o sonho
Todas as pessoas na vida têm seu destino e suas escolhas, menos a minha espécie, já nascemos com nosso destino feito pela grande Deusa, a mãe lua, somos seres da lua, filhos da lua. E a lua me fez o alfa da matilha lua n***a.
Meu nome será lembrado por todas as gerações.
Meu nome é Rocco, alfa da matilha lua n***a. Tenho quarenta e oito anos, e deste meus vinte anos, sou o alfa da matilha, sou filho de Matias, o grande alfa da alcateia lua nobre. Quando eu tinha vinte anos, com o meu beta Ruan, consegui dominar e matar o antigo alfa desta alcateia, um homem-lobo sem caráter que violentava das humanas nas cidades humanas.
Olho para a lua cheia relembrando toda a minha história, minha infância feliz ao lado dos meus pais e irmãs, minha adolescência ao lado do meu beta e irmão Ruan com muitos treinos e lutas.
_O que tanto pensa Rocco? _ Olho para o Raul e volto a olhar para a grande mãe lua.
_Ontem sonhei novamente com ela._Meu lobo uiva dentro da minha cabeça quando lembro do cheiro dela no sonho._ Consigo sentir o cheiro dela ainda.
Meu irmão se aproxima e me entrega um copo de uísque.
_ É uma dádiva meu irmão, sonhar com a companheira antes de conhecê-la.
Bebo minha bebida com apenas um gole, com a esperança de acabar com a p***a da sede que destrói minha alma. A sede dela, a sede que só o sabor dela vai poder suprir minha sede, minha alma grita procurando ela, meu lobo toda noite uiva na floresta atrás dela.
_ Se eu não achar ela rápido, vou enlouquecer, Raul. _ Coloco o copo na mesa do meu escritório e caminho até a porta.
_ Aonde vai neste estado de espírito meu alfa?
_ Vou correr na floresta.
_ Vou com você...
_ Não... eu vou sozinho.
_ Mas meu irmão...
_ Já falei Raul, irei correr sozinho. _ Saio deixando meu irmão para trás, meu lobo interior uiva querendo sair e caçar a companheira. Assim que saio pela porta da minha casa, vejo a floresta tensa que cerca meu território. Olho em volta e vejo algumas casas do meu povo já com as luzes das velas apagadas e outras ainda com as chamas acesas, somos uma alcateia com trezentos e trinta membros. Tenho orgulho do meu território e do meu povo, na alcateia do meu pai são quinhentos membros do bando e espero que minha alcateia cresça com fartura e paz igual à alcateia do meu pai.
Me aproximo da floresta, tiro minhas roupas e deixo meu animal interior vim, sinto meus pelos cinza escuros surgi no meu corpo, minhas pernas e bracos se transforma em patas grandes e poderosas, Assim que minhas pernas tocam o chão, sinto meu lado animal tomando conta, corro sem rumo atrás do cheiro que só conheço em sonhos nublados, mas o cheiro é vivo na minha mente. Um cheiro intoxicante de flor de laranja, baunilha e um toque de musgo da floresta após a chuva. É um aroma que me faz sentir como se tivesse sido atingido por um raio, deixando-me sem fôlego e com a alma em chamas. Quando eu sinto esse cheiro, meu lobo interior uiva de desejo, e ele é consumido por uma necessidade primal de encontrá-la e marcá-la como nossa.
Corro pela floresta, sentindo o vento no rosto e o cheiro da noite em minhas narinas, eu uivo de emoção ao desconhecido, continuo correndo pela floresta, eu solto sobre um tronco caído e continuo a correr, a lua iluminando minha solidão, o cheiro dela está em todos os lugares e em lugar nenhum ao mesmo tempo.
Sinto toda a minha frustração, paro no meio da floresta ofegante e com raiva. Respiro fundo e sinto o cheiro de um cervo, a caçada, e algo que eu preciso fazer, meu lobo precisa sentir o gosto do sangue, precisa sentir a emoção da perseguição, eu me concentro, deixando a frustração de lado. Eu farejo o ar procurando pelo cheiro de uma presa, e então eu o vejo, um cervo gordo e saudável, pastando tranquilamente na clareira sobre o luar. Eu uivo de emoção, eu me lanço em uma corrida silenciosa, meus olhos fixos na presa.
O cervo levanta a cabeça, sentindo minha presença, mas é tarde demais.
Eu estou em cima dele, meus dentes cravados em seu pescoço, a adrenalina corre em minhas veias, e eu sinto um momento de satisfação de alívio. Mais e breve logo a frustração volta, lembrando-me de que ainda não encontrei a minha companheira, eu rosno e uivo de raiva ao longe, consigo ouvir alguns membros da matilha respondendo meu uivo, sinto o sangue do cervo em minha língua. Eu me afasto do cervo, deixando para trás o corpo sem vida do animal, e começo a voltar para casa. Nem a p***a da caçada me satisfez, eu ainda sinto sede e uma necessidade de encontrá-la.
volto para casa e deito na cama, não me preocupo nem em tomar banho.
Eu sonho... Eu estou em uma casa antiga, com cheiro de velas e livros antigos. Uma criança de três anos, com longos cabelos pretos e olhos azul, brilhantes como safiras, está sentada no chão, brincando com um brinquedo de madeira. Ela é linda, e eu sinto um amor instantâneo por ela.
Ela se levanta e corre em minha direção, rindo, e eu a pego no colo. Ela cheira a flor de laranja, baunilha e musgo da floresta após a chuva... é o cheiro da minha companheira. Eu sinto um arrepio na espinha, e meu lobo interior uiva de emoção.
De repente, a cena muda. Os pais da criança, dois bruxos poderosos, estão ao lado dela, sorrindo para mim. Mas então, um bruxo sombrio aparece, com olhos vermelhos e uma risada sinistra. Ele levanta as mãos, e um feitiço poderoso sai delas, atingindo os pais da criança.
Eles caem no chão, mortos, e a criança começa a chorar. Eu tento correr em sua direção, mas meus pés estão paralisados. A criança se levanta, e seus olhos azuis se transformam em vermelho. Ela começa a gritar, e seu grito é como um feitiço, me atingindo com uma dor intensa.
Eu acordei, ofegante, com o coração batendo forte. O que significava aquele sonho? A criança era a minha companheira? E o que aconteceu com os pais dela? Eu sinto um frio na espinha, e meu lobo interior uiva de ansiedade.
O desespero é como uma onda gigante que me engulfa, me sufocando. Eu me sento na cama, respirando fundo, tentando me acalmai, mas é impossível. O sonho ainda está fresco em minha mente, e eu posso sentir o cheiro da minha companheira, o cheiro daquela criança, em meu nariz.
Eu me levanto e começo a andar de um lado para o outro no quarto, tentando dissipar a ansiedade. Mas não adianta. Eu sinto que estou perdendo o controle, que estou sendo puxado para um abismo de desespero.
A imagem da criança, com seus olhos azuis e cabelos pretos, está gravada em minha mente. E a sensação de impotência, de não poder salvá-la, é como um ácido em minha alma.
Eu uivo, um som gutural e desesperado, que ecoa pelo quarto. Meu lobo interior está em pânico, querendo sair e encontrar a companheira, encontrar a criança.
Eu me apoio na parede, sentindo o suor frio em minha pele. O que está acontecendo comigo? Por que estou tendo esses sonhos? E o que significam?
Eu sinto que estou à beira de um colapso, que estou perdendo a sanidade. E a única coisa que eu posso pensar é em encontrar a minha companheira, encontrar a criança e protegê-la.