Elena A sirene distante soava como um lamento constante quando o carro parou diante do hospital. O letreiro de neon piscava com uma insistência doentia — H O S P I T A L — como se cada letra se recusasse a permanecer inteira. Desci cercada por dois homens de Vincenzo, ternos pretos, olhares duros, a mão sempre a um passo do coldre. O ar tinha cheiro de antisséptico, café queimado e medo antigo. — Senhora, à esquerda — murmurou o da frente, abrindo caminho pelo corredor onde macas se cruzavam e vozes sussurravam diagnósticos como pecados. Não olhei para eles. Olhava para dentro, onde uma criança me puxava pela mão de volta ao tempo em que meu pai me levantava nos ombros para eu alcançar as flores da janela. Agora, era eu quem precisava erguer o mundo para que ele respirasse. O quarto 41

