Capítulo 10

2028 Words
Depois do reencontro de Sandra na noite anterior, eu e Noah, não tocamos no assunto. Aproveitei a manhã livre para começar a adestrar o Storm. — Senta! — comandei com um dedo indicador levantado e petisco entre o dedo médio e polegar. Ele me olhou com aquela carinha pidona, o r**o abanando freneticamente, e em seguida se jogou no chão, de barriga para cima, pedindo carinho em vez de obedecer. — Não, Storm... — suspirei, tentando não rir. — É senta, não desmaia. Ele levantou e choramingou me encarando, e depois olhando para o petisco na minha mão. — Para você ganhar, precisa colaborar. Ele inclinou a cabeça de um lado para o outro, como se realmente entendesse cada palavra, mas preferisse me desafiar. — Teimoso... — murmurei baixinho. Depois de muita luta, o Storm sentou. Sentei ao lado dele, e peguei a minha garrafinha de água, depois de dar o pote de água dele. Sentir a vibração na minha calça traseira. Desbloqueei, encontrando a mensagem do Noah. Espirrei a água para fora do choque. “ – Noah: — Vamos sair para o nosso primeiro encontro hoje.” Antes que eu possa responder depois do choque, desistir de responder depois da mensagem a seguir: “ – Noah: Não aceita um não como resposta, te pego às 19:00 e ponto.” Storm deitou a cabeça no meu colo, e eu passei a mão distraída pelo pêlo macio. — E agora, o que eu vou vestir? — suspirei. ……. — Preciso de sua ajuda! — falei assim que a Kira me atendeu. — Boa tarde Ayla — ironizou. — Eu tenho meu primeiro encontro às 19:00 — exclamei — Então, por favor, me ajuda. Ela riu, divertida, e logo ficou séria. — Tá, me manda foto das opções. Onde vocês vão? — perguntou. — Não faço ideia. — franzi a testa. — Então aqui vai a minha ideia, você escolherá um vestido preto e curto, mas não tão curto, ok? — falou em tom sério. — Um vestido preto e curto, mas não tão curto? — repeti — Ok, posso fazer isso. — Você consegue? — perguntou duvidando. — Eu consigo — falei confiante — Não sou inimiga da moda. — Confio. — debochou. Depois de rodar todo shopping e procurar um vestido mais a minha cara, eu encontrei. Preto de um ombro só, manga longa de tule de malha leve, curto, mas não tão curto, um pouquinho acima do meu joelho. Esse vestido era perfeito. Antes de ir para casa, passei na casa do Noah, peguei o Storm, limpei a bagunça que ele tinha deixado e então segui meu caminho. Subi direto para o quarto, com o Storm me seguindo de perto, enquanto ignorava Shirley, que estava na sala rindo alto e gesticulando animada ao telefone. — Achei o vestido! — exclamei assim que a Kira atendeu a chamada de vídeo. — Se a tia Amélia te ouvisse com essa falta de educação, ia se perguntar onde foi que errou. Boa tarde, Ayla. — ela ironizou, apoiando o celular na cabeceira da cama antes de se deitar de barriga para baixo, com o rosto próximo da câmera. — Me desculpa. — sentei-me na cama, mordendo o lábio. — Eu só estou um pouquinho nervosa. — Ayla, não é como se você nunca tivesse tido encontros antes, pelo que você me contou enquanto estava longe. — Kira estreitou os olhos. Suspirei, apertando o travesseiro contra mim. — É diferente... — murmurei, sem coragem de encará-la. — Diferente como? — a encarei, e ela apoiou o queixo nas mãos. — Você sempre soube da minha paixão por ele, isso é diferente. — murmurei nervosa — Nunca senti um frio na barriga, ansiedade e quase um ataque cardíaco me perguntando o que vai acontecer. Levantei da cama e apoiei o celular no travesseiro que eu estava apertando. — Eu estou com um pressentimento de que algo vai acontecer, e ele nunca erra. — murmurei de braços cruzados. — É um pressentimento, r**m ou bom? — perguntou. — Bom. — dei de ombros. — Então para de drama, garota. Se o pressentimento é bom, aproveita. — ela piscou — Agora coloque o vestido para eu ver. Peguei a sacola de papel com a logo da loja e entrei no banheiro para me vestir, depois de me vestir, sem fechar o zíper, eu saio do banheiro e parei em frente ao meu celular para que Kira possa ver o vestido por completo. — Meu. Deus! — ela abriu a boca. — Ayla, esse vestido não é apenas perfeito, ele foi feito pra você! — Você não achou muito? — perguntei aflita. — Não, amiga, ficou linda. — sorriu com sinceridade. Storm latiu do canto do quarto, abanando o r**o como se quisesse participar da conversa. — Viu? Até ele concorda comigo! — Kira riu. — E pensar que eu ainda duvidei do seu gosto na hora da escolha. ……. Enquanto me maquiava, optei por algo bem leve, nunca gostei de make pesada. — Você acha que essa maquiagem ficou horrível? — perguntei, me inclinando para olhar o Storm. Ele apenas se ajeitou no canto da cama, juntando as patinhas ao lado da cabeça e fechando os olhos como se fosse dormir, totalmente indiferente ao meu dilema. — Ótimo, obrigada pelo apoio. — resmunguei rindo. Na hora de fechar o zíper, chamei a minha mãe da porta para me ajudar a fechar. — Vai sair? — perguntou atrás de mim enquanto fechava o zíper do meu vestido. — Sim, tenho um encontro. — respondi, me virando para encará-la — E aí, como estou? — Você está linda, querida. — ela sorriu de um jeito maternal, enquanto ajeitava delicadamente uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. — Obrigada mamãe — beijei a bochecha dela. Descemos a escada e encontramos Shirley no mesmo lugar de antes. Só que dessa vez, ela levantou os olhos do celular apenas para me lançar um olhar de desdém. Meu pai, distraído com a televisão, desviou o olhar para mim e abriu um sorriso. — Onde a senhorita vai tão linda desse jeito? — perguntou, dando um beijo leve na minha bochecha. — Nossa menina tem um encontro, Augusto — sorriu cúmplice pra mim. — Posso saber quem é o rapaz? — ele perguntou, já com um tom enciumado. — Depois eu apresento ao senhor, prometo, papai. — beijei a bochecha dele. — Espero mesmo. — murmurou, contrariado. — Preciso de um pequeno favor seu. — me virei para minha mãe. Ela virou o rosto e encarou o Storm, que está atrás de mim, sentado me encarando com um olhar pidão. Ele não gosta que eu saia sem ele. — Você quer que eu cuide do Storm, certo? — adivinhou, arqueando uma sobrancelha. — Não sei o que pode acontecer com ele, pra você estar me pedindo isso. — A senhora sabe que eu não confio na Shirley. — respondi de imediato. — Eu nunca consigo entender essa implicância sua com a sua irmã mais velha. — meu pai interveio, o tom levemente repreensivo. — Ela fez algo contra você? Sim! Essa é a vontade que eu tenho de responder, mas não é o que eu respondo. Cruzei os braços, desviando o olhar para Shirley que sorriu me desafiando a contar. Sem vontade de entrar naquele assunto. — Não é implicância, papai. Eu só conheço a Shirley bem o suficiente. — Tudo bem querida, mesmo não precisando, vou cuidar dele pra você. — interveio, antes que as coisas possam piorar. — Eu não sei porque a minha irmãzinha me odeia tanto…— Shirley suspirou com falsa tristeza. — Mas, como irmã mais velha, sou obrigada a te dar um conselho: esse vestido não valorizou você. — ela sorriu venenosa. — Mas em mim ficaria perfeito. — Cuidado, maninha, pra não escorrer veneno junto com essa sua inveja. — retruquei com um sorriso debochado. — Meninas, chega! — brandou meu pai, erguendo a voz. — Ela só está sendo uma irmã mais velha, não está fazendo por m*l. — Esse é o problema, papai! — retruquei, sentindo o sangue ferver. — O senhor só a deixa mais mimada do que já é, sempre passa a mão na cabeça dela, por mais errada que esteja. É por isso que a Shirley nunca vai crescer — falei — sempre vai ser um encosto na vida dos outros. E eu não vou deixar que ela seja minha também. O silêncio pesou depois do que eu disse, Shirley só me encarava, o rosto vermelho de ódio, os punhos cerrados contra o braço do sofá. Antes que meu pai pudesse arrumar mais uma desculpa para defendê-la, o som de uma notificação vibrou no meu bolso. “ – Noah: — Estou aqui na frente.” — Ele chegou. Vou indo. — murmurei, me inclinando para beijar a bochecha dos meus pais. Meus pais são manipulados pela Shirley. Eles não veem, não querem ver. Mas um dia a máscara vai cair e quando eles descobrirem quem verdadeiramente é a Shirley, espero não estar aqui. Creio que o bangue vai ser grande, e uma decepção também. ……. — Você está linda, cuore. — ele sussurrou antes de beijar minha testa com carinho. — Estou arrumada demais, ou menos? — perguntei, um tanto nervosa. — Você ainda não me disse para onde vamos. — Você está perfeita. — respondeu sem hesitar, deixando o olhar deslizar até minhas pernas nuas. — Pode se vestir até com um saco de batata que ainda continuaria linda. Soltei uma risada, empurrando-o de leve em tom de brincadeira. — Vamos? — perguntou ao abrir a porta do passageiro. — Vamos. — aceitei, segurando a mão que ele me ofereceu para entrar no carro. — Não comi nada desde o café da manhã, estava ansiosa. — Vou te alimentar muito bem. — murmurou com um sorriso enviesado, fechando a porta antes de dar a volta para o lado do motorista. — Afinal, tenho planos para essa noite. O trajeto pareceu mais curto do que realmente era. E quando estacionamos, Noah novamente abriu a porta do passageiro para mim, ajudando-me a sair do carro. Paramos diante do maître, que se encontrava atrás de uma mesa alta na entrada do restaurante, fomos recebidos com formalidade. — Boa noite. — cumprimentou o funcionário. — Em que posso ajudá-los? — Boa noite. Reservei uma mesa para dois. — respondeu Noah. — Nome, por favor? — pediu o maître, abaixando o rosto para o tablet diante dele. — Noah Moretti. — respondeu com firmeza, a voz carregada de autoridade. Nem parecia o mesmo Noah descontraído que eu estou conhecendo. Desde sempre, ele parecia sisudo só demonstrava um pouquinho de calor pra mim, era algo raro, que a Shirley ficava com ciúme, do seu melhor amigo ser carinho com a irmãzinha dela e não com ela. Será que ele é assim na empresa? A pergunta veio sozinha, acompanhada por uma imagem que não consegui controlar: Noah em uma sala de reuniões, comandando olhares, ditando ordens, sendo seguido sem questionamento. Mordi o lábio, e um arrepio subiu pela minha espinha ao imaginar se ele também seria assim entre quatro paredes. Será que me dominaria? Quando percebi, seus olhos já estavam em mim. Primeiro no meu rosto, depois desceram devagar até meus lábios presos entre os dentes. O levantar de sua sobrancelha foi sutil, mas suficiente para denunciar que ele entendeu exatamente onde minha mente tinha ido parar. Ele se aproximou, o calor do corpo dele invadindo o meu espaço, e apoiou a mão firme na minha lombar, me puxando para o seu corpo. — Essa noite você não vai fugir. — murmurou com uma rouquidão que me fez estremecer. — Quem disse que eu quero fugir? — respondi num sussurro atrevido, encarando seus olhos escuros. O rosnado baixo que saiu de sua garganta foi a última coisa que ouvi antes de ele me puxar ainda mais e capturar minha boca com urgência. — Primeiro eu vou te alimentar. — falou depois de se afastar apenas um centímetro da minha boca, o hálito quente ainda me envolvendo. — Depois vai ser a minha vez.
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