Kayla

2746 Words
T O N Y Já faziam umas meia hora que ela estava amarrada na maca de metal. Nada a fazia acordar, mas, segundo Sexta-Feira, ela estava apenas descansando. O baque cerebral foi grande e, talvez, ela se lembre de tudo quando ela acordar. Também há uma possibilidade dela acordar sendo Carol Summers, a Víbora da Hidra. — Acha que essas amarras podem segurá-la, caso a Víbora acorde? — Nat questiona Banner — Poderá atrasá-la. — ele responde disfarçando o incômodo de sua presença — A Hidra já não tinha uma víbora? — Steve questiona — Espero que ela possa nos responder tudo isso quando acordar. — resmungo bebendo meu bourbon — Se ela acordar. — Clint diz andando envolta dela — Será que ela tá morta? Essa garota vive desmaiando. — ele dá uns cutucões no rosto da mulher deitada — Vou chamá-la de Bela Adormecida. — E eu serei a Malévola. — Nat sorri entrando na brincadeira — Só quero que ela acorde. — Wanda diz tão baixo, que eu só a ouvi por estar perto — Ela está acordando. — Visão comenta O silêncio toma toda a sala e, por um momento, só o que se ouve são as respirações agitadas das pessoas presentes. Todos estão em grande expectativa e isso faz minhas mãos suarem. Quando Kayla-Carol se dá conta de que está acordada, analisa a sala com olhos críticos e seu olhar se pousa em mim. Parece que ela achou o que estava procurando. — Tony. — ela murmurou — Com qual Kayla estamos falando? — Steve indagou e eu estremeci discretamente — No aniversário do Tony, — ela começou a falar — você e eu rolamos a escadaria da Torre porque eu tropecei. Meu vestido rasgou e você corou, porque eu estava usando uma lingerie rendada vermelha, que seria o presente de Tony. Combinamos que isso ficaria entre nós. — E você acabou de descumprir esse combinado. — ele disse envergonhado, mas com um sorriso torto nos lábios — Naquela mesma noite — ela olhou para Natasha, que a olhava desconfiada — Você me contou algo sobre... — a ruiva a impediu de continuar — É bom te ter de volta, Kayla. Por favor, não diga mais nada. — ela lhe dirigiu um breve sorriso — Podem tirar as amarras? — ela olha para Banner e depois para Steve — Estão muito apertadas. — Como vamos saber que não tentará algo? — eu finalmente disse alguma coisa e me levantei, caminhando até ela — Eu poderia dizer que, naquela noite tumultuada, eu e você transamos enquanto você ainda estava quase todo vestido com sua armadura de gala. — todos na sala pareciam segurar o riso e Steve estava desconfortável — Mas vou confiar na sua intuição de que sou eu mesma. Ficamos em silêncio por mais alguns instantes até que Steve a tivesse desamarrado por completo. Ela, mais uma vez, passou o olhar pelo laboratório de Bruce e se sentou na maca. Os braços estavam levemente marcados, mas isso não pareceu incomodá-la. — Pode nos responder algumas perguntas? — Steve pergunta — Antes: — ela se virou para mim, que estava atrás dela — Como soube sobre mim? — Eu... — gaguejei por um instante e tentei não entrar em pânico — Sexta-Feira me disse que você recebeu visitas enquanto eu não estava. Disse que era Alan Brooke e que eu precisava ver uma coisa. Acessei meu computador e lá tinha um dossiê completo sobre o tal Alan. O que ninguém esperava era que o histórico do verdadeiro Alan Brooke ainda não tinha sido deletado. Só precisei pesquisas um pouco e ligar pontos. — Eles não apagaram o histórico do verdadeiro Alan? — ela franziu o cenho — A Hidra não da ponto sem nó. — Steve comentou — Eles queriam que você fosse descoberta. — Exatamente. — ela assentiu perplexa — Seria mais fácil de fritar meu cérebro se Tony me escurrassasse. — ela pareceu pensativa — Muito tentadora a ideia de discutir com você e te xingar — eu disse — Mas quando eu cheguei em casa, você tinha sumido. — Fui dar uma volta quando a Equipe Alfa me "sequestrou". O Mestre falou muito e dizia que desse jeito era melhor, que esse deveria ser o plano A e não o B. Na hora eu não entendi muito, mas agora. — sua voz morreu, dando a entender o que ela queria dizer — Como se tornou a nova Víbora? — Nat a olha — A Hidra já num tinha uma víbora? — Madame Hidra veio ao óbito após uma briga f**a envolvendo Wolverine e uma samurai. Eu não tinha apelido algum, mas virei a Víbora Preciosa após seduzir, roubar e m***r o presidente de Sokóvia. — Então foi você! — Wanda disse algo, após tanto tempo apenas ouvindo. Kayla-Carol encolheu os ombros, como quem se sentia culpada — E por que Víbora? — Steve perguntou — Viúva n***a já estava sendo usado. — ela deu de ombros e Natasha sorriu — Qual era o plano? — Bruce pergunta — Eles queriam os dados dos antigos armamentos da Stark Enterprises. — Por que? — foi a minha vez de perguntar — Brincar de boneca, talvez. — Clint respondeu com ironia — Eles vão atacar a KGB em nome da S.H.I.E.L.D.. — Isso é besteira! — Fury disse e eu me perguntei se ele acabara de chegar — A SHIELD não existe mais. — Acha que eles ligam pra isso? — ela o olhou — Eles só precisam de um cavalo de tróia para começar uma guerra. — Se eles atacarem a KGB, a Rússia inteira irá declarar guerra aos Estados Unidos da América. — Nat observou — Terceira Guerra Mundial? — Steve a olha — Provavelmente. — Foi o que pensei. — Não enquanto eu for o Homem de Ferro. — deixei o copo de lado — Eu posso ajudar. — Kayla-Carol sugeriu — Não, você vai para a prisão. — decretei ficando furioso — Stark. — Nick me repreendeu — O que é? — eu o olhei — Ela nos colocou nessa situação. — E pode nos tirar. — ele concluiu — Besteira! — rebati — Querem me enviar para a prisão Balsa? — ela perguntou — Como sabe sobre a prisão Balsa? — Visão perguntou — A Hidra sabe de tudo. Ela vê tudo. — ela explicou — Eles estão esperando que me enviem para lá e, assim recuperar-me para a conclusão do plano. Me levar para lá, seria como dar um tiro no próprio pé. — Admita, Tony. — Steve me olhou — Ela é necessária. — Fury me fez essa proposta, quando eu estava na minha cela. — Está trabalhando por conta própria, Fury? — eu o olhei tentando controlar minha fúria — Então você aceita se juntar à nós? — Nick se aproximou dela, me ignorando completamente — Não necessariamente a proposta. — ela rebate — Você propôs que a minha parte desmemoriada se juntasse à vocês, para que você me manipulasse. Desta vez, eu estou lhe propondo algo. — Qual seria a proposta, senhorita Williams? — o projeto de pirata continou agindo como se não estivéssemos ali — Quero saber se vocês aceitam que a Víbora se junte à vocês temporariamente. — ela nos olha, mas depois volta a encarar o tio do t**a-olho — Não podemos aceitar. — rebato — Mas precisamos. — Steve decreta — Bem-vinda à equipe. — Ah, m***a! — resmungo e me afasto, pegando meu copo de novo — Mas com uma condição. — Steve continua, ignorando minha "boca suja" — Permita-nos moldar uma nova Víbora. — Querem me moldar de novo? — Kayla bufou — Não acha que já passei muito por isso? — Vamos lhe dar opções, Kayla. Usará seus dotes para o bem, agora. — Tanto faz. — ela deu de ombros — Quando tudo isso acabar, eu vou acabar numa das celas especiais daquela prisão. Mas não é por que vocês vão me colocar lá, vai ser porque eu vou querer estar lá. — ela se levantou, foi até a mesa onde minha garrafa de bourbon estava e se serviu sem cerimônia — Vamos ao trabalho. + + + Eu tentava ocupar a mente mexendo no raio propulsor da minha armadura, enquanto ouvia minha ex-quase-namorada falar sobre algo relacionado ao dia em que ela roubou minha empresa. — Conta mais sobre suas missões. — Sam, que chegara à vinte e cinco minutos, a olhava curioso — Bem, pra começar, eu já trabalhei com vocês. Não necessariamente ao lado de vocês. — Já esteve conosco em campo de batalha? — Capitão perguntou — Já. — ela confirmou — Tennesse, — ela me olhou rapidamente, enquanto começava a listar — Nova York, Sokóvia, Washington, Inglaterra. Não necessariamente nesta mesma ordem. — Esteve comigo na minha briga com o Mandarim? — eu perguntei — Pra quem você acha que o Aldrich trabalhava? — Achei que ele trabalhava sozinho. — Tinha parceria com a Hidra, até decidir nos passar para trás. — Nos passar para trás. — repeti a fala dela — Ainda fala como a arma secreta deles. Ela suspirou e parou de folhear seu diário. Se virou devagar e me encarou, provavelmente vendo a mágoa em meu olhar. Por um instante, todos se calaram e pareciam entender que aquilo era entre nós. — Qual é seu verdadeiro nome? — pergunto — Karla, Camila, Lauren... Quantos disfarces você tem? — Sou Kayla Rose Williams. — Mentira. — rosnei — Acredite se quiser, Tony. Sabe que estou falando a verdade. — Sua víbora mentirosa! — eu gritei — Stark! — Steve tentou me acalmar — Você mentiu pra mim! — gritei novamente — Eu não vou ter essa conversa com você, Tony. Não agora. — Kayla-Carol se negou — Eu odeio você. — resmunguei Saindo do laboratório, eu me sentei em um dos degraus da escada ali de fora e encostei a cabeça na parede. Tudo a minha volta parecia rodar e eu sabia que não era só efeito da bebida. Como eu fui t**o! E como minto m*l, também. K A Y L A Sentada no muro da sacada, com as pernas penduradas para fora, eu terminava a segunda garrafa de bourbon daquela noite. O resto do dia passou num piscar de olhos, com tanta coisa pra explicar e falar. Não sei direito o que deu na minha cabeça quando decidi me juntar aos Vingadores, mas tenho certeza que tem alguma coisa a ver com poder dormir sossegada. Sem choro antes de dormir, sem pesadelos com minhas vítimas gritando. — Você não vai pular, vai? O timbre grave do Capitão me fez sorrir leve, enquanto eu encarava a noite um pouco fria. — Por que acha isso? — É que você já bebeu e, uma vez, me fez entender que a ideia de morrer lhe atraía. — mesmo sem me virar, pude notar que ele se aproximava — E ainda atrai, mas eu dei minha palavra de que ajudaria vocês. — suspirei — Pergunta logo o que veio perguntar. — fui direta — Você disse que esteve presente em todas as nossas principais missões. Inclusive em Washington. — eu o interrompi — Quer saber se eu conheci Barnes. — concluí — É. Trabalhamos juntos e eu o treinei algumas vezes. — Você o treinou? — A mente dele sempre foi uma zona. Ás vezes, era difícil reativá-lo. — Steve se sentou ao meu lado, mas com as pernas para dentro da construção — Eu o treinei pra enfrentar você, em Washington. A mente dele tava uma bagunça e queriam me pôr com ele na missão. Eu estava lá quando ele se lembrou de você e vi mexerem com a cabeça dele, de novo. — expliquei — Sinto muito. Eu sei que é ridículo eu dizer tudo o que eu disse e, no final, tacar um "sinto muito", mas tornava mais fácil para eu mostrar quem realmente sou. E que realmente estava sendo manipulada. — Por que não foi com ele? — sua pergunta não me pegou de surpresa — Eles queriam me preparar para algo maior, então me apagaram até o fim da missão. Sorte a de vocês, porque se eu estivesse lá, vocês não teriam chance e o projeto Insight seria executado com sucesso. — Passou muito tempo com Tony. — ele riu fraco — Não estou me gabando, estou sendo realista. Mais um tempo de silêncio absoluto da nossa parte. Só o que eu podia ouvir era o vento assobiar em meus ouvidos, afetando meu equilíbrio levemente. — Você devia entrar comigo. — sua sugestão também não me pegou de surpresa — Visão está cozinhando com a ajuda de Wanda e... Bom, você deve estar com fome. Eu me virei no muro, deixando apenas uma perna balançando, e o encarei com o melhor sorriso de agradecimento possível. Tentei ao máximo não transmitir à ele o que eu estava realmente sentindo. Peguei em sua mão, que estava pendendo no meio de suas pernas. — Obrigada, Steve, mas eu sei quando não sou bem-vinda. — tentei soar o mais gentil possível — Não quero irritar mais o Tony. Já é chato para ele me ter aqui. — E esse também é o seu jeito de não sofrer muito com o sofrimento dele. — ele me sorriu de volta — Não há um jeito de não sofrer. — Eu acredito em você. — isso sim me pegou de surpresa — Steve, eu... — ele me interrompeu — Eu sei que você o ama de verdade e que está arrependida. — Isso não apaga o que eu fiz. — Não, não apaga. — ele segurou a minha mão — Mas já ajuda a começar uma nova história. Steve beijou minha testa, como sempre fazia antes, e entrou, deixando-me novamente sozinha. Hora de voltar para a minha cela. + + + 15 de outubro de 2017 — quinta-feira É, hoje eu encarei o Tony sem rodeios. Contei a ele e a seus amigos tudo o que fiz e uma parte do que sou capaz. Não sei bem o que esperar deles, mas de Tony posso esperar rejeição total. Eu apenas decidi deixá-lo de lado. Isso me afetaria profundamente, mas eu não podia me dar ao luxo de sofrer mais do que ele. Eu não tinha esse direito. Ele está sofrendo agora — por mais que esconda — por minha causa e eu não posso fazer nada para confortá-lo. Quando tudo isso acabar, será como se nunca tivesse acontecido. Suspirei fechando o caderno e debrucei sobre a escrivaninha, fechando os olhos. Ah, Tony, eu te amo tanto. Me perdoe, por favor. — Com licença. — aquele sotaque que eu tanto amava me despertou de meus devaneios — Steve me disse que não quis jantar. Wanda estava dentro do pequeno quarto com uma garrafa de bourbon em cada mão. Ergui a cabeça e a encarei. — O que sugere? — perguntei baixo — Que tal jogar conversa fora? — ela ergueu os braços, oferecendo as garrafas — Desde quando você bebe? — É, normalmente eu não bebo, mas nada têm sido muito normal, ultimamente. — ela deu de ombros e se sentou na minha cama, deixando as garrafas no meu travesseiro, tirando as botas e cruzando as pernas em cima do meu colchão — Verdade. — concordei e me sentei ao seu lado — Eu também tive a mente revirada. Sei como se sente, mas nunca é tarde para recomeçar. — Estive na base que você foi criada, algumas vezes. — confessei O silêncio seguiu até terminarmos a segunda garrafa de bourbon e nós estarmos deitadas na cama, uma do lado da outra, observando o teto. A brisa fria que entrava pela janela quebrada nos fazia tremer um pouco, mas isso não era problema. — Não precisa ficar aqui embaixo, isolada. — Wanda interrompeu o silêncio — Eu prefiro assim. Já causei danos demais para vocês. Wanda suspirou e se levantou, catando as garrafas vazias. Passou a mão no cabelo e foi caminhando para a porta, logo abrindo a mesma e parando no batente. — Foi real, Kayla? Sua pergunta me pegou desprevenida e eu suspirei cansada. Ela estava se referindo à que? Meu amor por Tony? Minha missão? Meu relatório de hoje, sobre a minha vida na Hidra? Nossa amizade? Por via das dúvidas, respondi da melhor maneira que encontrei. — Foi, Wanda. Tudo foi completamente real.
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