a ele, mas foi privada de sua liberdade.
-E? – Levanto a cabeça para olhar nos olhos dela.
– Quando eu te contei uma história completa em um dia? – ele pergunta, tocando minha bochecha.
–Eu sinto que você gosta de me deixar em suspense, – faço beicinho e ela ri. Descanso as duas mãos na cama e olho em seus olhos enquanto ela brinca com meu cabelo que cai sobre meu ombro direito. Saber? Acho que se você sofre muito, mas encontra um amor verdadeiro, único e puro, e não apenas alguns hormônios malucos, vale a pena.
Ele passa o polegar pela minha bochecha.
– Há crueldades que te fazem duvidar se o amor vale a pena, talvez pelo quão rigorosos seu pai e eu somos, há muitas coisas na vida que você não viveu, e que deveria ter vivido para ser forte.
–Sou forte, mãe –, garanto. Talvez simplesmente não tenha havido uma situação que prove isso.
–Claro –, ela ri, balançando a cabeça.
Olho para ela com muitas dúvidas na cabeça, mas as engulo com a saliva. Mesmo sendo minha mãe, tenho o hábito de não meter o nariz nos problemas dos adultos.
– Você vai ver isso sim, um dia vou te mostrar.
–Sim –, ele junta os lábios em um semi-sorriso.
–E é assim que reclamam se eu fico com ciúmes –, exclama Mariella ao entrar na sala.
– Você cresceu o suficiente para se mimar – minha mãe é a primeira a se defender.
–Ah, claro, eles são apenas quatro anos mais velhos que ela –, ela repreende, subindo na cama. Além disso, eu mereço, eles não sabem quando vou me casar.
–Ah, – minha mãe suspira como se estivesse se lembrando de algo. Temos uma festa, você sabe, assunto de negócios do seu pai...
– Posso prepará-lo desta vez? – proponho, interrompendo-a.
– ¿Segura? – indaga.
– Claro, farei certo, prometo; Você sempre os organiza e embora nós o ajudemos...
–Está tudo bem –, ele me interrompe. Vou contar ao seu pai e pronto.
Assento.
–Vou deixar vocês, meninas –, ela sai da cama e nos deixa sozinhos.
– Eles estão escondendo algo de mim? -perguntado.
Mariella me olha indignada.
–Não me olhe assim –, eu o aviso. Você estava conversando com esse Lombardi como se eles já se conhecessem, eles não me contam nada, e é assim que você reclama que eles me mimam.
–Há questões que não lhe dizem respeito –, esclarece.
–Ouça você mesmo –, digo ironicamente. Você já está no negócio da família? Você fala como se fosse assim.
–Arina –, ele diz em voz alta, mas isso não me provoca nem um pouco.
– Nunca reclamei de nada, da nossa vida misteriosa, temos tudo, sim, do que reclamar? Qualquer um que não estivesse na nossa posição perguntaria, mas você sabe exatamente do que estou falando.
–Relaxe –, ele me pede. Nossos pais nos amam.
–Sim –, ela riu sarcasticamente. Acho que seremos as princesas da máfia, ou uma a rainha e a outra a princesa, lembro que papai não tem filho, o que vai acontecer se não quisermos?
–Papai nunca nos forçaria a fazer algo que não queremos –, diz ele.
– Mas sim a casar com alguém que você confia e ama como um filho para cuidar dos negócios, certo?
–Pare de ficar com ideias estúpidas na cabeça, as coisas não funcionam assim na máfia –, ela exclama com tanta certeza que me confunde, porque eu disse isso só para dizer, não achei que ela fosse do negócio da família . A máfia busca apenas fazer crescer o império e manter o poder e, quando se trata disso, você sabe como é o pai.
–Não estou reclamando –, repito.
–Não faça isso –, ele me diz assim mesmo e sai da sala.
É verdade que a vida nos obriga a ser o que não somos?