Capítulo 6

2035 Words
Me olhando daquele jeito. Como se estivesse prestes a dizer alguma coisa. Ou fazer. Mas não disse. Nem fez. Só ficou ali, me olhando. Como se não tivesse certeza se podia. — Porque você está me olhando assim? — perguntei num sussurro. — Assim como? — ele devolveu, também num sussurro. — Não sei — soltei uma risadinha nervosa — me diz você. Ele abaixou os olhos, parando na minha boca. — Alguém já te disse que você é uma mulher linda? — Isso eu já sabia — ri, me fazendo de convencida — me conta uma novidade. Ele balançou a cabeça, indignado. — Você tem um ego enorme. — Eu só disse a verdade — murmurei dando de ombros, abaixando os olhos para boca dele — Mas... por que a gente tá sussurrando? Ele inclinou levemente a cabeça para o lado, como se estivesse avaliando o motivo também. — Não faço a mínima ideia — voltou ao tom normal, a voz agora soando mais firme. Ficamos em silêncio por um segundo. Um daqueles segundos que duram tempo demais. Com o rosto ainda rente ao meu, com os nossos narizes quase colados, olhando nos olhos. E, de repente tudo parou, quando ele se afastou um pouco, pegou a minha mão com delicadeza e perguntou: — O que aconteceria se eu te beijasse? — perguntou se aproximando de novo, quase encostando os lábios no meu. — O quê? — engasguei. — Quer dizer, você... você tá falando sério? Porque se for brincadeira, não é engraçado. Você sabe que eu — eu nem sei o que está se passando na cabeça dele, para ele disse isso — Se for por causa da promessa, não precisa — balancei a mão nervosa e continuei — E ainda tem a Sandra, que deve está esperando uma chance e também tem a Shirley que vai, tipo, surtar se souber disso, e eu não tô nem preparada, e meus lábios provavelmente estão ressecados porque eu não passei balm hoje e eu nem sei se… Ele me beijou. Simplesmente se inclinou e me calou com os lábios. Como se tivesse esperado tempo demais por aquilo. Eu só consegui ficar estática, com os olhos abertos, encarando os olhos dele, que está parado com os lábios colados no meu, em um selinho firme. Meu coração batia tão alto que eu tinha certeza que ele podia ouvir. Noah afastou o rosto bem devagar, como se não quisesse me assustar. Mas ainda estava perto demais. A respiração dele roçava meu nariz. — Você me beijou. — sussurrei ofegante. — Beijei. — concordou olhando para minha boca de novo, como se quisesse senti-los de novo. Olhei para boca dele e abaixei os olhos para o pescoço vendo o engoli em seco — Por quê? — perguntei confusa — Foi por causa da promessa? Ele inclinou a cabeça, pensativo, mas os olhos nunca saíram dos meus lábios. — Porque eu quis. E porque você não parava de falar. — sorriu de lado, voltando os olhos para o meu rosto. — E não, não foi por causa da promessa. — Você podia só ter mandado eu calar a boca. — respondi franzindo a testa. — E perder a chance? Preferi fazer de um jeito mais interessante. — deu de ombros. — E se eu não tivesse gostado? — provoquei. — Você não gostou? — Ergueu uma sobrancelha me desafiando. — Não sei, talvez você deva me beijar de novo, para eu ter mais uma prova. — desafiei. — Acredite, cuore — ele murmurou, a voz baixa e rouca — Isso não foi um beijo de verdade. — Isso — Se aproximando outra vez, ele sussurrou, os olhos presos nos meus — isso é que é o verdadeiro beijo. Antes que eu pudesse reagir, protestar ou sequer pensar, os lábios dele estavam nos meus. Começou com um colar de boca, e no instante seguinte senti suas mãos segurando minha cintura, me levantando da beira da borda do chafariz, fazendo com que meu corpo se encaixasse melhor no dele. Seus dedos apertaram meu quadril, possessivos, decididos. Soltei um gemido, fraco, traidor. Ele aproveitou o meu gemido para aprofundar mais, e me beijar com mais intensidade. Sem os saltos,fiquei mais baixa, fazendo assim ele se curvar, apoiei o meu braço no seu pescoço o puxando para mim, e a outra mão apoiei sob o peitoral, Noah apertou o meu quadril colando mais o seu corpo no meu. E eu... Eu esqueci de tudo. Da Sandra. Da Shirley. Era só ele. E eu. ………… — Porque você está tão quieta? — Perguntou com os lábios em cima da minha cabeça. Estou entre as suas pernas, com a minha cabeça apoiada no seu peitoral— Porque você está tão quieta? — ele perguntou com os lábios roçando o topo da minha cabeça. Estava entre as pernas dele, deitada contra o peito firme, ouvindo o som tranquilo da sua respiração. Estávamos no seu apartamento fugindo de todo mundo lá em casa. — Só estou pensando — murmurei, um pouco sem jeito. — Você não gostou? — ele perguntou, a voz baixa, quase tensa. Soltei uma risada, sincera, quase leve. — Você tá falando sério? — me virei para encará-lo, incrédula. — Só estou envergonhada. Me voltei para frente, apoiando novamente a cabeça no peito dele, tentando esconder minhas bochechas vermelhas. — Envergonhada por quê? — ele perguntou, me apertando mais nos braços. Engoli em seco. — Tive poucos garotos na minha vida... — comecei, sentindo o corpo dele endurecer atrás de mim. Os braços afrouxaram. Juro que ouvi um rosnado sair da garganta dele. — E nunca fui beijada como fui por você — completei, baixinho. Ele me puxou de novo contra o corpo dele, dessa vez com mais força. — Você foi beijada por moleque. — disse com firmeza. — Isso é fato. Mordi o lábio, meu coração disparado. — Mas você… — respirei fundo — Você gostou? — perguntei, com uma certa timidez na voz. Ele me virou de frente com um movimento decidido, os olhos escuros me encarando com veemência. — Você só pode estar brincando. — disse, como se a pergunta fosse absurda. — É sério... — sussurrei, insegura. — Cuore, você não imagina o que se passa pela minha cabeça — ele disse, se inclinando, a boca roçando a minha. — E pode ter certeza... que não é nada inocente. Não consegui responder. Só me aproximei, sem hesitar tanto, e dei um selinho rápido — direto, mas curto demais. Senti minhas bochechas esquentarem logo depois , me virando para frente de novo. Atrás de mim, ouvi a risada dele, achando graça do meu embaraço. — Não é vergonha, né? — ele cutucou, divertido. — Porque você não é do tipo que se esconde. — Me deixa — murmurei revirando os olhos. — Você ficou corada — ele provocou, aproximando os lábios do meu ouvido. — Me pergunto se você ficaria vermelha assim. — E você tá achando isso o máximo, né? — retruquei, cruzando os braços, mesmo sem me afastar dele. — Tô achando você linda — ele sussurrou. — E isso também não é novidade. Sorri de canto, deixando o coração acalmar aos poucos. Sorri com a ideia em mente, só para provocá-lo. Aproximei devagar, sentindo o calor do corpo dele atrás de mim, e encostei minha b***a na sua pelve. Me movi com sutileza, me esfregando de leve, só o bastante pra sentir a reação imediata pulsar contra mim. Ouvi ele xingar baixinho, rouco, e no segundo seguinte, a mão dele agarrou minha cintura com força, me segurando no lugar. — Ayla — a voz dele saiu tensa, mais grave — acho melhor você parar, se não quiser lidar com as consequências. O coração disparou dentro de mim. Não de medo. Mas de algo novo. Algo que queimava na pele e uma contração na região pélvica. Me virei um pouco, encarando-o com um sorrisinho atrevido. — Que tipo de consequências? — provoquei, como quem brinca com fogo. Os olhos dele escureceram visivelmente, passeando pelo meu rosto, descendo para minha boca, depois para o pequeno espaço entre nós. Ele molhou os lábios devagar, como se já saboreasse o que viria. — Você realmente quer descobrir? — A voz dele saiu baixa, quase uma ameaça doce. — E se eu quiser? — sussurrei, aproximando minha boca da dele até quase tocá-lo. Num instante, senti sua mão envolver o meu pescoço e me puxar com firmeza, bruscamente, e então ele me comeu, literalmente, como se quisesse me devorar, sem cerimônia, com a língua quente e faminta. Não é como se eu fosse inocente. Perdi a virgindade aos dezessete, com um cara da escola. Foi casual. Curiosidade. O que eu estou sentindo aqui, com ele, é completamente diferente do que eu senti pelos outros garotos. Me virei me sentando no seu colo virada de frente, quase encostando a nossa pelve, segurei seu pescoço e retribuí o beijo com a mesma intensidade, deixando um gemido escapar, abafado contra os lábios dele. — Cuore — me falou se afastando devagar dos meus lábios — Vamos com calma, ok? — Fiz alguma coisa de errado — perguntei enrugando a testa. — No, non cuore — segurou o meu rosto com as duas mãos — Você acabou de completar 18 anos, não vamos nos apressar. — É por causa dela? — perguntei sem esconder o ciúme. Gosto da Sandra, de verdade. Mas isso não me impede de sentir ciúmes agora. Ele quase riu… quase. Só ergueu um canto da boca num meio sorriso sarcástico. — Com ciúmes, cuore? — perguntou, a diversão evidente na voz. — Antes você não parecia se importar. — Antes, você não era meu. Eu não tinha o direito de me importar. Mas agora… — me aproximei do rosto dele, séria, sem espaço para brincadeira. — Agora você é todinho meu. E eu não divido o que é meu. Ele apertou minha cintura com firmeza, os olhos escurecendo, parecendo gostar muito do meu ciúme. — Já que estamos colocando as cartas na mesa… — roçou os lábios na minha bochecha. — Eu também não divido. Cada parte de você é meu, estamos entendidos, cuore? — Tenho a leve impressão de que a gente vai brigar muito com essas possessividades todas — comentei rindo, me levantando do colo dele indo até a cozinha. — Aonde você vai? — ele perguntou, ainda com a voz arrastada pelo momento. — Preciso de cafeína no meu sangue. Urgente — respondi por cima do ombro, abrindo a porta do armário com a leveza de quem acabara de marcar território. Vi ele levantar e andar atrás de mim. — E eu achando que a minha boca fosse mais viciante que café… — brincou — Quase — retruquei, sorrindo de lado enquanto colocava a água pra ferver. — Mas café não é tão complicado. — Está dizendo que eu sou complicado? — perguntou enquanto se encostava no balcão, se apoiando em cima de braços cruzados. — Somos — corrigi me virando para continuar o que comecei — Acho até que foi bom você não ter impedido o que pode nos fazer arrepender depois. Ainda não estou pronta para esse passo. — Sei que não — deu a volta do balcão e parou na minha frente segurando as minhas mãos — Eu conheço você mais do que você imagina. — Confirmou — Como diz a minha mamma: “Você conhece bem demais a pessoa, quando você a ama, gosta ou a odeia” O que ele falou foi um estalo na minha mente. Depois de amanhã é o aniversário da mãe dele, ele sempre some nesse dia de luto. — Por conhecer você tão bem, eu sei o que você está pensando — me abraçou — Eu estou bem. — Você tem certeza — perguntei com a cabeça colada no peito dele. — Sim, tenho — mentira, assim como ele me conhece, eu o conheço. Decido não falar nada.— Sobre o fato de sermos complicados, eu posso tentar ser menos… — sorriu de lado — complicado. — Não precisa deixar de ser complicado — soltei dando uma risada e voltando a passar o café — Eu gosto dos nossos caos.
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