Capítulo 39 – Don e a Dona

1539 Words

Vincenzo O salão do banquete tinha luz de teatro e cheiro de prata recém-polida. Mandamos apagar o brilho excessivo — festas cegam — e deixamos as sombras nos lugares úteis. O tecido das toalhas não arranhava; os olhos, sim. As bandejas passaram com o silêncio dos profissionais que conhecem o preço do erro. Ao fundo, o retrato do “Don morto” continuava de castigo, virado para a parede, porque símbolo nenhum governa contra mim. — Mesa curta ao centro — avisei a Marcos, e ele empurrou as cadeiras para o eixo que escolhi. — Sem flores altas. Quem precisa esconder o rosto, hoje, se levanta e vai embora. Ele assentiu, o caderno no bolso, o rádio na mão. O banquete não era celebração: era assembleia. E assembleias, aqui, obedecem a dois instrumentos — voz e aço. Elena atravessou o salão com

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