21. Sarah

1192 Words

A casa foi voltando ao normal aos poucos, como se todo mundo tivesse combinado de não deixar a noite pesar. Mariana colocou comida na mesa, Lara puxou uma cadeira, e eu aceitei sentar porque era mais fácil do que inventar desculpa. O cheiro do jantar era bom, simples, mas com gosto de casa de verdade. Lara falava alto de propósito, tentando preencher os espaços. — Eu avisei que sorvete era terapia — ela disse, enchendo o prato. — Só não contava que ia virar sessão de ódio gratuito na rua. Mariana lançou um olhar curto pra ela, aquele de mãe que manda calar sem abrir a boca. — Come e fica quieta, menina. Eu comi devagar. Não era falta de fome, era costume de comer com atenção, sem chamar atenção. Mesmo assim, ali ninguém parecia notar o jeito como eu segurava o garfo, o jeito como eu m

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