Vincenzo O escritório ainda tinha o cheiro acre da pólvora trazido do hospital — fantasma insistente preso nas cortinas de veludo e no couro da poltrona. A porta se fechou, e o silêncio pesou como chumbo. Elena ficou diante de mim, queixo erguido, os olhos queimando o que o vidro não quebrou. — Você disse que ninguém encostaria na minha família — ela começou, a voz controlada como lâmina fria. — Hoje encostaram em mim. Passei a mão pela mesa, afastando um cinzeiro e dois mapas, só para dar às minhas mãos algo mais sólido do que a raiva. — Não vai acontecer de novo — respondi. — Quem apontou aquela mira já tem data e lugar para morrer. Ela deu um meio passo, o suficiente para que o perfume de jasmim cortasse a fumaça. — Promessas. Já ouvi. Quero a verdade, Vincenzo. Quem é o traidor? D

