Vincenzo A pedra fria do claustro guardava o cheiro do século: cera, mofo, cal viva e algo de ossário, como se as paredes ainda lembrassem os nomes de quem rezou aqui por salvação e recebeu silêncio. Respirei o ar úmido do cripto-abrigo de San Luca — duas salas baixas, teto em abóbada, um corredor estreito que desemboca num túnel antigo cartografado por Marcos meses atrás — e só então o zumbido nos meus ouvidos começou a ceder. Tirei a fuligem da boca com as costas da mão. Sangue na gengiva, gosto de ferro. A manga do terno estava chamuscada; o relógio marcava hora nenhuma. Marcos sentou no degrau, tossindo escuro no lenço, o rosto cinza de pó e a sobrancelha cortada. Vivo. Isso bastava por enquanto. — Você viu a terceira carga? — ele perguntou, voz de cascalho. — Vi a fita no pedestal

