Elena A casa respirava como fera adormecida quando atravessamos o átrio. Portas trancadas por dentro, persianas ajustadas, vigilância dobrada — e, ainda assim, o corredor parecia estreito demais para tudo o que eu carregava na pele. Parei no meio da sala, senti o cheiro do nosso dia — pólvora, maresia, suor — e puxei Vincenzo pela gravata. — Hoje, eu conduzo. Ele não discutiu. O olhar obedeceu primeiro; o corpo, um segundo depois. Empurrei-o até o encosto do sofá, as costas dele cederam como ferro que aceita martelo. Soltei a gravata com um golpe do pulso, enrolei-a na mão, puxei-o para mim. A boca dele veio áspera, quente, fome igual à minha. O beijo não pedia licença; pedia ritmo. — Tira — sussurrei, puxando o casaco dele pelos ombros. — Tudo que não seja nós. A arma, primeiro; o co

